Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Naval cobra quatro grandes áreas de conteúdo programático em 40 questões de Conhecimentos Específicos: nomenclatura do navio, arquitetura naval, projeto naval e soldagem. Esta aula percorre as quatro em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Este material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Nomenclatura do navio e estrutura do casco
O item 1 do Anexo IV cobra nomenclatura geral, peças principais das estruturas dos navios de aço, conveses, cobertas e plataformas, subdivisões do casco, aberturas e acessórios na carena, no costado, nas bordas e nos conveses. É o vocabulário sem o qual nada mais no programa faz sentido.
Bloco 1 — Nomenclatura do navio e estrutura do casco
- 1NomenclaturaConhecimentos EspecíficosA extremidade dianteira do navio, que corta a água durante a navegação, é denominada:Proa é a extremidade dianteira e popa é a traseira. Olhando da popa para a proa, bombordo fica à esquerda e boreste, também chamado de estibordo, fica à direita. Través é a direção perpendicular ao plano longitudinal do navio.
- 2NomenclaturaConhecimentos EspecíficosOlhando-se da popa para a proa, o bordo situado à direita do observador é o:Boreste, ou estibordo, é o bordo direito quando se olha da popa para a proa; bombordo é o esquerdo. A convenção internacional associa luz verde a boreste e vermelha a bombordo, o que permite identificar o rumo de outra embarcação à noite.
- 3EstruturaConhecimentos EspecíficosA peça estrutural longitudinal que percorre o fundo do navio, da proa à popa, e serve de espinha dorsal do casco é a:A quilha é a peça longitudinal de fundo que serve de referência construtiva e de espinha dorsal do casco. Cavernas são elementos transversais, anteparas são paredes divisórias estanques e escotilhas são aberturas no convés.
- 4EstruturaConhecimentos EspecíficosAs cavernas de um navio de aço são elementos estruturais dispostos:As cavernas são as costelas do navio: dispostas transversalmente e ligadas à quilha, definem a forma do casco e resistem à pressão externa. Longarinas e escoas são os elementos longitudinais que trabalham com elas na estrutura mista.
- 5EstruturaConhecimentos EspecíficosA antepara estanque tem por função principal:As anteparas estanques subdividem o casco de modo que a inundação de um compartimento não se propague, o que sustenta o conceito de estabilidade em avaria. A antepara de colisão, próxima à proa, é a mais crítica desse conjunto.
- 6CascoConhecimentos EspecíficosA parte do casco que fica permanentemente submersa, abaixo da linha d’água, é denominada:Carena, ou obra viva, é a porção submersa do casco; a obra morta é a parte emersa. Borda livre é a distância vertical entre a linha d’água e o convés principal, e superestrutura é a construção acima do convés.
- 7ConvésConhecimentos EspecíficosEm uma embarcação, os pavimentos internos situados abaixo do convés principal são chamados de:Coberta é o pavimento abaixo do convés principal; plataforma é o pavimento parcial. Passadiço é o local de comando da navegação, tijupá é o teto do passadiço e escotilha é uma abertura, não um pavimento.
- 8AberturasConhecimentos EspecíficosA abertura no convés destinada ao acesso a porões e ao embarque de carga é a:A escotilha é a grande abertura de convés, fechada por tampas, usada para acesso e movimentação de carga. A vigia é a janela circular no costado, o portaló é o acesso lateral de pessoas e o escovém é a abertura por onde passa a amarra da âncora.
- 9AcessóriosConhecimentos EspecíficosO cabeço de amarração instalado no convés serve para:Os cabeços, também chamados de cunhos duplos, recebem as voltas dos cabos de amarração. O guincho traciona, a buzina orienta a saída do cabo pelo costado e o defensa protege o casco no contato com o cais.
- 10NomenclaturaConhecimentos EspecíficosO bulbo de proa, presente em muitos navios modernos, tem por finalidade:O bulbo gera um trem de ondas que interfere destrutivamente com o gerado pela proa, reduzindo a resistência de onda e, com ela, a potência exigida em velocidade de projeto. O ganho depende da faixa de calado e de velocidade para a qual foi desenhado.
Bloco 2 — Arquitetura naval: flutuabilidade e hidrostática
O item 2 abre com definições básicas, flutuabilidade e características hidrostáticas. Aqui entram deslocamento, porte bruto, calado, boca, pontal, coeficiente de bloco, marcas de borda livre e as curvas hidrostáticas que orientam o carregamento.
Bloco 2 — Arquitetura naval: flutuabilidade e hidrostática
- 1Coeficiente de blocoConhecimentos EspecíficosUm navio-tanque tem comprimento entre perpendiculares de 160 m, boca moldada de 24 m e calado moldado de 9 m. O volume de deslocamento moldado medido nesse calado é de 24.883,2 m³. Qual é o coeficiente de bloco do casco?O coeficiente de bloco é a razão entre o volume de deslocamento e o paralelepípedo que circunscreve o casco: CB = ∇/(LBP × B × T). Aqui, LBP × B × T = 160 × 24 × 9 = 34.560 m³, logo CB = 24.883,2/34.560 = 0,72. Os valores 0,58 e 0,65 exigiriam volumes bem menores, de 20.044,8 m³ e 22.464 m³; 0,80 e 0,86 exigiriam 27.648 m³ e 29.721,6 m³, todos incompatíveis com o volume informado.
