Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Inspeção de Equipamentos e Instalações cobra 30 itens em 40 questões de Conhecimentos Específicos, e é essa prova que define o ranqueamento. Esta aula percorre os 30 itens em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Este material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Desenho técnico, metrologia e unidades
Conforme os itens 1 a 6 do Anexo IV, o programa abre com desenho técnico, metrologia, Sistema Internacional de Unidades, conversão de unidades, medição de temperatura e suas escalas, e instrumentos de medição e aferição.
Guarde três conversões que aparecem em quase toda prova de inspeção: kelvin é Celsius mais 273,15; Celsius é Fahrenheit menos 32, dividido por 1,8; e 1 bar equivale a 0,1 MPa. Errar unidade em inspeção não é detalhe — é laudo errado.
Bloco 1 — Desenho técnico, metrologia e unidades
- 1Em desenho técnico, a escala 1:50 significa que:Na notação de escala, o primeiro número é o desenho e o segundo é a realidade. Em 1:50, cada unidade no papel corresponde a 50 na peça — é redução, usada em plantas e conjuntos grandes. Escala de ampliação se escreve ao contrário, como 5:1, e serve para detalhes pequenos.
- 2A cota indicada como ⌀40 em um desenho técnico informa:O símbolo ⌀ indica diâmetro. Raio seria indicado por R, ângulo por grau, e rugosidade por símbolo próprio com o valor de Ra. Confundir diâmetro com raio dobra ou divide pela metade a dimensão da peça — erro que na inspeção custa refugo.
- 3A temperatura de 25 °C corresponde, na escala Kelvin, a:A conversão é K = °C + 273,15, logo 25 + 273,15 = 298,15 K. Note que a variação é a mesma nas duas escalas: uma diferença de 1 °C equivale a uma diferença de 1 K, o que não vale para a escala Fahrenheit.
- 4A temperatura de 68 °F corresponde, em graus Celsius, a:A conversão é °C = (°F − 32) ÷ 1,8. Assim, (68 − 32) ÷ 1,8 = 36 ÷ 1,8 = 20 °C. Vale guardar dois pontos de ancoragem: 32 °F equivale a 0 °C e 212 °F a 100 °C.
- 5Uma pressão de 3 MPa equivale a:1 bar equivale a 100.000 Pa, ou 0,1 MPa. Então 3 MPa correspondem a 30 bar. Fazer a conversão pelo caminho longo confirma: 3 MPa são 3.000.000 Pa, e 3.000.000 ÷ 100.000 = 30 bar.
Fonte: SI Brochure, 9ª edição — Bureau International des Poids et Mesures
- 6Na inspeção dimensional, o CALIBRADOR PASSA / NÃO PASSA serve para:O calibrador é instrumento de verificação, não de medição: um lado deve passar e o outro não, o que confirma que a peça está entre o limite mínimo e o máximo. É rápido e à prova de operador, mas não diz o quanto a peça está próxima do limite — informação que só a medição fornece.
- 7A INCERTEZA DE MEDIÇÃO expressa:Toda medição carrega dúvida residual, e a incerteza quantifica essa dúvida: o resultado é a faixa, não o ponto. Por isso um certificado de calibração informa valor e incerteza associada. Reportar medição sem incerteza é reportar meia informação — e em inspeção de equipamento, a metade que falta é a que decide aprovação ou reprovação.
- 8Um paquímetro cujo zero não coincide quando as orelhas estão fechadas apresenta:O erro de zero é sistemático: desloca todas as leituras na mesma direção e no mesmo valor. Ou se ajusta o instrumento, ou se desconta o desvio de cada leitura. É justamente o tipo de erro que a conferência do zero antes de cada uso — hábito simples e frequentemente pulado — evita.
- 9Um comprimento de 0,25 m equivale a:1 metro tem 1.000 milímetros, então 0,25 × 1.000 = 250 mm. Errar por uma casa decimal em conversão de unidade é a causa mais banal e mais frequente de reprovação injusta de peça na inspeção dimensional.
- 10Na projeção ortográfica, a vista que mostra a peça olhando de frente, perpendicularmente ao plano vertical, é a:A vista frontal, ou elevação, é a referência a partir da qual as demais se posicionam. A escolha de qual face será a frontal não é indiferente: por convenção, escolhe-se a que melhor descreve a peça e exige menos linhas tracejadas nas outras vistas.
