Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Manutenção — Elétrica organiza o programa em dez áreas, cobradas em 40 questões de Conhecimentos Específicos. Esta aula percorre as dez em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas e o item da norma em cada resposta que depende dela.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Este material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Simbologia, diagramas e circuitos elétricos
Conforme as áreas 1 e 2 do Anexo IV, o programa abre com diagramas unifilares e trifilares, esquemas de acionamento e controle, circuitos em corrente contínua e alternada, valores médio, eficaz e de pico, e as leis de Kirchhoff com os teoremas de Thévenin e Norton.
Duas relações resolvem boa parte das questões deste bloco: a lei de Ohm, que amarra tensão, corrente e resistência, e a razão entre valor de pico e valor eficaz, que é a raiz de dois. É por isso que uma rede de 220 V eficazes chega a cerca de 311 V de pico — número que o multímetro não mostra, mas a isolação precisa suportar.
Bloco 1 — Simbologia, diagramas e circuitos elétricos
- 1Um DIAGRAMA UNIFILAR de instalação elétrica caracteriza-se por:O unifilar sintetiza: uma linha representa o conjunto de condutores, com anotações sobre quantidade, bitola e proteção. É o desenho de visão geral da instalação. O trifilar mostra cada fase separadamente e é usado quando se precisa enxergar o detalhe do circuito, típico de esquemas de comando.
- 2Em um circuito de corrente contínua com dois resistores de 6 Ω e 12 Ω em SÉRIE, alimentado por 36 V, a corrente é de:Em série, as resistências se somam: 6 + 12 = 18 Ω. Pela lei de Ohm, I = V/R = 36 ÷ 18 = 2 A. Em série a corrente é a mesma nos dois resistores, e a tensão se divide proporcionalmente: 12 V no de 6 Ω e 24 V no de 12 Ω.
- 3A primeira lei de Kirchhoff (lei dos nós) estabelece que:A lei dos nós é conservação de carga: o que entra sai, porque carga não se acumula no nó. A segunda lei, das malhas, é conservação de energia: a soma algébrica das tensões ao longo de qualquer malha fechada é zero. As duas juntas resolvem qualquer circuito resistivo.
- 4Uma tensão alternada senoidal tem valor de pico de 311 V. Seu valor EFICAZ é de aproximadamente:O valor eficaz é o valor de pico dividido pela raiz de dois: 311 ÷ 1,414 ≈ 220 V. É por isso que a rede de 220 V tem pico de cerca de 311 V — e por isso a isolação dos componentes precisa suportar o pico, não a tensão nominal indicada no multímetro.
- 5O TEOREMA DE THÉVENIN permite substituir uma rede linear, vista por dois terminais, por:Thévenin reduz qualquer rede linear a uma fonte de tensão em série com uma resistência. Norton faz o equivalente com fonte de corrente em paralelo com resistência — os dois modelos são intercambiáveis, e a mesma resistência aparece nos dois. A utilidade prática é analisar o efeito de trocar apenas a carga.
- 6Em um circuito puramente RESISTIVO alimentado em corrente alternada:No resistor, corrente e tensão passam pelo zero e pelo máximo ao mesmo tempo: estão em fase, e o fator de potência é 1. No indutor puro a corrente atrasa 90°; no capacitor puro, adianta 90°. É dessa defasagem que nasce a potência reativa.
- 7Três resistores de 60 Ω ligados em paralelo resultam em resistência equivalente de:Para resistores iguais em paralelo, divide-se o valor pela quantidade: 60 ÷ 3 = 20 Ω. Como conferência rápida, a resistência equivalente em paralelo é sempre menor que a menor das resistências do conjunto.
- 8Em um circuito de comando de motor, o CONTATO NA (normalmente aberto) de um botão de partida:O contato normalmente aberto fecha ao ser acionado e volta a abrir quando solto — é o típico botão de liga. O normalmente fechado faz o inverso, e por isso é usado no botão de desliga e nos contatos de segurança, que precisam interromper o circuito quando algo falha.