- 2Deslocamento e empuxoConhecimentos EspecíficosPelo princípio de Arquimedes, o deslocamento de um navio em equilíbrio corresponde ao peso do volume de água deslocado pelo casco. Para um casco com volume de deslocamento de 12.500 m³ flutuando em água do mar de massa específica 1,025 t/m³, o deslocamento é de:O deslocamento é o peso da água deslocada, de modo que Δ = ρ × ∇ = 1,025 × 12.500 = 12.812,5 t. A alternativa de 12.500 t confunde volume com peso e serviria apenas para água de massa específica unitária. O valor 12.195,1 t inverte a operação, dividindo em vez de multiplicar. Já 12.750 t e 13.125 t aplicam massas específicas de 1,020 e 1,050 t/m³, que não são a do enunciado.
- 3Porte brutoConhecimentos EspecíficosNo projeto de navios mercantes, o porte bruto é obtido a partir do deslocamento e do peso em leve da embarcação. Um navio apresenta deslocamento de 58.000 t na linha de carga de verão e peso em leve de 9.400 t. Seu porte bruto é de:Porte bruto é a capacidade de transporte do navio, igual ao deslocamento menos o peso em leve: 58.000 − 9.400 = 48.600 t. O peso em leve reúne o aço do casco e os equipamentos de bordo e, por definição, não é porte bruto. Somar as duas parcelas resulta em 67.400 t, grandeza sem significado; tomar o deslocamento inteiro ignora o peso da estrutura; e metade do deslocamento não corresponde a nenhuma definição de projeto.
- 4Marcas de borda livreConhecimentos EspecíficosAs marcas de borda livre pintadas a meio-navio incluem um anel com 12 polegadas de diâmetro externo e 1 polegada de largura, cortado por uma linha horizontal de 18 polegadas. Essa linha horizontal, pela regulamentação de linhas de carga, indica:O anel das marcas de borda livre é cortado por uma linha horizontal de 18 polegadas cuja borda superior passa pelo centro do anel: essa borda é a linha de carga de verão, situada abaixo da borda superior da linha de convés a uma distância igual à borda livre de verão atribuída. A linha de convés é marca distinta, de 12 polegadas de comprimento. As linhas de inverno, tropical e de água doce ficam na escada adjacente ao anel, nunca sobre ele, e não existe marca de calado mínimo de lastro nesse conjunto.
Fonte: 46 CFR § 42.13-25 — Load line mark, regulamento de linhas de carga, eCFR
- 5Convés de borda livreConhecimentos EspecíficosA atribuição de borda livre a um navio depende da identificação correta do convés de borda livre, pois é dele que se mede verticalmente a borda livre. Segundo a regulamentação de linhas de carga, esse convés é definido, em regra, como:O convés de borda livre é, normalmente, o convés completo mais alto exposto ao tempo e ao mar, dotado de meios permanentes de fechamento de todas as aberturas em suas partes expostas. A borda livre atribuída é medida verticalmente desse convés até a linha de carga. A posição da praça de máquinas, do passadiço ou das aberturas de carregamento não define esse convés, e a metade do pontal moldado é cota arbitrária, sem amparo na regulamentação.
Fonte: 46 CFR § 42.13-15 — Definitions of terms, subparte 42.13, eCFR
- 6Linhas de carga sazonaisConhecimentos EspecíficosAlém da linha de carga de verão, a escada de marcas de borda livre traz linhas identificadas por letras, correspondentes a zonas, áreas e períodos sazonais. A correspondência correta entre a letra e a condição que ela representa é:Na escada de marcas, W é a linha de inverno, WNA a linha de inverno no Atlântico Norte, T a linha tropical, F a linha de verão em água doce e TF a linha tropical em água doce, estas duas últimas traçadas à ré da linha vertical. Apenas a associação de WNA está correta. As demais alternativas trocam as letras entre inverno, tropical e água doce, erro frequente na leitura da escada de borda livre.
Fonte: 46 CFR § 42.13-30 — Lines to be used with the load line mark, eCFR
- 7Toneladas por centímetroConhecimentos EspecíficosAs curvas hidrostáticas fornecem o TPC, que expressa o acréscimo de deslocamento necessário para imergir o casco em um centímetro. Para uma área de linha d’água de 2.400 m² em água do mar de massa específica 1,025 t/m³, o TPC vale:O TPC é dado por TPC = ρ × A/100, com a área de linha d’água em m² e a massa específica em t/m³: TPC = 1,025 × 2.400/100 = 24,60 t/cm. A divisão por 100 converte o metro de imersão em centímetro; omiti-la produz 2.460 t/cm, valor absurdo. Dividir a área pela massa específica inverte a operação e dá 23,41 t/cm, e dividir a área por dez ou por mil ignora inteiramente a massa específica da água.