Bloco 2 — Mecânica, fluidos e resistência dos materiais
De acordo com os itens 7, 8 e 11 do Anexo IV, este bloco reúne estática, cinemática e dinâmica, propriedades dos fluidos e hidrostática, e resistência dos materiais, incluindo tensões normais e cisalhantes, flexão, torção e dilatação térmica dos sólidos.
A dilatação térmica merece atenção especial nesta ênfase, porque é ela que explica boa parte das tensões que o inspetor encontra em campo: tubulação impedida de dilatar não fica parada, ela empurra o suporte. A conta é simples, ΔL igual a L₀ vezes alfa vezes ΔT, e o resultado surpreende quem nunca fez.
Bloco 2 — Mecânica, fluidos e resistência dos materiais
- 1Um corpo de 20 kg é puxado sobre superfície horizontal por força de 100 N, com força de atrito de 40 N. A aceleração resultante é: (g = 10 m/s²)A resultante é a força aplicada menos o atrito: 100 − 40 = 60 N. Pela segunda lei de Newton, a = F/m = 60 ÷ 20 = 3 m/s². O valor de g não entra na conta porque o movimento é horizontal — ele só serviria para calcular a força normal, se o coeficiente de atrito fosse dado em vez da força.
- 2O TORQUE (momento de uma força) em relação a um ponto é calculado por:Momento é força vezes braço, sendo o braço a distância perpendicular entre a linha de ação da força e o ponto. Uma força que passa exatamente pelo ponto tem braço nulo e momento zero, por maior que seja. Trabalho dividido pelo tempo é potência; força vezes tempo é impulso.
- 3O princípio de Pascal, aplicado a uma prensa hidráulica, estabelece que:O que se transmite integralmente é a pressão, não a força. Como pressão é força por área, o êmbolo maior recebe força proporcionalmente maior — daí a multiplicação de força da prensa. O que não se multiplica é trabalho: o êmbolo maior percorre curso proporcionalmente menor.
- 4O empuxo sobre um corpo totalmente submerso, segundo o princípio de Arquimedes, é igual:O empuxo vale o peso do volume de fluido deslocado: E = ρ_fluido · g · V_submerso. Por isso um corpo flutua quando sua densidade média é menor que a do fluido. Note que o empuxo depende da densidade do FLUIDO e do volume submerso, não da densidade do corpo.
- 5Uma barra de 2 m de comprimento sofre alongamento de 1 mm sob tração. A deformação específica é de:Deformação específica é o alongamento dividido pelo comprimento inicial, com as unidades coerentes: 0,001 m ÷ 2 m = 0,0005, ou 0,05%. É grandeza adimensional — se o resultado aparecer com unidade, houve erro de conversão no caminho.
- 6A LEI DE HOOKE, no regime elástico, estabelece que:No trecho elástico do diagrama tensão-deformação, σ = E · ε, e a peça volta à forma original quando a carga é retirada. Passado o limite de escoamento, a relação deixa de ser linear e parte da deformação se torna permanente — é aí que começa o regime plástico.
- 7Uma barra de aço de 10 m é aquecida em 50 °C. Com coeficiente de dilatação linear de 12 × 10⁻⁶ °C⁻¹, o alongamento é de:ΔL = L₀ · α · ΔT = 10 × 12 × 10⁻⁶ × 50 = 6 × 10⁻³ m, ou seja, 6 mm. Parece pouco, mas em uma tubulação de 100 m a mesma variação daria 60 mm — e é por isso que juntas de expansão existem.
- 8A FLAMBAGEM é o modo de falha característico de:Flambagem é perda de estabilidade: a peça esbelta sob compressão encurva lateralmente antes de atingir a tensão de escoamento do material. A carga crítica depende do comprimento, do momento de inércia da seção e das condições de apoio — não só da resistência do aço. Sob tração, o fenômeno não existe.
- 9Em uma viga, o ESFORÇO CORTANTE representa:O cortante é a resultante interna perpendicular ao eixo da viga: ele tende a fazer uma seção escorregar em relação à vizinha. O momento fletor, por sua vez, tende a girar a seção. Os dois se relacionam — a derivada do momento ao longo da viga é o cortante — e por isso o momento é máximo onde o cortante cruza o zero.
- 10Uma força de 5 kN atua sobre área de 250 mm². A tensão resultante é de:Usando o atalho N/mm² igual a MPa: 5.000 N ÷ 250 mm² = 20 MPa. Pelo caminho longo, 5.000 ÷ 0,00025 m² = 20.000.000 Pa, o mesmo resultado.