- 9O SELO (contato de retenção) em um circuito de partida direta de motor serve para:O selo é um contato auxiliar NA do próprio contator ligado em paralelo com o botão de partida: assim que o contator fecha, esse contato mantém a bobina alimentada, e o operador pode soltar o botão. Limitar corrente de partida é papel da partida estrela-triângulo ou do soft-starter; proteger contra sobrecarga é do relé térmico.
- 10Num circuito CC, a energia armazenada por um capacitor está associada:O capacitor armazena energia no campo elétrico entre as placas; o indutor, no campo magnético. Em regime permanente de corrente contínua, o capacitor se comporta como circuito aberto: a corrente que o atravessa é nula, e é justamente por isso que ele bloqueia CC e deixa passar CA.
Bloco 2 — Energia, potência, fator de potência e sistemas trifásicos
De acordo com as áreas 3 e 4 do Anexo IV, entram aqui potência ativa, reativa e aparente, fator de potência e sua correção, circuitos monofásicos e trifásicos, tensão de linha e de fase, e as ligações estrela e triângulo.
O triângulo de potências organiza tudo: a ativa realiza trabalho, a reativa vai e volta entre a fonte e os campos, e a aparente é a soma vetorial das duas — é ela que dimensiona cabo e transformador. Fator de potência é simplesmente a razão entre ativa e aparente.
Bloco 2 — Energia, potência, fator de potência e sistemas trifásicos
- 1A POTÊNCIA ATIVA, em um circuito de corrente alternada, representa:A ativa (W) é a que vira trabalho e calor; a reativa (var) fica indo e voltando entre a fonte e os campos elétricos e magnéticos, sem produzir trabalho; e a aparente (VA) é a soma vetorial das duas, e é ela que dimensiona cabo e transformador. A relação entre ativa e aparente é o fator de potência.
- 2Uma carga consome 8 kW de potência ativa com potência aparente de 10 kVA. O fator de potência é:Fator de potência é a razão entre potência ativa e aparente: 8 ÷ 10 = 0,8. A potência reativa correspondente sai do triângulo de potências: raiz de (10² − 8²) = 6 kvar. Fator de potência baixo faz circular corrente que não produz trabalho e ainda gera cobrança adicional na fatura.
- 3A correção do fator de potência em uma instalação industrial com carga predominantemente indutiva é feita, tipicamente, com:Motores e transformadores consomem reativo indutivo; o capacitor fornece reativo capacitivo, que compensa o indutivo e aproxima o fator de potência de 1. O resultado é menos corrente circulando para a mesma potência útil: cabos menos carregados, menos perdas e sem cobrança de excedente reativo.
- 4Em um sistema trifásico ligado em ESTRELA, a relação entre tensão de linha e tensão de fase é:Na estrela, V_linha = raiz de 3 × V_fase, e a corrente de linha é igual à de fase. É por isso que uma rede de 380 V entre fases entrega 220 V entre fase e neutro. No triângulo é o contrário: as tensões se igualam e é a corrente de linha que fica raiz de 3 vezes maior que a de fase.
- 5Um sistema trifásico equilibrado com tensão de linha de 380 V tem tensão de fase, em ligação estrela, de aproximadamente:V_fase = 380 ÷ 1,732 ≈ 220 V. É exatamente a configuração 380/220 V, muito comum na indústria brasileira. O par 220/127 V corresponde a uma rede com 220 V entre fases.
- 6Uma carga de 3 kW opera 8 horas por dia, 20 dias por mês. O consumo mensal de energia é de:Energia é potência vezes tempo: 3 kW × 8 h × 20 dias = 480 kWh. Multiplicar pelo valor da tarifa dá o custo mensal daquela carga — cálculo que fundamenta qualquer estudo de eficiência energética.
