Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Manutenção — Mecânica cobra 23 itens em 40 questões de Conhecimentos Específicos, e é essa prova que define o ranqueamento. Esta aula percorre os 23 itens em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas e a conta ou o conceito que sustenta cada resposta.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Elas não copiam prova anterior nem tentam adivinhar o que a banca vai pedir. São exercício para aprender a matéria. O material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Metrologia, instrumentos e tolerâncias
Medição abre o programa e é onde mais se perde ponto por descuido. Os cinco primeiros itens do Anexo IV tratam de noções de metrologia, instrumentos de medição, medidas de pressão, nível, temperatura e vazão, Sistema Internacional de Unidades e sistema de ajuste e tolerância.
Segundo o Sistema Internacional de Unidades, duas contas resolvem boa parte das questões desse bloco. A resolução do paquímetro é a divisão da escala principal dividida pelo número de traços do nônio; a do micrômetro é o passo do fuso dividido pelo número de divisões do tambor. Quem guarda essas duas relações não precisa decorar tabela de instrumento.
Bloco 1 — Metrologia, instrumentos e tolerâncias
- 1O paquímetro universal com nônio de 20 divisões, usado sobre uma escala principal graduada em milímetros, tem qual resolução?A resolução do nônio é a divisão da escala principal dividida pelo número de divisões do nônio: 1 mm ÷ 20 = 0,05 mm. Com nônio de 50 divisões a resolução seria 0,02 mm, e com 10 divisões, 0,1 mm. O micrômetro é que costuma entregar 0,01 mm.
- 2Um micrômetro externo com passo de fuso de 0,5 mm e tambor dividido em 50 partes iguais tem resolução de:Cada volta completa do tambor avança o fuso em um passo, 0,5 mm. Dividindo esse avanço pelas 50 divisões do tambor: 0,5 ÷ 50 = 0,01 mm. É por isso que o micrômetro comum lê centésimo de milímetro, enquanto o paquímetro comum fica no cinco centésimos.
- 3Em um sistema de ajustes, quando o diâmetro efetivo do eixo é sempre menor que o diâmetro do furo, tem-se:Folga é a condição em que o eixo entra livre no furo, e existe sempre que o eixo é menor que o furo em toda a faixa de tolerância. Na interferência, o eixo é sempre maior e a montagem exige prensa ou dilatação térmica. No ajuste incerto, as faixas de tolerância se sobrepõem e a peça montada pode sair com folga ou com interferência, conforme a peça sorteada.
- 4Na designação de tolerância ISO 40 H7/g6, o que a letra maiúscula H indica?Letras maiúsculas designam furos e minúsculas, eixos. O H é o campo de tolerância cujo afastamento inferior é zero, o que caracteriza o sistema furo-base: o furo é fabricado sempre igual e a variação do ajuste vem do eixo. Os números 7 e 6 são as qualidades de trabalho, e quanto menor o número, mais apertada a tolerância.
- 5No Sistema Internacional de Unidades, qual é a unidade base de massa?A unidade base de massa no SI é o quilograma — é a única unidade base cujo nome carrega um prefixo. Newton é unidade de força, derivada; grama e tonelada são múltiplos ou submúltiplos; quilograma-força pertence a um sistema técnico antigo e não faz parte do SI.
Fonte: SI Brochure, 9ª edição — Bureau International des Poids et Mesures
- 6Um relógio comparador é o instrumento indicado para:O relógio comparador não mede valor absoluto: ele indica a diferença em relação a uma referência, e por isso é a ferramenta certa para alinhamento de máquinas, batimento radial e axial, planeza e paralelismo. Diâmetro absoluto é paquímetro ou micrômetro; rugosidade é rugosímetro; dureza é durômetro.
- 7Sobre pressão manométrica e pressão absoluta, é correto afirmar que:O manômetro comum indica zero quando aberto para a atmosfera, ou seja, ele já toma a atmosfera como referência. Para obter a pressão absoluta soma-se a atmosférica local. A pressão absoluta nunca é negativa, porque o zero absoluto é o vácuo perfeito; a manométrica, sim, pode ser negativa quando há vácuo parcial.
- 8Para medir temperatura de um mancal em operação, sem contato físico com a superfície, o instrumento indicado é:O pirômetro infravermelho capta a radiação térmica emitida pela superfície e converte em temperatura, sem tocar na peça — o que permite medir com o equipamento girando. Termômetro de bulbo, termopar e Pt-100 são todos de contato. O manômetro de Bourdon mede pressão, não temperatura.