- 8Arqueação brutaConhecimentos EspecíficosA Convenção Internacional sobre Arqueação de Navios, de 1969, em vigor desde 18 de julho de 1982, criou o primeiro sistema universal de medição de arqueação. Nesse sistema, a arqueação bruta é calculada a partir:Pela Convenção de 1969, a arqueação bruta deriva do volume moldado de todos os espaços fechados do navio e serve de base a regras de tripulação, segurança e taxas de registro. A arqueação líquida deriva do volume moldado dos espaços de carga e não pode ser inferior a trinta por cento da bruta: é essa, portanto, a alternativa que descreve a líquida. Arqueação é medida de volume, e não de peso, o que afasta o peso de carga e o deslocamento, e não se obtém de área de convés vezes pontal.
Fonte: IMO — International Convention on Tonnage Measurement of Ships, 1969
- 9Curvas hidrostáticasConhecimentos EspecíficosNo planejamento do carregamento de um navio, o oficial consulta as curvas hidrostáticas para obter grandezas de forma do casco, como KB, BM, KM, LCB, LCF, TPC e MTC. Essas curvas são construídas apresentando tais propriedades em função:As curvas hidrostáticas traçam as propriedades hidrostáticas do casco em função do calado, cobrindo a faixa de calados de operação, e é assim que se leem KB, BM, KM, LCB, LCF, TPC e MTC para um calado qualquer. O ângulo de banda é a abscissa da curva de estabilidade estática, isto é, da curva de GZ, e não das hidrostáticas. Velocidade de serviço, número de compartimentos estanques e posição da carga não são variáveis independentes dessas curvas.
- 10Condição em leveConhecimentos EspecíficosO Código Internacional de Estabilidade Intacta de 2008, adotado pela Resolução MSC.267(85) da IMO, define a condição de navio em leve. Trata-se da condição do navio:O Código de Estabilidade Intacta de 2008 define a condição em leve como a do navio completo em todos os aspectos, porém sem consumíveis, sobressalentes, carga, tripulação e seus pertences. É dessa condição que se obtém o porte bruto e a ela que se referenciam as demais condições de carregamento. Navio com consumíveis ou com tripulação embarcada já deixou a condição leve; navio em construção ainda não está completo; e lastro mínimo é condição operacional de carregamento, não a condição leve.
Fonte: Resolução IMO MSC.267(85) — Código Internacional de Estabilidade Intacta, 2008
Bloco 3 — Estabilidade de corpos flutuantes e cálculos
Ainda no item 2, o programa cobra cálculo de áreas e de volumes, cálculos hidrostáticos e estabilidade de corpos flutuantes. Centro de carena, metacentro, altura metacêntrica, superfície livre e estabilidade em avaria são o núcleo deste bloco.
Bloco 3 — Estabilidade de corpos flutuantes e cálculos
- 1Altura metacêntricaConhecimentos EspecíficosEm uma determinada condição de carregamento, um navio apresenta KB igual a 4,20 m, raio metacêntrico BM igual a 6,50 m e KG igual a 8,30 m, todas as cotas medidas a partir da linha de base. A altura metacêntrica GM vale:A altura metacêntrica obtém-se por GM = KB + BM − KG, com todas as cotas referidas à linha de base: GM = 4,20 + 6,50 − 8,30 = 2,40 m. O resultado positivo indica equilíbrio transversal estável. Somar as três cotas resulta em 19,00 m, sem sentido físico. Usar apenas KG − KB, que dá 4,10 m, ou BM − KB, que dá 2,30 m, descarta uma das parcelas da expressão. Trocar BM por KG na soma conduz a 6,00 m.
- 2Raio metacêntricoConhecimentos EspecíficosO raio metacêntrico transversal relaciona a geometria da área de flutuação ao volume submerso do casco. Para um casco cujo momento de inércia transversal da área de flutuação é 48.000 m⁴ e cujo volume de deslocamento é 12.000 m³, o raio metacêntrico vale:Para pequenos ângulos de banda vale BM = I/∇, em que I é o momento de inércia transversal da área de linha d’água e ∇ o volume de deslocamento: BM = 48.000/12.000 = 4,00 m. Inverter a razão produz 0,25 m. Somar ou subtrair grandezas de dimensões diferentes, metros à quarta e metros ao cubo, é dimensionalmente inválido, o que elimina 60.000 m e 36.000 m. Extrair a raiz da razão também não corresponde à definição do raio metacêntrico.
- 3Equilíbrio transversalConhecimentos EspecíficosA posição relativa do metacentro e do centro de gravidade define a natureza do equilíbrio transversal de um corpo flutuante. A associação correta entre o valor da altura metacêntrica e a condição de equilíbrio é:Com GM maior que zero o metacentro fica acima do centro de gravidade e o momento gerado pela inclinação tende a endireitar o flutuante: equilíbrio estável. Com GM igual a zero o metacentro coincide com o centro de gravidade e o equilíbrio é neutro ou indiferente. Com GM menor que zero o metacentro fica abaixo do centro de gravidade e o momento amplia a inclinação: equilíbrio instável. As demais alternativas invertem essas três correspondências.