- 7Em um circuito trifásico equilibrado, a potência ativa total é calculada por:A expressão consagrada é P = √3 · V_L · I_L · cos φ. Ela vale tanto para estrela quanto para triângulo, desde que se usem os valores de linha — motivo pelo qual é a fórmula preferida em campo, onde é a corrente de linha que o alicate amperímetro lê.
- 8Comparando circuito monofásico e trifásico para transmitir a mesma potência, o trifásico oferece:No trifásico equilibrado, a soma instantânea das três potências é constante, o que elimina a pulsação de conjugado típica do monofásico e permite motores mais compactos. Além disso, transmite-se mais potência com menos cobre. O neutro só é necessário quando há cargas monofásicas desequilibradas.
- 9Um motor absorve 20 A com fator de potência 0,85. A corrente que efetivamente produz trabalho — a componente ativa — é de aproximadamente:A componente ativa da corrente é I × cos φ = 20 × 0,85 = 17 A. Os 20 A completos é que circulam pelos cabos e disjuntores, e por isso é a corrente total, não a ativa, que dimensiona a instalação. Melhorar o fator de potência aproxima uma da outra.
- 10A potência REATIVA em uma instalação industrial é indesejável em excesso porque:O reativo não realiza trabalho, mas ocupa capacidade: para entregar a mesma potência ativa, circula mais corrente, o que aquece cabos, carrega transformadores e provoca queda de tensão. Some-se a isso a cobrança de excedente reativo prevista na regulação do setor elétrico, e a correção se paga sozinha.
Bloco 3 — Máquinas elétricas, proteção e acionamentos
Segundo a área 5 do Anexo IV, este é o bloco mais extenso do programa: eletromagnetismo aplicado, transformadores, máquinas síncronas, máquinas de corrente contínua, motores de indução, dispositivos de proteção de baixa tensão e acionamento e comando de motores.
Duas confusões custam caro na prova e no campo. A primeira é entre disjuntor termomagnético e dispositivo diferencial residual: um protege o circuito contra sobrecarga e curto, o outro protege a pessoa contra fuga de corrente, e nenhum substitui o outro. A segunda é entre relé térmico e fusível: o térmico tolera a corrente de partida e atua na sobrecarga prolongada; o fusível precisa ser rápido no curto-circuito.
Bloco 3 — Máquinas elétricas, proteção e acionamentos
- 1Um transformador ideal com 1.000 espiras no primário e 100 no secundário, alimentado em 220 V, entrega no secundário:A relação de transformação segue a razão de espiras: V₂ = V₁ × (N₂/N₁) = 220 × (100/1.000) = 22 V. É um transformador abaixador. A corrente faz o caminho inverso: cai a tensão, sobe a corrente, mantendo a potência aparente aproximadamente constante.
- 2O princípio de funcionamento do transformador é:A corrente alternada no primário cria fluxo magnético variável no núcleo, e esse fluxo induz tensão no secundário — sem contato elétrico entre os enrolamentos. É justamente por depender de fluxo variável que o transformador não funciona em corrente contínua constante.
- 3O ESCORREGAMENTO de um motor de indução é definido como:O rotor do motor de indução precisa girar mais devagar que o campo girante para que haja variação de fluxo e, portanto, corrente induzida. Essa diferença relativa é o escorregamento, tipicamente de 2% a 5% em carga nominal. Se o rotor alcançasse a velocidade síncrona, o torque cairia a zero.
- 4Um motor de indução trifásico de 6 polos alimentado em 60 Hz tem velocidade síncrona de:n = 120 · f ÷ p = 120 × 60 ÷ 6 = 1.200 rpm. A rotação real em carga fica alguns por cento abaixo, por causa do escorregamento. Com 4 polos daria 1.800 rpm e com 2 polos, 3.600 rpm.
- 5Para inverter o sentido de rotação de um motor de indução TRIFÁSICO, basta:Trocar duas fases inverte o sentido do campo girante e, com ele, o do rotor — é a base do circuito de reversão com dois contatores intertravados. Mudar de estrela para triângulo altera a tensão por enrolamento, não o sentido. Inverter polaridade é procedimento de motor de corrente contínua.