- 9Um bloco-padrão (bloco Johansson) tem por finalidade principal:O bloco-padrão é padrão de comprimento com exatidão elevada, e é ele que dá rastreabilidade metrológica à oficina: o instrumento é conferido contra o bloco, o bloco contra um padrão superior, e assim por diante até o padrão nacional. Sem essa cadeia, uma medição é apenas um número.
- 10Uma peça tem cota especificada como 50 ±0,02 mm. Qual das medidas abaixo está FORA da tolerância?A tolerância admite qualquer valor entre 49,98 mm e 50,02 mm, ambos incluídos, o que dá campo total de 0,04 mm. A medida 50,03 mm ultrapassa o limite superior e reprova a peça. Repare que 49,98 e 50,02 são os extremos e continuam aprovados.
Bloco 2 — Mecânica geral, resistência dos materiais e elementos de máquinas
Conforme os itens 6 a 8 do Anexo IV, este bloco reúne estática, cinemática e dinâmica, tensões normais e cisalhantes, solicitações axiais, flexão e torção, além de eixos, mancais, polias, engrenagens, correias e correntes.
Conforme os itens 6 a 8 do Anexo IV, vale fixar três relações que aparecem sempre: em transmissão por polias ou engrenagens, rotação e diâmetro são inversamente proporcionais; na torção de eixo circular, a tensão é nula no centro e máxima na superfície; e a falha por fadiga acontece abaixo do limite de resistência, depois de muitos ciclos — não é resistência insuficiente, é acúmulo de dano.
Bloco 2 — Mecânica geral, resistência dos materiais e elementos de máquinas
- 1Um corpo em movimento retilíneo uniformemente variado parte do repouso com aceleração constante de 2 m/s². Que distância percorre em 5 s?Com velocidade inicial nula, d = a·t²/2 = 2 × 25 / 2 = 25 m. O erro comum é usar d = v·t com a velocidade final (10 m/s), o que daria 50 m — valor que corresponde ao caso de velocidade constante, não ao movimento acelerado.
- 2Uma viga apoiada nas duas extremidades recebe carga concentrada no meio do vão. A seção mais solicitada à FLEXÃO é:Numa viga biapoiada com carga concentrada central, o momento fletor é nulo nos apoios e máximo exatamente sob a carga, valendo P·L/4. O esforço cortante, por outro lado, é máximo junto aos apoios — os dois diagramas têm máximos em posições diferentes, e trocar um pelo outro é erro clássico.
- 3O módulo de elasticidade (módulo de Young) de um material representa:O módulo de elasticidade é a inclinação do trecho reto do diagrama tensão-deformação, ou seja, a rigidez do material: quanto maior, menos ele deforma para a mesma tensão. Carga máxima antes da ruptura é o limite de resistência; energia até a fratura é tenacidade; alongamento percentual é medida de ductilidade.
- 4Em uma transmissão por polias e correia, a polia motora tem 100 mm de diâmetro e gira a 1.800 rpm. A polia movida tem 300 mm. Desprezando escorregamento, qual a rotação da movida?A relação é inversa aos diâmetros: n₁·D₁ = n₂·D₂, logo n₂ = (1.800 × 100)/300 = 600 rpm. Polia maior gira mais devagar e entrega mais torque — é o mesmo princípio da redução por engrenagens. O valor 5.400 rpm sairia de inverter a conta, e é a pegadinha da questão.
- 5Um mancal de rolamento difere de um mancal de deslizamento (bucha) porque:O rolamento interpõe esferas ou rolos entre as pistas, trocando escorregamento por rolamento: o atrito cai, e o torque de partida cai junto. Ele ainda precisa de lubrificação, tem vida útil finita calculada por carga e rotação, e existem tipos autocompensadores que aceitam desalinhamento — o rolamento autocompensador de rolos, por exemplo.
- 6Em um par de engrenagens cilíndricas de dentes retos que engrenam entre si, obrigatoriamente:Módulo é a razão entre o diâmetro primitivo e o número de dentes, e define o tamanho do dente. Duas engrenagens só engrenam se tiverem o mesmo módulo — é a condição geométrica básica. Número de dentes e diâmetro podem ser diferentes (é justamente daí que vem a redução), e em engrenamento externo elas giram em sentidos opostos.
- 7A tensão de cisalhamento em um eixo submetido a TORÇÃO pura é:Na torção de seção circular, a tensão cresce linearmente do centro para a periferia: é zero no eixo neutro e máxima na superfície. Essa distribuição explica por que o eixo vazado é tão eficiente — retira-se material justamente da região que quase não trabalha, cortando peso sem perder quase nada de resistência.