- 4Correção de superfície livreConhecimentos EspecíficosUm tanque de lastro retangular com 12 m de comprimento e 10 m de boca interna está parcialmente cheio de água do mar, o mesmo fluido em que o navio flutua, e o volume de deslocamento é de 10.000 m³. A elevação virtual do centro de gravidade causada pela superfície livre é de:A elevação virtual do centro de gravidade é dada por GG’ = i × ρ do tanque /(ρ do mar × ∇). Para tanque retangular, i = l × b³/12 = 12 × 10³/12 = 1.000 m⁴. Como o líquido é a própria água do mar, a razão de massas específicas vale 1 e GG’ = 1.000/10.000 = 0,10 m. O valor 0,14 m resulta de trocar comprimento e boca na fórmula, o que daria 1.440 m⁴. Os demais partem de momentos de inércia que não decorrem das dimensões dadas. Note que o efeito não depende da quantidade de líquido no tanque.
- 5Antepara longitudinalConhecimentos EspecíficosPara reduzir o efeito de superfície livre em um tanque retangular largo, o projetista instala uma antepara longitudinal estanque no plano de simetria do tanque, dividindo-o em duas metades iguais. O momento de inércia total da superfície livre passa a ser, aproximadamente:Como i = l × b³/12 depende do cubo da boca livre, dividir o tanque em duas metades conduz a 2 × l × (b/2)³/12 = l × b³/48, ou seja, um quarto do valor original. É exatamente por isso que a antepara longitudinal é um recurso tão eficaz de projeto, e não um recurso que apenas reduz o efeito à metade. O momento não dobra nem permanece igual, e um oitavo corresponderia a uma subdivisão maior do que a descrita no enunciado.
- 6Regra de SimpsonConhecimentos EspecíficosAplicando a primeira regra de Simpson a três semiordenadas igualmente espaçadas de 6 m, cujos valores são 2 m, 8 m e 6 m, a área sob a curva definida por essas ordenadas é de:A primeira regra de Simpson usa A = (s/3) × (y₀ + 4y₁ + y₂), com três ordenadas e dois intervalos iguais, isto é, multiplicadores 1, 4 e 1. Assim, A = (6/3) × (2 + 4 × 8 + 6) = 2 × 40 = 80 m². O valor 72 m² decorre da regra dos trapézios, que ignora o multiplicador 4 da ordenada central. Somar as ordenadas sem multiplicadores dá 32 m². Os valores 144 m² e 160 m² apenas dobram resultados, o que só caberia se se quisesse a área referente aos dois bordos do navio.
- 7Área sob a curva GZConhecimentos EspecíficosO Código Internacional de Estabilidade Intacta de 2008 estabelece, entre os critérios gerais aplicáveis à curva de braços de endireitamento, um valor mínimo para a área sob a curva GZ até a inclinação de 30 graus. Esse valor é:O item 2.2.1 do Código de Estabilidade Intacta de 2008 exige área sob a curva GZ não inferior a 0,055 metro-radiano até 30 graus, não inferior a 0,090 metro-radiano até 40 graus ou até o ângulo de alagamento, se menor, e não inferior a 0,030 metro-radiano entre 30 e 40 graus. Os valores 0,150 e 0,200 pertencem a outros critérios, o GM inicial mínimo de 0,15 m e o braço GZ mínimo de 0,20 m aos 30 graus, expressos em metros e não em metro-radiano.
Fonte: Resolução IMO MSC.267(85), Código de Estabilidade Intacta 2008, parte A, item 2.2.1
- 8Braço de endireitamento mínimoConhecimentos EspecíficosAinda nos critérios gerais do Código Internacional de Estabilidade Intacta de 2008, três exigências tratam do braço de endireitamento e da altura metacêntrica inicial. O conjunto correto dessas três exigências é:Os itens 2.2.2 a 2.2.4 do Código de Estabilidade Intacta de 2008 exigem braço GZ de no mínimo 0,2 m em inclinação igual ou superior a 30 graus, ocorrência do GZ máximo em inclinação não inferior a 25 graus e altura metacêntrica inicial não inferior a 0,15 m. As demais alternativas embaralham esses três números, trocando o ângulo em que GZ é medido com o ângulo de GZ máximo ou permutando os valores de 0,20 m e 0,15 m entre o braço e a altura metacêntrica.
Fonte: Resolução IMO MSC.267(85), Código de Estabilidade Intacta 2008, parte A, itens 2.2.2 a 2.2.4
- 9Curva de estabilidade estáticaConhecimentos EspecíficosA curva de estabilidade estática apresenta o braço de endireitamento em função do ângulo de banda, para uma dada condição de carregamento do navio. Sobre a leitura dessa curva, é correto afirmar que:Na curva de GZ, a tangente na origem tem inclinação igual à altura metacêntrica, razão pela qual o GM mede a estabilidade inicial. A área sob a curva representa a estabilidade dinâmica, isto é, o trabalho necessário para inclinar o navio, e não o GM. O ângulo de estabilidade nula é aquele em que o braço GZ retorna a zero, depois do máximo, e a faixa de estabilidade vai de zero até esse ângulo, e não até o ponto de braço máximo.