- 6O relé de sobrecarga (relé térmico) em um circuito de partida de motor tem por função:O relé térmico atua por aquecimento de lâminas bimetálicas: tolera a corrente de partida, que é alta e breve, e desarma diante de sobrecarga moderada e sustentada, que é o que realmente queima o enrolamento. Curto-circuito é responsabilidade do fusível ou do disjuntor, que precisam ser bem mais rápidos.
- 7A partida ESTRELA-TRIÂNGULO é usada para:Em estrela, cada enrolamento recebe a tensão de linha dividida por raiz de três, e a corrente de partida cai a cerca de um terço. O conjugado cai na mesma proporção — por isso o método só serve para partida em vazio ou com carga leve. Depois de acelerar, comuta-se para triângulo.
- 8Um DISJUNTOR TERMOMAGNÉTICO protege o circuito contra:O elemento térmico bimetálico atua em sobrecargas moderadas e prolongadas; o magnético, por ação eletromagnética, desarma quase instantaneamente diante de correntes muito elevadas de curto-circuito. Fuga para a terra é responsabilidade do dispositivo diferencial residual, o DR, que é outro equipamento.
- 9O dispositivo DR (diferencial residual) atua quando:O DR compara a corrente de ida com a de retorno: se sobra corrente, ela está indo para algum lugar indevido — terra, estrutura ou pessoa. Sensibilidades de 30 mA são usadas para proteção contra choque elétrico, e valores maiores, para proteção contra incêndio. Ele não substitui o disjuntor, e o disjuntor não substitui o DR.
- 10Um motor de corrente contínua tem sua velocidade controlada principalmente por:No motor CC, a velocidade cresce com a tensão de armadura e diminui com o aumento do fluxo de campo — combinação que dá controle amplo e preciso, e explica sua persistência em aplicações de tração. Variar frequência é o método do motor de indução, com inversor.
Bloco 4 — Medidas elétricas, instalações, aterramento e SPDA
Conforme as áreas 7 e 8 do Anexo IV, o programa cobre fundamentos de medidas elétricas, uso de instrumentos de corrente, tensão, potência e isolação, retificadores, baterias e no-breaks, instalações de baixa tensão, redes de 1,0 kV a 17,5 kV, sistemas de aterramento e noções de SPDA.
Na prática, guarde a regra de ligação dos instrumentos, que a prova adora: amperímetro em série, porque precisa ser atravessado pela corrente; voltímetro em paralelo, porque mede diferença de potencial. Trocar os dois destrói o instrumento e provoca curto — e é o erro que aparece disfarçado em enunciado de procedimento.
Bloco 4 — Medidas elétricas, instalações, aterramento e SPDA
- 1Para medir CORRENTE em um circuito com um amperímetro convencional, o instrumento deve ser ligado:O amperímetro tem resistência interna muito baixa e precisa ser inserido em série, para que a corrente do circuito passe por ele. Ligá-lo em paralelo com a carga cria um caminho de baixa resistência e provoca curto-circuito. O voltímetro é o oposto: alta resistência, ligado em paralelo.
- 2O MEGÔHMETRO (megger) é o instrumento indicado para medir:O megôhmetro aplica tensão contínua elevada — 500 V, 1.000 V ou mais — e mede a resistência de isolamento, na casa dos megaohms. É ensaio de manutenção preditiva clássico em motores e cabos, e precisa ser feito com o circuito desenergizado e desconectado, sob risco de danificar componentes eletrônicos sensíveis.
- 3O ALICATE AMPERÍMETRO permite medir corrente sem interromper o circuito porque:A garra funciona como núcleo de um transformador de corrente: o campo magnético produzido pela corrente no condutor induz sinal proporcional no instrumento. Por isso é preciso abraçar um único condutor — envolver fase e neutro juntos resultaria em leitura próxima de zero, já que os campos se cancelam.