Bloco 3 — Calor, mudanças de estado e ondas
Segundo os itens 9, 10, 13, 16 e 21 do Anexo IV, entram aqui calorimetria, transferência de calor por condução, convecção e radiação, mudanças de estado e ondas mecânicas e eletromagnéticas. Vale registrar uma curiosidade do próprio edital: mudanças de estado aparece duas vezes na lista, nos itens 13 e 21.
A parte de ondas não está ali por acaso: é a base física do ultrassom e da radiografia, os dois ensaios que sustentam a inspeção de integridade. Entender que frequência mais alta melhora resolução e piora penetração explica, sozinho, metade das escolhas de procedimento.
Bloco 3 — Calor, mudanças de estado e ondas
- 1A quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de um corpo, sem mudança de estado, é dada por:É o calor sensível: massa vezes calor específico vezes variação de temperatura. A expressão Q = m · L é o calor latente, usado na mudança de estado, em que a temperatura permanece constante enquanto o calor é absorvido ou liberado.
- 2Durante a fusão de um bloco de gelo a 0 °C sob pressão atmosférica, enquanto houver gelo e água juntos:Na mudança de estado de uma substância pura sob pressão constante, todo o calor recebido vai para romper as ligações entre as moléculas, e não para aumentar a energia cinética média — por isso a temperatura fica travada. Só depois que todo o gelo virou água a temperatura volta a subir.
- 3Para elevar 2 kg de água de 20 °C para 70 °C, com calor específico de 1 cal/g·°C, é necessário:Q = m · c · ΔT. Convertendo a massa para grama: 2.000 g × 1 cal/g·°C × 50 °C = 100.000 cal, ou 100 kcal. O erro típico é esquecer a conversão de quilograma para grama e chegar a 100 cal.
- 4A transferência de calor por CONVECÇÃO caracteriza-se por:Na convecção, porções de fluido aquecidas se deslocam e carregam energia consigo — na natural, pela diferença de densidade; na forçada, por bomba ou ventilador. Transmissão partícula a partícula sem deslocamento de matéria é condução; propagação por ondas eletromagnéticas é radiação.
- 5Em um trocador de calor, o coeficiente global de troca térmica cai ao longo do tempo principalmente por causa de:A incrustação acrescenta uma resistência térmica em série com a parede: mesmo com as mesmas temperaturas e vazões, passa menos calor. O projeto já prevê um fator de incrustação, e a queda de desempenho ao longo da campanha é justamente o critério para programar a limpeza.
- 6O ensaio por ULTRASSOM utiliza, para detectar descontinuidades, o princípio de:O ultrassom emite ondas mecânicas que se propagam no material e refletem em qualquer interface — fundo da peça, trinca, inclusão, perda de espessura. O tempo de trânsito do eco informa a profundidade. Radiação ionizante é a radiografia; campo magnético é partículas magnéticas; capilaridade é líquido penetrante.
- 7As ondas ELETROMAGNÉTICAS distinguem-se das ondas mecânicas porque:A onda mecânica precisa de meio para se propagar — som no ar, ultrassom no aço. A eletromagnética dispensa meio, o que é a razão de a luz do Sol chegar até nós pelo vácuo. Ambas transportam energia, e a eletromagnética é transversal, não longitudinal.
- 8No ensaio radiográfico de uma junta soldada, uma descontinuidade interna aparece no filme como região:Onde há falta de material — poro, falta de fusão, inclusão de escória menos densa — a radiação encontra menos obstáculo, sensibiliza mais o filme e o resultado é uma região mais escura. Já uma inclusão mais densa que o metal, como tungstênio, aparece mais clara. A radiografia enxerga o volume, não apenas a superfície.
- 9A frequência de uma onda relaciona-se com seu comprimento de onda e sua velocidade de propagação por:A relação fundamental é v = λ · f. Num mesmo meio, em que a velocidade é fixa, aumentar a frequência reduz o comprimento de onda. Em ultrassom, isso tem consequência prática direta: frequência mais alta melhora a resolução de defeitos pequenos, mas reduz a penetração no material.
- 10A SUBLIMAÇÃO é a mudança de estado que ocorre:Sublimação é a passagem direta de sólido a gás, sem estado líquido intermediário — o gelo-seco é o exemplo clássico. Líquido para gás é vaporização; gás para líquido é condensação; líquido para sólido é solidificação; sólido para líquido é fusão.