- 8Uma correia em V transmite movimento principalmente por:O perfil em V faz a correia se encunhar no canal, multiplicando a força normal e, com ela, o atrito disponível — é por isso que a correia em V transmite muito mais potência que uma correia plana de mesma largura. Transmissão por dentes é a correia sincronizadora; a correia em V trabalha com escorregamento pequeno mas existente.
- 9Duas forças de 30 N e 40 N atuam sobre o mesmo ponto, perpendicularmente entre si. A resultante vale:Com forças perpendiculares, a resultante é a hipotenusa do triângulo: raiz de (30² + 40²) = raiz de 2.500 = 50 N. Somar diretamente (70 N) só valeria se as forças tivessem a mesma direção e sentido; subtrair (10 N), se tivessem sentidos opostos.
- 10O fenômeno de FADIGA em um componente mecânico caracteriza-se por:A fadiga é a falha progressiva sob carregamento cíclico: a trinca nucleia num concentrador de tensão, cresce a cada ciclo e a peça rompe de repente, com tensão bem abaixo da que resistiria em carga estática. Deformação lenta sob carga constante em temperatura elevada é fluência; perda de massa por reação com o meio é corrosão; endurecimento por trabalho a frio é encruamento.
Bloco 3 — Fluidos, lubrificação, desenho técnico e gestão da manutenção
De acordo com os itens 9 a 12 do Anexo IV, entram aqui propriedades dos fluidos, hidrostática, escoamento em regime permanente, perda de carga, lubrificação, desenho técnico mecânico e gestão da manutenção, incluindo o comissionamento.
De acordo com o item 12 do Anexo IV, a parte de gestão costuma render questão fácil para quem separa bem os três regimes: corretiva age depois da falha, preventiva age por calendário ou horímetro, e preditiva age quando a medição de condição indica degradação. Some a isso o par MTBF e MTTR — o primeiro mede confiabilidade, o segundo, mantenabilidade.
Bloco 3 — Fluidos, lubrificação, desenho técnico e gestão da manutenção
- 1A equação da continuidade aplicada a um escoamento incompressível em regime permanente estabelece que:Para fluido incompressível, o que entra tem de sair: A₁·v₁ = A₂·v₂. Reduzir a seção pela metade dobra a velocidade. É esse princípio que explica o bico da mangueira e também a queda de pressão em uma restrição, quando combinado com Bernoulli.
- 2A perda de carga em uma tubulação depende do quadrado da velocidade. Se a vazão dobrar, mantidos diâmetro e fluido, a perda de carga distribuída tende a:Dobrar a vazão em um diâmetro fixo dobra a velocidade, e como a perda depende do quadrado da velocidade, ela fica aproximadamente quatro vezes maior. É o motivo pelo qual aumentar vazão numa linha subdimensionada custa muito mais potência de bomba do que a intuição sugere.
- 3A principal função do lubrificante em um mancal é:O lubrificante forma um filme que separa as superfícies em movimento relativo, o que reduz atrito e desgaste. Ele ainda dissipa calor, protege contra corrosão e carrega partículas para o filtro. O que ele não faz é compensar erro de alinhamento ou folga fora de especificação — nesses casos, ele apenas adia a falha.
- 4A viscosidade de um óleo lubrificante, com o aumento da temperatura, tende a:Óleo quente escoa mais fácil: a viscosidade cai com o aumento da temperatura. Daí a importância do índice de viscosidade, que mede justamente o quanto o óleo resiste a essa variação — quanto maior o índice, mais estável o filme lubrificante ao longo da faixa de trabalho.
- 5Em desenho técnico mecânico, a linha traço-ponto fina é usada para representar:A linha traço-ponto fina marca centros e eixos de simetria, referência para cotas de furos e superfícies de revolução. Aresta visível é linha contínua larga; aresta invisível é tracejada; linha de cota é contínua estreita com setas; hachura indica material seccionado.
- 6Na projeção ortográfica em PRIMEIRO DIEDRO, adotada na maioria das normas brasileiras e europeias, a vista lateral esquerda é desenhada:No primeiro diedro o objeto fica entre o observador e o plano de projeção, então a imagem é lançada para o lado oposto ao da observação: quem olha pela esquerda projeta a vista à direita da frontal, e a vista superior aparece abaixo. No terceiro diedro, usado nos Estados Unidos, ocorre o inverso.