- 4Um sistema NO-BREAK (UPS) tem por função:O no-break retifica a energia da rede para carregar baterias e, na falta, um inversor converte a energia armazenada de volta para corrente alternada, sem interromper a carga. Ele oferece também condicionamento contra afundamentos e transitórios, mas não substitui SPDA nem corrige fator de potência da instalação.
- 5Um RETIFICADOR, em um sistema de corrente contínua industrial, tem a função de:O retificador faz CA virar CC, tipicamente com ponte de diodos e filtro — é ele que alimenta os bancos de baterias de sistemas de comando e proteção. Converter CC em CA é função do inversor, que é o outro estágio do no-break.
- 6O SISTEMA DE ATERRAMENTO de uma instalação elétrica tem como funções principais:O aterramento dá caminho de baixa impedância para corrente de falta, permitindo que a proteção atue, e mantém as massas metálicas no mesmo potencial, o que reduz a tensão de contato. Ele trabalha em conjunto com o DR e com a equipotencialização — nenhum dos três substitui o outro.
- 7Um sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) é composto, essencialmente, por:O SPDA capta a descarga, conduz a corrente por descidas até o aterramento e a dissipa no solo — os três subsistemas precisam existir e estar interligados. Além disso, a equipotencialização evita diferenças de potencial perigosas entre estruturas durante o evento. Captor isolado, sem descida e aterramento adequados, não protege.
- 8Em instalações elétricas de baixa tensão, a seção do condutor é determinada considerando, entre outros critérios:Dimensionar cabo é atender simultaneamente a vários critérios, e prevalece o que exigir a maior seção: capacidade de corrente conforme a maneira de instalar, limite de queda de tensão para o comprimento do circuito, e coordenação com a proteção contra sobrecarga e curto-circuito. Escolher pela corrente apenas é a causa clássica de aquecimento em circuito longo.
- 9A norma técnica brasileira que trata de instalações elétricas de baixa tensão é a:A NBR 5410 cobre instalações elétricas de baixa tensão. A NBR 14039 trata de média tensão, de 1,0 kV a 36,2 kV, e a NBR 5419, de proteção contra descargas atmosféricas. A NR-10 é norma regulamentadora trabalhista de segurança em eletricidade — obrigação legal, não norma técnica de projeto.
- 10Ao medir tensão com multímetro em um circuito energizado, o procedimento correto inclui:Voltímetro se liga em paralelo, na função e faixa corretas, com equipamento de proteção adequado ao risco. Deixar o multímetro na escala de corrente e encostar as pontas em um circuito energizado é o erro que destrói o instrumento e pode gerar arco elétrico — por isso o hábito de conferir a posição da chave antes de tocar em qualquer ponto.
Bloco 5 — Automação, eletrônica e normas
De acordo com as áreas 6, 9 e 10 do Anexo IV, fecham o programa segurança e higiene do trabalho com ênfase em eletricidade, eletrônica analógica e digital, diagramas lógicos, automação industrial, CLP, controle em malha fechada, a ABNT NBR 5410 e a Norma Regulamentadora NR-10.
Um aviso que vale a leitura: existe uma nova redação da NR-10 publicada, mas ela só entra em vigor em 1º de junho de 2027. Como a prova é em 29 de novembro de 2026, o texto que vale para o seu estudo é a versão atualizada em 2019, vigente até 31 de maio de 2027. Estudar pela versão errada é desperdiçar tempo com item que ainda não vale.
Bloco 5 — Automação, eletrônica e normas (NBR 5410 e NR-10)
- 1Segundo a NR-10, a sequência correta de procedimentos para considerar uma instalação DESENERGIZADA é:O item 10.5.1 fixa seis etapas em ordem obrigatória: seccionar, impedir a reenergização, constatar a ausência de tensão, instalar aterramento temporário com equipotencialização dos condutores, proteger os elementos energizados que permanecem na zona controlada e sinalizar o impedimento de reenergização. Inverter a ordem — aterrar antes de constatar a ausência de tensão, por exemplo — é justamente o que a norma impede.