Bloco 4 — Soldagem, fabricação e ensaios
Conforme os itens 12, 14, 23, 24 e 25 do Anexo IV, o programa cobre soldagem com eletrodo revestido e TIG, usinagem, ensaios mecânicos destrutivos e não destrutivos, alto-forno, aciaria e convertedores, e fundição e conformação.
Fixe qual ensaio enxerga o quê: líquido penetrante e partículas magnéticas veem a superfície, ultrassom e radiografia veem o volume, e estanqueidade vê apenas o vazamento passante. Escolher o ensaio errado não gera resultado errado — gera resultado inútil.
Bloco 4 — Soldagem, fabricação e ensaios
- 1No processo de soldagem por ELETRODO REVESTIDO (SMAW), a função do revestimento é:O revestimento se decompõe no calor do arco e produz atmosfera protetora e escória que cobre o cordão, isolando a poça do oxigênio e do nitrogênio do ar. Ele ainda estabiliza o arco e pode acrescentar elementos de liga. Justamente por isso a escória é formada de propósito — e precisa ser removida entre passes.
- 2A POROSIDADE em um cordão de solda costuma ser causada por:Poro é gás que não conseguiu escapar antes de a poça solidificar. As causas usuais são eletrodo úmido, superfície com óleo, tinta ou ferrugem, vazão de gás inadequada e corrente de ar soprando a proteção. Daí a exigência de estufa para eletrodo revestido e de limpeza da junta antes de soldar.
- 3O processo TIG é preferido ao eletrodo revestido quando se busca:O TIG entrega cordão limpo, sem escória, com controle fino do aporte térmico — o que o torna a escolha para passe de raiz, chapa fina, inox e ligas especiais. O preço é a produtividade baixa e a sensibilidade ao vento, que dispersa a proteção gasosa. Chapa grossa em campo é território do eletrodo revestido ou do arame tubular.
- 4Na usinagem, a VELOCIDADE DE CORTE é definida como:Velocidade de corte é grandeza linear, em m/min, e relaciona-se com a rotação pela expressão vc = π · D · n ÷ 1000. Ela depende do diâmetro: a mesma rotação em peça maior dá velocidade de corte maior. Confundir vc com rotação é o erro que queima ferramenta.
- 5O ALTO-FORNO, na siderurgia, tem como produto principal:O alto-forno reduz o minério de ferro com coque e produz ferro-gusa líquido, com teor de carbono em torno de 4%, além de escória. Transformar esse gusa em aço exige a etapa seguinte, a aciaria, em que o carbono é reduzido por sopro de oxigênio no convertedor.
- 6No convertedor a oxigênio (LD) da aciaria, o objetivo principal do sopro de oxigênio é:O sopro de oxigênio queima o carbono em excesso e oxida silício, manganês e fósforo, que passam para a escória. A reação é exotérmica, o que aliás dispensa combustível externo e permite adicionar sucata como refrigerante. Elementos de liga entram depois, no refino secundário.
- 7Na FUNDIÇÃO, o RECHUPE (vazio de contração) forma-se porque:Quase todos os metais contraem ao passar de líquido a sólido. Se a região que solidifica por último não receber metal líquido do massalote, forma-se um vazio interno. Projetar massalote e resfriamento direcional é justamente o que evita o rechupe — e explica por que a peça bruta é maior que a acabada.
- 8A LAMINAÇÃO A FRIO, comparada à laminação a quente, resulta em:A frio, o material deforma abaixo da temperatura de recristalização: ganha acabamento e tolerância apertada, e endurece por encruamento. Isso limita a redução por passe e frequentemente exige recozimento intermediário. A quente, o metal é mais dócil e aceita grandes reduções, ao custo de superfície com carepa e menor precisão.
- 9O ensaio de TRAÇÃO fornece diretamente qual das propriedades abaixo?O ensaio de tração desenha o diagrama tensão-deformação e dele saem o limite de escoamento, o limite de resistência, o alongamento e a estricção — além do módulo de elasticidade, pela inclinação do trecho elástico. Dureza vem de ensaio próprio, e tenacidade ao impacto, do ensaio Charpy.