- 10Critério de vento e balançoConhecimentos EspecíficosO critério de vento forte e balanço do Código Internacional de Estabilidade Intacta de 2008 compara a área de adernamento provocada pelo vento com a área de reserva de estabilidade. Esse critério adota pressão de vento constante de:O capítulo 2.3 do Código de Estabilidade Intacta de 2008 fixa a pressão de vento constante em 504 pascals e exige que a área b, de reserva de estabilidade, seja igual ou maior que a área a, de adernamento. Inverter a desigualdade equivaleria a aceitar que o momento de adernamento supere a reserva de estabilidade, exatamente o que o critério proíbe. Nenhum dos outros valores de pressão de vento consta do Código.
Fonte: Resolução IMO MSC.267(85), Código de Estabilidade Intacta 2008, parte A, capítulo 2.3
Bloco 4 — Projeto naval e elementos estruturais
O item 3 trata da introdução ao projeto naval, das fases do projeto do casco, da definição e do estudo dos elementos estruturais e do arranjo dos aparelhos de fundeio. É o bloco que conecta a geometria do casco às decisões de engenharia.
Bloco 4 — Projeto naval e elementos estruturais
- 1Aprovação de planosConhecimentos EspecíficosNas regras de uma sociedade classificadora para construção e classificação de navios de aço, os planos de casco e de máquinas — entre eles o arranjo geral e as fundações do motor principal e do engrenamento redutor — devem ser:A seção 1-1-7 das regras diz, com todas as letras, que os planos de casco e de máquinas “are to be submitted and approved before proceeding with the work”: a aprovação precede a execução, e não a entrega. Guardar o plano para mostrar na entrega esvazia a função da classificação, que é verificar antes de construir. Repetição de projeto anterior não dispensa submissão. A autoridade portuária fiscaliza a operação do navio, não aprova o projeto estrutural. E a decisão sobre a estrutura não é do armador: cabe à sociedade classificadora, que responde pela conformidade com as regras.
- 2Forma do cascoConhecimentos EspecíficosNo início do projeto naval, a definição da forma do casco é tratada como a busca de uma geometria externa afilada que atenda a condicionantes do contratante da embarcação. Essa geometria é definida de modo a satisfazer, principalmente:A forma do casco é definida como a geometria externa hidrodinamicamente afilada capaz de satisfazer os requisitos do armador, entre eles o porte bruto e a velocidade de serviço. Limites de emissão, espessuras mínimas de chapeamento, disponibilidade de berço de construção e lotação de tripulantes são restrições de naturezas distintas, verificadas em outras etapas, e nenhuma delas governa a geração da forma do casco na concepção do navio.
- 3Resistência longitudinalConhecimentos EspecíficosPor ser uma estrutura esbelta submetida a cargas laterais, o casco de um navio é tratado, na análise estrutural global, como uma viga-navio. A resistência longitudinal é definida como a resistência global do casco a:Resistência longitudinal é a resistência global do casco aos momentos fletores, às forças cortantes e aos momentos de torção que atuam sobre a viga-navio. Pressão hidrostática em painéis e esforços de atracação são verificações de resistência local de elementos isolados. Vibração e corrosão são fenômenos tratados em análises próprias, de dinâmica estrutural e de margem de espessura, e não integram a definição de resistência longitudinal.
- 4Transmissão de cargasConhecimentos EspecíficosNo dimensionamento dos elementos estruturais do casco considera-se um caminho de transmissão de esforços entre os membros, que vai do elemento secundário ao elemento primário. A sequência correta desse caminho, partindo da carga aplicada, é:O caminho de transmissão de tensões no casco segue a ordem chapeamento, perfil longitudinal, caverna gigante e sicorda: a carga chega à chapa, é recolhida pelos perfis que a reforçam, destes passa às cavernas gigantes e por fim às sicordas, que a conduzem à estrutura primária. As demais sequências invertem essa hierarquia, fazendo um membro primário como a sicorda ou a caverna gigante receber a carga antes do chapeamento, o que não corresponde ao modelo estrutural.
- 5Numeral de equipamentoConhecimentos EspecíficosAs regras unificadas das sociedades classificadoras dimensionam o equipamento de fundeio a partir do numeral de equipamento. Na expressão EN = Δ elevado a dois terços, mais 2(hB + Sfun), mais A/10, a parcela Δ corresponde:Na regra unificada A1 da IACS, o numeral de equipamento é EN = Δ elevado a dois terços, mais 2,0(hB + Sfun), mais A/10, em que Δ é o deslocamento moldado em toneladas na linha de carga de verão, h é a altura efetiva dessa linha ao topo da casaria mais alta, B é a boca moldada e A é a área lateral projetada do casco, superestruturas, casarias e chaminés. Porte bruto, arqueação e peso em leve não entram na fórmula, e a área lateral é a parcela A, não Δ.
Fonte: IACS Unified Requirement A1 — Anchoring Equipment, numeral de equipamento
- 6Âncoras de alto poderConhecimentos EspecíficosAs regras unificadas de equipamento de fundeio admitem tipos especiais de âncora, com poder de garra superior ao da âncora sem cepo comum. Para a âncora classificada como de alto poder de garra, a massa exigida de cada âncora pode ser reduzida a:Pela regra A1 da IACS, a âncora classificada como de alto poder de garra pode ter massa igual a 75% da massa requerida na tabela para âncoras sem cepo comuns. A redução a 50% fica reservada às âncoras de poder de garra muito elevado, que precisam comprovar poder de garra de pelo menos quatro vezes o da âncora comum de mesma massa. Os percentuais de 25% e 90% não constam da regra, e 110% significaria agravar a exigência, não reduzi-la.