- 7A manutenção PREDITIVA distingue-se da preventiva porque:A preditiva monitora a condição — vibração, temperatura, análise de óleo, termografia, ultrassom — e dispara a intervenção quando a tendência mostra degradação. A preventiva age por calendário ou horímetro, independentemente do estado real, e por isso troca peça boa com frequência. Agir depois da quebra é corretiva.
- 8O indicador MTBF, muito usado em gestão da manutenção, significa:MTBF é o tempo médio entre falhas e mede confiabilidade: quanto maior, mais tempo o equipamento opera sem falhar. O tempo médio de reparo é o MTTR, que mede mantenabilidade. Disponibilidade sai da combinação dos dois — melhorar só o MTTR sem atacar as causas mantém o equipamento quebrando, só que mais rápido de consertar.
- 9O COMISSIONAMENTO de um equipamento novo consiste em:Comissionamento é a etapa documentada de verificação e testes que atesta que a instalação corresponde ao projeto e opera com segurança: conferência de montagem, testes a frio, testes a quente, ajuste de proteções e entrega formal para a operação. É a ponte entre a obra e a rotina — e o que sai malfeito nele vira problema crônico de manutenção.
- 10Em uma bomba centrífuga, o NPSH DISPONÍVEL menor que o NPSH REQUERIDO resulta em:O NPSH requerido é a carga líquida positiva de sucção que a bomba precisa para que o líquido não vaporize dentro dela. Se o disponível na instalação for menor, formam-se bolhas de vapor que colapsam no interior da bomba: é cavitação, com ruído de pedras, vibração, queda de desempenho e erosão do rotor. Corrige-se elevando o nível da sucção, reduzindo perda de carga na sucção ou baixando a temperatura do líquido.
Bloco 4 — Fabricação, hidráulica, pneumática e equipamentos
Conforme o Anexo IV, os itens 13 a 15 cobrem conformação mecânica, torneamento, fresamento, furação e retífica, sistemas hidráulicos e pneumáticos, e noções sobre bombas, compressores, motores de combustão interna, trocadores de calor e turbinas.
Conforme o item 14 do Anexo IV, um conceito que a prova gosta de cobrar de forma indireta: em sistema hidráulico, a bomba gera vazão, não pressão. A pressão aparece como resposta à resistência que a carga oferece. Entender isso explica por que a válvula limitadora de pressão é item de segurança, e não um acessório de ajuste fino.
Bloco 4 — Fabricação, hidráulica, pneumática e equipamentos
- 1No torneamento, o movimento de corte é dado por:No torno, quem gira é a peça; a ferramenta é monocortante e executa o avanço e a penetração. No fresamento a lógica se inverte: a ferramenta multicortante gira e a peça avança presa à mesa. Trocar os dois papéis é o erro mais comum em questões de processos de fabricação.
- 2A retificação é usada, tipicamente, para:A retificação usa rebolo abrasivo, remove pouco material por passe e entrega rugosidade baixa com tolerância estreita — é a operação de acabamento por excelência, e por isso costuma vir depois da têmpera, quando a peça já está dura demais para as ferramentas de corte convencionais. Desbaste pesado é serviço de torno, fresa ou plaina.
- 3Nos processos de CONFORMAÇÃO MECÂNICA, a peça adquire a forma desejada:Conformação — laminação, forjamento, estampagem, trefilação, extrusão — deforma plasticamente o material sem tirar cavaco, o que preserva o volume e ainda orienta as fibras, favorecendo a resistência mecânica. Remoção de cavaco é usinagem; fusão em molde é fundição.
- 4Em um sistema hidráulico, a pressão é gerada:A bomba hidráulica gera vazão; a pressão só aparece quando há resistência ao escoamento. Uma bomba descarregando livremente no tanque entrega vazão com pressão praticamente nula. Por isso a válvula limitadora de pressão é item de segurança obrigatório: sem ela, uma resistência excessiva faria a pressão subir até romper algo.
- 5A principal vantagem de um sistema PNEUMÁTICO sobre um sistema HIDRÁULICO é:O ar é abundante, não contamina o produto se vazar e permite atuação rápida — vantagens reais em terminais e áreas de processo. Em contrapartida, é compressível, o que torna o posicionamento intermediário impreciso e a rigidez baixa. Força elevada e posicionamento preciso são território da hidráulica.