- 10O ensaio de ESTANQUEIDADE por bolha, aplicado a vasos e tubulações, verifica:Pressuriza-se o equipamento e aplica-se solução formadora de bolhas sobre juntas e soldas: onde houver passagem, forma-se bolha. É ensaio simples, barato e sensível a vazamento passante, mas não diz nada sobre espessura, dureza ou descontinuidade que não atravesse a parede.
Bloco 5 — Materiais, tratamentos térmicos e química
De acordo com os itens 15 e 17 a 30 do Anexo IV, fecham o programa seleção de materiais de construção mecânica, aços e ferros fundidos, diagrama ferro-carbono, materiais não ferrosos, tratamentos térmicos, conceitos básicos de eletricidade, eletroquímica, funções químicas, oxirredução, estequiometria, hidrocarbonetos e polímeros.
O diagrama ferro-carbono é o mapa que organiza tudo isso. Quem separa com clareza ferrita, austenita, cementita, perlita e martensita responde por dedução as questões de tratamento térmico, em vez de tentar decorar cada processo isoladamente.
Bloco 5 — Materiais, tratamentos térmicos e química
- 1No diagrama de equilíbrio ferro-carbono, a AUSTENITA é:Austenita é ferro gama, com estrutura CFC, e dissolve muito mais carbono que a ferrita — por isso a austenitização é o passo obrigatório antes da têmpera. Ferrita é ferro alfa, CCC, com solubilidade baixíssima de carbono. Cementita é o carboneto Fe₃C com cerca de 6,7% de carbono, e perlita é a mistura eutetoide de ferrita e cementita.
- 2A PERLITA, no sistema ferro-carbono, é:A perlita é constituinte, não fase: resulta da decomposição eutetoide da austenita em ferrita mais cementita, formando lamelas alternadas com cerca de 0,77% de carbono no conjunto. A fase mais dura obtida por têmpera é a martensita, que se forma justamente quando o resfriamento é rápido demais para permitir a formação de perlita.
- 3Os ferros fundidos distinguem-se dos aços por terem teor de carbono:A fronteira prática entre aço e ferro fundido fica em torno de 2% de carbono. Acima disso, o excesso de carbono aparece como grafita ou cementita livre, o que explica a fragilidade e, ao mesmo tempo, a boa usinabilidade e o excelente amortecimento de vibração dos ferros fundidos.
- 4O ferro fundido NODULAR (dúctil) diferencia-se do cinzento porque:A forma da grafita mudou tudo: lamelas funcionam como entalhes internos e fragilizam o cinzento, enquanto nódulos esferoidais concentram muito menos tensão. O resultado é um ferro fundido com alongamento e tenacidade próximos aos de aços — obtido pelo tratamento do banho com magnésio antes do vazamento.
- 5A NORMALIZAÇÃO, como tratamento térmico, difere do recozimento pleno principalmente por:Nos dois casos a peça é austenitizada; a diferença está na velocidade de resfriamento. O recozimento resfria devagar no forno e produz estrutura mais macia; a normalização resfria ao ar, o que refina o grão e entrega dureza e resistência ligeiramente maiores, com boa homogeneidade. Resfriar em água é têmpera.
- 6Entre os materiais não ferrosos, o ALUMÍNIO destaca-se em aplicações industriais por:O alumínio pesa cerca de um terço do aço, conduz bem calor e eletricidade e forma espontaneamente uma película de óxido aderente que o protege da corrosão atmosférica. É não magnético, funde em torno de 660 °C — bem abaixo do aço — e é soldável, com processos e cuidados específicos por causa justamente dessa camada de óxido.
- 7Em uma pilha eletroquímica, ocorre no ÂNODO:Ânodo é onde ocorre oxidação e, portanto, perda de elétrons — e é por isso que o anodo de sacrifício se corrói para proteger o duto. No cátodo ocorre a redução. A regra mnemônica é direta: no ânodo, oxidação; no cátodo, redução, tanto na pilha quanto na eletrólise.
- 8Na reação Zn + CuSO₄ → ZnSO₄ + Cu, o zinco atua como:O zinco passa de número de oxidação zero a mais dois: perde elétrons, oxida-se e, ao fazê-lo, provoca a redução do cobre, que passa de mais dois a zero. Quem perde elétrons é o agente redutor. Essa é exatamente a reação que sustenta a proteção catódica por anodo de zinco.
- 9Na combustão completa do etano (2 C₂H₆ + 7 O₂ → 4 CO₂ + 6 H₂O), a queima de 2 mols de etano consome:A equação já está balanceada e mostra a proporção direta: 2 mols de etano para 7 mols de oxigênio. Basta ler os coeficientes estequiométricos — a armadilha é tentar recalcular a proporção quando ela já está dada no enunciado.