Fonte: IACS Unified Requirement A1 — Anchoring Equipment, âncoras de alto poder de garra
- 7Graus de amarraConhecimentos EspecíficosAs amarras de fundeio exigidas pelas regras unificadas são de elos com malhete e classificam-se em graus, segundo a faixa de limite de resistência à tração do aço empregado. A associação correta entre grau e faixa de resistência é:A regra A1 da IACS prevê três graus de amarra de elos com malhete: grau 1, de aço doce, com limite de resistência à tração de 300 a 490 N/mm²; grau 2, de aço de qualidade especial, de 490 a 690 N/mm²; e grau 3, de aço de qualidade extra especial, acima de 690 N/mm². As alternativas erradas deslocam a faixa superior para o grau 1 ou para o grau 2 e empurram a faixa inferior ou a intermediária para graus que não lhes correspondem.
Fonte: IACS Unified Requirement A1 — Anchoring Equipment, graus de amarra 1, 2 e 3
- 8Arranjo de fundeioConhecimentos EspecíficosNo arranjo de fundeio padronizado pelas regras unificadas admite-se que o navio empregue normalmente apenas uma âncora de bordo e sua amarra por vez. Quanto ao comprimento total de amarra tabelado, a regra determina que ele seja:A regra A1 da IACS parte da hipótese de que, em circunstâncias normais, o navio usa apenas uma âncora de bordo e sua amarra; ainda assim exige duas âncoras de bordo e determina que o comprimento total de amarra da tabela seja dividido em partes aproximadamente iguais entre elas. A âncora sobressalente não recebe amarra da tabela. Não há previsão de redução de comprimento por emprego de âncora de alto poder de garra nem de acréscimo em função do grau do aço.
Fonte: IACS Unified Requirement A1 — Anchoring Equipment, divisão da amarra entre as âncoras de bordo
- 9Suporte do molineteConhecimentos EspecíficosAs estruturas do casco que suportam o molinete e o mordente da amarra precisam ser verificadas para uma carga de projeto definida em função da própria amarra. Nas regras unificadas, quando não há mordente independente, essa carga corresponde a:A regra A1 da IACS fixa, para a verificação das estruturas de suporte do mordente e do molinete sem mordente independente, carga de projeto igual a 80% da carga de ruptura da amarra. O valor é inferior à carga de ruptura porque se admite que a amarra seja o elo que rompe por último, mas é alto o bastante para garantir margem estrutural. Os valores de 25% e 50% subestimam a solicitação, e 100% ou 120% não correspondem ao texto da regra.
Fonte: IACS Unified Requirement A1 — Anchoring Equipment, item A1.7, estruturas de suporte
- 10Esforços de onda no cascoConhecimentos EspecíficosNo estudo da viga-navio, as cargas induzidas pelas ondas fazem o casco alternar entre duas condições globais de flexão, conforme a crista da onda esteja a meio-navio ou nas extremidades. Essas duas condições são denominadas:As cargas de onda produzem a condição de alquebramento, com a crista a meio-navio, e a condição de contra-alquebramento, com a crista nas extremidades, ambas de flexão global da viga-navio. Banda e trim são inclinações do casco, não flexões. Cisalhamento e torção são outros esforços da mesma viga, e não condições de carregamento. Flambagem e fadiga são modos de falha de elementos, e não estados globais de flexão do casco.
Bloco 5 — Soldagem e ensaios em peças soldadas
O item 4 fecha o programa com noções gerais de soldagem, processos aplicados ao aço e ensaios destrutivos e não destrutivos em peças soldadas. Em construção e reparo naval, a solda é onde a qualidade se ganha ou se perde.
Bloco 5 — Soldagem e ensaios em peças soldadas
- 1Numeração de processosConhecimentos EspecíficosA norma internacional de nomenclatura de processos de soldagem, brasagem e corte atribui a cada processo um número de referência, usado em desenhos e especificações de procedimento. Nessa numeração, a soldagem a arco com eletrodo revestido é identificada pelo número:Na norma de nomenclatura de processos, 111 identifica a soldagem manual a arco com eletrodo revestido. O número 121 designa a soldagem a arco submerso com arame único, 131 a soldagem a arco com proteção de gás inerte, 135 a soldagem a arco com proteção de gás ativo e 141 a soldagem a arco com eletrodo de tungstênio e gás inerte. Confundir esses números compromete a especificação do procedimento de soldagem e a qualificação do soldador.
Fonte: TWI Job Knowledge 1 — Welding and joining process classification (ISO 4063)
- 2Estrutura da numeraçãoConhecimentos EspecíficosA norma ISO 4063:2023 padroniza a nomenclatura de processos de soldagem, brasagem, solda branca e corte, e o número de referência de qualquer processo tem no máximo três dígitos. A leitura correta desses dígitos é:A ISO 4063:2023 estabelece que o número de referência tem no máximo três dígitos: um dígito identifica os processos principais, dois dígitos identificam os grupos e três dígitos identificam os subgrupos. Assim, o algarismo 1 corresponde à soldagem a arco, 13 à soldagem a arco com proteção gasosa e 135 à variante com gás ativo. A numeração não descreve espessura soldável nem identifica fabricante de consumível, e a alternativa que atribui subgrupo a um único dígito inverte a hierarquia da norma.