- 6Um cilindro hidráulico de dupla ação caracteriza-se por:No cilindro de dupla ação há entrada de fluido dos dois lados do êmbolo, então tanto o avanço quanto o retorno são hidráulicos e controláveis. O de simples ação recebe pressão em um lado só e volta por mola ou pelo peso da carga. Note que a força de retorno é menor, porque a haste ocupa parte da área do êmbolo.
- 7Em um motor de combustão interna de quatro tempos, a ordem correta dos tempos é:O ciclo é admissão, compressão, expansão (também chamada de tempo motor, porque é a única que produz trabalho) e escape. Cada tempo corresponde a meia volta da árvore de manivelas, de modo que o ciclo completo consome duas voltas do virabrequim e apenas uma da árvore de comando.
- 8Em uma turbina a vapor de condensação, a função do condensador é:Ao condensar o vapor de exaustão, o condensador reduz drasticamente a pressão na saída da turbina — muitas vezes abaixo da atmosférica. Isso amplia a diferença de entalpia aproveitada pela máquina e, com ela, o rendimento. Além disso recupera a água tratada para o ciclo, o que economiza tratamento de água de alimentação.
- 9O aumento da pressão de descarga de uma bomba centrífuga de rotação constante, ao se fechar parcialmente a válvula de recalque, ocorre porque:A bomba opera onde sua curva característica cruza a curva do sistema. Fechar a válvula aumenta a resistência, e o novo cruzamento acontece com menos vazão e mais altura manométrica. Isso não é ganho: o rendimento cai fora do ponto ótimo e, em bomba centrífuga, a potência absorvida em geral diminui — a estrangulação desperdiça energia na própria válvula.
- 10O trocador de calor do tipo PLACAS, comparado ao casco-e-tubos, apresenta como vantagem principal:O trocador de placas empacota muita área de troca num volume pequeno, e o conjunto pode ser ampliado acrescentando placas ou aberto para limpeza mecânica — vantagem grande em fluido incrustante. O limite está exatamente nas juntas elastoméricas, que restringem pressão e temperatura de trabalho; para condições severas, o casco-e-tubos continua sendo a escolha.
Bloco 5 — Materiais, tratamentos térmicos, soldagem, ensaios e eletrotécnica
Conforme o Anexo IV, do item 16 ao 23 o programa fecha com metalografia e tratamentos térmicos, materiais metálicos e não metálicos, interpretação de normas técnicas, segurança do trabalho, noções de soldagem, ensaios destrutivos e não destrutivos, ensaios metalúrgicos e noções de eletrotécnica.
Segundo o item 16 do Anexo IV, a sequência têmpera e revenimento merece atenção especial porque é contraintuitiva: a têmpera entrega dureza máxima e fragilidade máxima ao mesmo tempo, e o revenimento troca um pouco da dureza por tenacidade. Peça temperada e não revenida trinca — esse é o raciocínio que a questão testa.
Bloco 5 — Materiais, tratamentos térmicos, soldagem, ensaios e eletrotécnica
- 1O tratamento térmico de TÊMPERA em aço-carbono consiste em:A têmpera austenitiza o aço e o resfria rápido o bastante para impedir a difusão do carbono, formando martensita — estrutura muito dura, frágil e cheia de tensão interna. Por isso quase sempre se aplica revenimento em seguida. Resfriar lentamente ao forno é recozimento; adicionar carbono à superfície é cementação.
- 2O REVENIMENTO é realizado após a têmpera com a finalidade de:Martensita recém-formada é dura mas frágil: peça temperada e não revenida trinca com facilidade. O revenimento aquece abaixo da zona crítica, alivia tensões e precipita carbonetos de forma controlada. Perde-se um pouco de dureza e ganha-se tenacidade, que é justamente o que evita a fratura em serviço.
- 3A CEMENTAÇÃO é indicada quando se deseja:A cementação enriquece de carbono apenas a camada superficial de um aço de baixo carbono; com a têmpera seguinte, essa camada endurece e o núcleo, pobre em carbono, permanece tenaz. É exatamente o que se quer em engrenagem e pino: superfície que resiste ao desgaste sobre um miolo que absorve choque sem quebrar.
- 4O ensaio de dureza ROCKWELL mede:O Rockwell lê diretamente a profundidade residual da penetração sob carga padronizada, o que o torna rápido e dispensa medir opticamente a marca — vantagem sobre Brinell e Vickers. Energia absorvida no impacto é o ensaio Charpy; alongamento e resistência à tração vêm do ensaio de tração; ciclos até a falha, do ensaio de fadiga.