Fonte: NR-10, item 10.5.1 — Ministério do Trabalho e Emprego
- 2De acordo com a NR-10, estabelecimentos com carga instalada superior a qual valor devem constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas?O item 10.2.4 estabelece o limite de 75 kW de carga instalada. Acima disso, o estabelecimento precisa constituir e manter o prontuário, com memorial descritivo, procedimentos, documentação das inspeções, especificação dos equipamentos de proteção, certificações e relatórios de auditoria. É documento vivo, não papel de gaveta.
Fonte: NR-10, item 10.2.4 — Ministério do Trabalho e Emprego
- 3Conforme o glossário da NR-10, ALTA TENSÃO é definida como tensão:O glossário fixa a fronteira em 1.000 V em corrente alternada ou 1.500 V em corrente contínua. Abaixo disso e acima de 50 V em alternada ou 120 V em contínua, fala-se em baixa tensão. Essa classificação não é acadêmica: ela define exigências distintas de qualificação, procedimento e proteção.
Fonte: NR-10, Anexo I — glossário — Ministério do Trabalho e Emprego
- 4Na hierarquia de medidas de controle da NR-10, a prioridade é:A norma coloca a proteção coletiva à frente: desenergização, isolação, barreiras, invólucros, bloqueios. O EPI entra quando a coletiva é tecnicamente inviável ou insuficiente, e sempre como complemento. Inverter essa ordem transfere para o trabalhador um risco que o projeto deveria ter eliminado.
Fonte: NR-10, itens 10.2.8.1 e 10.2.9.1 — Ministério do Trabalho e Emprego
- 5Em eletrônica digital, a porta lógica E (AND) de duas entradas tem saída em nível alto quando:A porta AND exige todas as entradas em nível alto para que a saída seja alta. A OR basta uma; a XOR exige entradas diferentes; a NOT inverte. Em ladder de CLP, a AND corresponde a contatos em série e a OR, a contatos em paralelo — é essa tradução que resolve boa parte das questões de automação.
- 6Um DIODO SEMICONDUTOR ideal caracteriza-se por:O diodo conduz quando polarizado diretamente e bloqueia na polarização reversa — é essa unidirecionalidade que permite montar retificadores. Amplificar é função do transistor; armazenar carga entre placas é o capacitor; variar resistência com a luz é o LDR.
- 7Em um sistema de controle em MALHA FECHADA, a realimentação serve para:A realimentação fecha o ciclo: mede-se a variável de processo, compara-se com o setpoint e o controlador atua para reduzir o erro. É o que diferencia a malha fechada da aberta, que atua sem verificar o resultado. Sem sensor não há realimentação — logo, não há malha fechada.
- 8Em um projeto com CLP, a linguagem LADDER é escolhida frequentemente porque:O ladder foi criado justamente para que quem lia diagrama de comando a relé pudesse programar CLP sem aprender uma linguagem textual. A IEC 61131-3 padroniza também texto estruturado, blocos de função, lista de instruções e SFC — para lógica complexa ou cálculo, essas costumam ser mais adequadas que o ladder.
- 9O uso de EPI em atividades com eletricidade, segundo a NR-10, exige:O EPI precisa ser compatível com o risco identificado — arco elétrico e choque exigem equipamentos distintos, com classes e certificações próprias — e entra como complemento, nunca como substituto da proteção coletiva. Entregar o equipamento sem treinamento, sem higienização e sem verificação de estado não cumpre a norma.
- 10Os condutores de uma instalação de baixa tensão devem seguir a identificação por cores em que o condutor de PROTEÇÃO (terra) é:A identificação consagrada reserva o verde ou verde-amarelo exclusivamente ao condutor de proteção, e o azul-claro ao neutro. Justamente por serem reservadas, essas cores não podem ser usadas em condutores de fase. Trocar a cor do terra por outra é erro grave: induz o próximo eletricista ao engano.