- 3Ensaio por líquido penetranteConhecimentos EspecíficosO ensaio por líquido penetrante é empregado na inspeção de peças soldadas e segue a norma ISO 3452-1, que trata de seus princípios gerais. A respeito da capacidade de detecção desse ensaio, é correto afirmar que ele revela:O ensaio por líquido penetrante revela somente descontinuidades abertas à superfície, como trincas, dobras, porosidade superficial e falta de fusão que aflore, e aplica-se tanto a metais ferrosos quanto a não ferrosos, além de fundidos, forjados e cerâmicos quimicamente estáveis e não excessivamente porosos. Nenhuma variante do método alcança descontinuidades internas. A detecção subsuperficial limitada em material ferromagnético é característica do ensaio por partículas magnéticas, não do penetrante.
Fonte: ISO 3452-1:2021 — Non-destructive testing: penetrant testing, part 1: general principles
- 4Partículas magnéticasConhecimentos EspecíficosNo ensaio por partículas magnéticas de juntas soldadas, normalizado pela ISO 17638, a sensibilidade de detecção depende da orientação da descontinuidade em relação ao campo magnético aplicado. Por essa razão, na prática de inspeção:A sensibilidade máxima ocorre quando a descontinuidade corta as linhas de fluxo magnético a 90 graus, de modo que a peça precisa ser examinada duas vezes, com direções de magnetização defasadas de 90 graus, para revelar defeitos longitudinais e transversais. O método limita-se a materiais ferromagnéticos, isto é, aços ferríticos e não austeníticos, e tampouco se aplica ao alumínio. Ele detecta descontinuidades superficiais e subsuperficiais, sem substituir a radiografia na avaliação de poros internos.
Fonte: ISO 17638:2016 — Non-destructive testing of welds: magnetic particle testing
- 5Ultrassom em juntas soldadasConhecimentos EspecíficosA norma ISO 17640 trata do ensaio ultrassônico manual de juntas soldadas por fusão, definindo técnicas, níveis de ensaio e avaliação dos resultados. Entre as condições de aplicação dessa norma, destaca-se que ela se aplica a juntas com espessura:A ISO 17640 aplica-se ao ensaio ultrassônico manual de juntas soldadas por fusão em materiais metálicos com espessura igual ou superior a 8 mm, baixa atenuação ultrassônica e temperatura entre 0 e 60 graus Celsius, e estabelece quatro níveis de ensaio, cada um associado a uma probabilidade distinta de detecção de descontinuidades. Espessuras finas ficam fora do alcance da norma, e as demais alternativas alteram tanto o limite de espessura quanto o número de níveis previstos.
- 6Radiografia de soldasConhecimentos EspecíficosNa inspeção subsuperficial de soldas de estruturas de aço, a escolha entre radiografia e ultrassom depende do tipo de descontinuidade esperada. Segundo a orientação técnica de boas práticas em construção soldada, a radiografia:A orientação de boas práticas em inspeção subsuperficial registra que trincas não são detectáveis por radiografia, salvo quando muito grandes, e que descontinuidades planas mal orientadas em relação ao feixe podem produzir resultado inconclusivo. O ultrassom, ao contrário, é eficaz para defeitos planos como trincas e falta de fusão na parede lateral, mas normalmente não é empregado em chapas de espessura inferior a 8 mm. As demais alternativas invertem essas características.
Fonte: SCI Guidance Note 6.03 — Sub-surface inspection of welds, Steel Construction Institute
- 7Níveis de qualidadeConhecimentos EspecíficosA norma ISO 5817 estabelece níveis de qualidade para descontinuidades em juntas soldadas por fusão de aço, níquel, titânio e suas ligas, excluída a soldagem por feixe. Sobre esses níveis de qualidade, é correto afirmar que:A ISO 5817 apresenta três níveis de qualidade, designados pelos símbolos B, C e D, e o nível B corresponde à exigência mais elevada sobre a solda acabada. A norma aplica-se a espessuras de material iguais ou superiores a 0,5 mm e cobre soldas de topo com penetração total e soldas de filete. Não existem níveis designados A ou E, e afirmar que D é o mais exigente inverte a escala estabelecida pela norma.
- 8Ensaios destrutivosConhecimentos EspecíficosNa qualificação de procedimento de soldagem pela ISO 15614-1, nível 1, uma junta de topo com penetração total deve ser submetida a exames e ensaios do corpo de prova. Quanto aos ensaios mecânicos exigidos, a norma prevê:Para o nível 1 da ISO 15614-1, a tabela de exames e ensaios do corpo de prova de junta de topo com penetração total exige ensaio visual em cem por cento da junta, dois corpos de prova de tração transversal e quatro corpos de prova de dobramento transversal. Reduzir a um corpo de prova de cada ensaio, inverter as quantidades entre tração e dobramento ou dispensar o ensaio de tração contraria diretamente a tabela da norma.