- 10Os POLÍMEROS TERMOPLÁSTICOS caracterizam-se por:Termoplásticos têm cadeias lineares ou ramificadas ligadas entre si por forças fracas: aquecer afrouxa essas forças e o material amolece, e o ciclo pode se repetir — daí a reciclabilidade do polietileno, do polipropileno e do PVC. Termofixos têm ligações cruzadas covalentes e, uma vez curados, degradam antes de amolecer.
As conversões e definições que a prova cobra, num lugar só
Segundo o Anexo IV do edital, são 30 itens de conteúdo programático. Montamos a tabela a partir deles, reunindo o que mais se repete em prova de inspeção e o que mais causa erro por descuido.
| Conceito | Relação de referência | Onde costuma cair |
|---|---|---|
| Celsius para Kelvin | K = °C + 273,15 | Escalas de temperatura |
| Fahrenheit para Celsius | °C = (°F − 32) ÷ 1,8 | Escalas de temperatura |
| Pressão | 1 bar = 100.000 Pa = 0,1 MPa | Conversão de unidades |
| Tensão | σ = F / A; 1 N/mm² = 1 MPa | Resistência dos materiais |
| Deformação específica | ε = ΔL / L₀ (adimensional) | Resistência dos materiais |
| Lei de Hooke | σ = E · ε, no regime elástico | Resistência dos materiais |
| Dilatação linear | ΔL = L₀ · α · ΔT | Dilatação térmica |
| Calor sensível | Q = m · c · ΔT | Calorimetria |
| Calor latente | Q = m · L, com temperatura constante | Mudanças de estado |
| Empuxo | E = ρfluido · g · Vsubmerso | Hidrostática |
| Velocidade de onda | v = λ · f | Ondas e ultrassom |
| Velocidade de corte | vc = π · D · n ÷ 1000 (m/min) | Usinagem |
| Fronteira aço / ferro fundido | cerca de 2% de carbono | Materiais |
| Fases do ferro-carbono | ferrita (α, CCC), austenita (γ, CFC), cementita (Fe₃C), perlita (eutetoide) | Diagrama ferro-carbono |
| Eletroquímica | ânodo oxida e perde elétrons; cátodo reduz e ganha elétrons | Corrosão e proteção catódica |
O que fazer depois de responder tudo
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, quem acerta menos de 20 das 40 questões de Conhecimentos Específicos está eliminado. Marque os blocos em que você ficou abaixo de sete acertos e volte a eles antes de avançar.
Depois, feche o ciclo com as duas matérias de Conhecimentos Gerais e com o simulado cronometrado:
- Língua Portuguesa: 50 questões comentadas — segundo o edital, são 10 questões na prova, e zerar essa matéria elimina.
- Matemática: 50 questões resolvidas passo a passo — conforme o mesmo item, também 10 questões, com a mesma regra.
- Preparatório completo da ênfase Inspeção de Equipamentos e Instalações — plano de estudo, vagas por polo e ordem recomendada.
- Edital Transpetro 2026: vagas, requisitos e prazos — a leitura do edital, ênfase por ênfase.
Como apuramos
As 50 questões desta aula são autorais e foram escritas item a item de acordo com o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, que lista 30 tópicos para esta ênfase. O formato segue o subitem 7.1.1: cinco alternativas e uma única resposta correta. As unidades e conversões foram conferidas na 9ª edição do SI Brochure do Bureau International des Poids et Mesures. Nenhuma questão foi escrita a partir de resumo de terceiro.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: a divisão dos 30 itens em cinco blocos é nossa e serve para organizar o estudo, não corresponde a proporção declarada pela banca; classificações de faixa, como a fronteira entre aço e ferro fundido, variam ligeiramente entre autores e normas, e usamos a divisão mais difundida na literatura técnica; e não temos acesso ao conteúdo da prova. Este material ensina a matéria exigida — não prevê a questão que vai cair.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- SI Brochure, 9ª edição — Bureau International des Poids et Mesures — definição oficial das unidades do Sistema Internacional.
- Normas Regulamentadoras vigentes — Ministério do Trabalho e Emprego.
- Catálogo Nacional de Cursos Técnicos — Ministério da Educação, referência da Tabela de Convergência citada no edital.