As relações e os números que a prova cobra, num lugar só
Segundo o Anexo IV do edital, o programa desta ênfase tem dez áreas. Montamos a tabela a partir delas, reunindo o que mais se repete e o que mais causa erro por confusão de conceito.
| Conceito | Relação de referência | Onde costuma cair |
|---|---|---|
| Lei de Ohm | V = R · I | Circuitos CC e CA |
| Valor eficaz | Vef = Vpico ÷ √2 | Corrente alternada |
| Resistores em série e paralelo | série: soma; paralelo iguais: valor ÷ quantidade | Circuitos elétricos |
| Fator de potência | FP = P (W) ÷ S (VA) = cos φ | Potência elétrica |
| Potência trifásica | P = √3 · Vlinha · Ilinha · cos φ | Circuitos trifásicos |
| Ligação estrela | Vlinha = √3 · Vfase; correntes iguais | Sistemas trifásicos |
| Ligação triângulo | tensões iguais; Ilinha = √3 · Ifase | Sistemas trifásicos |
| Transformador ideal | V₂ / V₁ = N₂ / N₁ | Máquinas elétricas |
| Velocidade síncrona | n = 120 · f ÷ nº de polos | Motores |
| Inversão de rotação (trifásico) | trocar duas das três fases | Acionamentos |
| Ligação de instrumentos | amperímetro em série; voltímetro em paralelo | Medidas elétricas |
| Prontuário de instalações (NR-10) | obrigatório acima de 75 kW de carga instalada | Normas |
| Alta tensão (NR-10) | acima de 1.000 V em CA ou 1.500 V em CC | Normas |
| Desenergização (NR-10) | seis etapas, em ordem, do item 10.5.1 | Segurança em eletricidade |
| Normas técnicas | NBR 5410 (baixa tensão), NBR 14039 (média), NBR 5419 (SPDA) | Normas |
O que fazer depois de responder tudo
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, quem acerta menos de 20 das 40 questões de Conhecimentos Específicos está eliminado. Marque os blocos em que você ficou abaixo de sete acertos e volte a eles antes de avançar.
Depois, feche o ciclo com as duas matérias de Conhecimentos Gerais e com o simulado cronometrado:
- Língua Portuguesa: 50 questões comentadas — segundo o edital, são 10 questões na prova, e zerar essa matéria elimina.
- Matemática: 50 questões resolvidas passo a passo — conforme o mesmo item, também 10 questões, com a mesma regra.
- Preparatório completo da ênfase Manutenção — Elétrica — plano de estudo, vagas por polo e ordem recomendada.
- Edital Transpetro 2026: vagas, requisitos e prazos — a leitura do edital, ênfase por ênfase.
Como apuramos
As 50 questões desta aula são autorais e foram escritas de acordo com o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, área por área, no formato do subitem 7.1.1: cinco alternativas e uma única resposta correta. Cada item normativo citado foi conferido no texto vigente da NR-10 publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego — a versão atualizada em 2019, válida até 31 de maio de 2027 — com indicação do item exato: 10.2.4 para o prontuário, 10.5.1 para a sequência de desenergização, 10.2.8.1 e 10.2.9.1 para a hierarquia das medidas de proteção e o Anexo I para o glossário de tensões.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: a divisão das dez áreas em cinco blocos é nossa e serve para organizar o estudo, não corresponde a proporção declarada pela banca; a ABNT NBR 5410 é norma privada e paga, então tratamos dela pelo conceito e pela aplicação, sem transcrever texto protegido; e não temos acesso ao conteúdo da prova. Este material ensina a matéria exigida — não prevê a questão que vai cair.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade, texto atualizado em 2019, vigente até 31/05/2027 — Ministério do Trabalho e Emprego.
- Normas Regulamentadoras vigentes — Ministério do Trabalho e Emprego.
- SI Brochure, 9ª edição — Bureau International des Poids et Mesures.