Fonte: ISO 15614-1 — Welding procedure test, tabela de exames e ensaios do nível 1 (extrato SSAB WeldCalc)
- 9Qualificação de procedimentoConhecimentos EspecíficosA ISO 15614-1 trata da especificação e qualificação de procedimentos de soldagem para soldagem a arco e a gás de aços e soldagem a arco de níquel e suas ligas. Sobre os níveis de ensaio definidos nessa norma, é correto afirmar que:A norma define dois níveis de ensaio: o nível 2 impõe requisitos mais rigorosos e faixas de qualificação mais estreitas, e o ensaio aprovado no nível 2 atende automaticamente aos requisitos do nível 1. Salvo especificação em contrário, aplica-se o nível 2. Por isso é errado tratar o nível 1 como o mais exigente ou como padrão, afirmar equivalência entre os dois níveis ou restringir cada nível a soldagem de produção ou de reparo.
Fonte: ISO 15614-1:2017 — Specification and qualification of welding procedures, níveis de ensaio 1 e 2
- 10Classificação de descontinuidadesConhecimentos EspecíficosPara padronizar a linguagem da inspeção de soldas existe norma internacional dedicada à classificação de imperfeições geométricas em materiais metálicos na soldagem por fusão. Sobre o alcance dessa norma, é correto afirmar que ela:A ISO 6520-1 serve de base para a classificação e a descrição precisas das imperfeições de solda na soldagem por fusão, definindo os tipos com explicações e ilustrações, e exclui expressamente as imperfeições de natureza metalúrgica. Ela não fixa critérios de aceitação, tarefa de normas como a ISO 5817, não substitui nenhum ensaio e não define níveis de ensaio ultrassônico, objeto da ISO 17640.
O vocabulário que a prova cobra, num lugar só
| Termo | O que é | Não confundir com |
|---|---|---|
| Proa e popa | Extremidades dianteira e traseira | Bombordo e boreste, que são os bordos esquerdo e direito |
| Carena | Parte submersa do casco, a obra viva | Obra morta, a parte emersa |
| Borda livre | Distância da linha d’água ao convés principal | Pontal, medido da quilha ao convés |
| Calado | Profundidade submersa, da linha de base à linha d’água | Boca, que é a largura máxima |
| Deslocamento | Peso do navio, igual ao peso da água deslocada | Porte bruto, que é a capacidade de carga |
| Coeficiente de bloco | Volume deslocado dividido por comprimento, boca e calado | Coeficiente de flutuação, referente ao plano de flutuação |
| Centro de carena | Centroide do volume submerso, onde atua o empuxo | Centro de gravidade, onde atua o peso |
| Altura metacêntrica | Distância entre centro de gravidade e metacentro | Braço de endireitamento, que depende do ângulo |
| Superfície livre | Efeito de líquido solto em tanque, que reduz a estabilidade | Lastro, que pode aumentar ou reduzir a estabilidade |
| Trim | Diferença entre calado de popa e de proa | Banda, que é a inclinação transversal |
| Caverna | Elemento estrutural transversal do casco | Longarina, elemento longitudinal |
| Antepara | Parede divisória, em geral estanque | Convés, que é o pavimento horizontal |
| Escotilha e escovém | Abertura de convés para carga; passagem da amarra | Vigia, a janela circular no costado |
| Hogging e sagging | Alquebramento e contra-alquebramento longitudinais | Torção, esforço distinto do casco |
| SMAW, GTAW e SAW | Eletrodo revestido, TIG e arco submerso | GMAW, que é o MIG/MAG |
Metodologia e limitações desta aula
Analisamos o Anexo IV do edital e apuramos as quatro áreas do programa da ênfase Naval. Agrupamos as quatro em cinco blocos por afinidade de conteúdo, escrevemos as 50 questões e conferimos cada resolução contra a definição corrente na literatura de nomenclatura naval, arquitetura naval e tecnologia da soldagem. Nenhuma questão foi copiada de prova anterior.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: a divisão das quatro áreas em cinco blocos é nossa e não corresponde a proporção declarada pela banca; o edital não indica quantas das 40 questões cabem a cada área; as regras das sociedades classificadoras e as normas técnicas de soldagem são documentos privados e pagos, e por isso tratamos delas pelo conceito; e critérios de estabilidade têm valores definidos por norma que podem ser revisados.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- Diretoria de Portos e Costas — Marinha do Brasil — autoridade marítima brasileira e referência normativa do setor.
- Agência Nacional de Transportes Aquaviários — regulação do transporte aquaviário no país.
- Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012), Inmetro — definições de medição usadas nos ensaios.
O que fazer depois desta aula
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, Conhecimentos Específicos elimina quem fica abaixo de 50% — menos de 20 acertos nas 40 questões. Se você errou muito em um bloco só, a lacuna é de conteúdo e vale voltar a ele antes de seguir. Se os erros ficaram espalhados, o problema costuma ser de atenção sob pressão, e o caminho é o simulado cronometrado.
Vale lembrar que Português e Matemática também eliminam, e que, entre os habilitados, a classificação final é a soma algébrica das duas fases, conforme o subitem 7.1.4.2.2.