- 5O ensaio por líquido penetrante NÃO serve para:O penetrante só encontra o que está aberto à superfície, porque depende da capilaridade para entrar e do revelador para trazer o líquido de volta. Descontinuidade interna exige ultrassom ou radiografia. Como não depende de magnetismo, ele funciona em inox austenítico e alumínio, onde partículas magnéticas não se aplicam.
- 6No processo de soldagem TIG (GTAW), o eletrodo é:No TIG o arco é aberto entre um eletrodo de tungstênio não consumível e a peça, sob proteção de gás inerte, e o metal de adição, quando necessário, entra por vareta separada. Eletrodo revestido consumível é o processo SMAW; arame alimentado continuamente é MIG/MAG; fluxo granulado é arco submerso.
- 7A Zona Termicamente Afetada (ZTA) de uma junta soldada é a região que:A ZTA fica ao lado da zona fundida: não chegou a fundir, mas recebeu calor suficiente para mudar de microestrutura — crescimento de grão, têmpera localizada, precipitações. Costuma ser a região mais frágil da junta e o ponto onde as trincas aparecem, o que explica as exigências de preaquecimento e de controle do aporte térmico.
- 8Os aços-carbono são classificados como de ALTO CARBONO quando o teor de carbono está, aproximadamente:A classificação usual separa baixo carbono (até cerca de 0,30%), médio carbono (0,30% a 0,60%) e alto carbono (acima de 0,60%). Mais carbono significa maior dureza e resistência depois da têmpera, e menor soldabilidade e ductilidade. Acima de cerca de 2% de carbono já não se fala em aço, e sim em ferro fundido.
- 9Um motor elétrico trifásico de indução com 4 polos, alimentado em 60 Hz, tem velocidade SÍNCRONA de:A velocidade síncrona é n = 120·f/p = 120 × 60 ÷ 4 = 1.800 rpm. A rotação real do motor de indução fica um pouco abaixo disso por causa do escorregamento, tipicamente em torno de 1.750 rpm em carga nominal. Com 2 polos daria 3.600 rpm; com 6 polos, 1.200 rpm.
- 10A análise de VIBRAÇÃO em manutenção preditiva de máquinas rotativas é especialmente útil para identificar:Cada defeito imprime uma assinatura própria no espectro: desbalanceamento aparece com força na frequência de rotação, desalinhamento tipicamente no dobro dela, e defeito de rolamento em frequências características calculadas a partir da geometria do rolamento. Composição do óleo é análise de lubrificante; espessura de parede é ultrassom.
As relações e conversões que a prova cobra, num lugar só
Segundo o Anexo IV do edital, são 23 itens de conteúdo programático. Montamos a tabela a partir deles, reunindo o que mais se repete em questão de manutenção mecânica e o que mais causa erro por descuido de unidade.
| Conceito | Relação de referência | Onde costuma cair |
|---|---|---|
| Resolução do paquímetro | divisão da escala principal ÷ nº de traços do nônio | Instrumentos de medição |
| Resolução do micrômetro | passo do fuso ÷ nº de divisões do tambor | Instrumentos de medição |
| Tensão normal e cisalhante | σ ou τ = F / A; 1 N/mm² = 1 MPa | Resistência dos materiais |
| Segunda lei de Newton | F = m · a | Mecânica geral |
| MRUV a partir do repouso | d = a · t² / 2 | Cinemática |
| Transmissão por polias | n₁ · D₁ = n₂ · D₂ (relação inversa) | Elementos de máquinas |
| Engrenamento | só engrenam engrenagens de mesmo módulo | Elementos de máquinas |
| Momento fletor máximo | viga biapoiada, carga central: M = P · L / 4 | Resistência dos materiais |
| Continuidade | A₁ · v₁ = A₂ · v₂ (fluido incompressível) | Mecânica dos fluidos |
| Perda de carga | cresce com o quadrado da velocidade | Escoamento em tubulações |
| Cavitação | ocorre quando NPSH disponível < NPSH requerido | Bombas centrífugas |
| Velocidade síncrona | n = 120 · f / nº de polos | Noções de eletrotécnica |
| Classificação do aço-carbono | baixo até ~0,30%; médio 0,30–0,60%; alto acima de 0,60% | Materiais |
| Sistema furo-base | letra maiúscula = furo; H tem afastamento inferior zero | Ajustes e tolerâncias |
O que fazer depois de responder tudo
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, marque os blocos em que você ficou abaixo de sete acertos e volte a eles antes de avançar. Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, quem acerta menos de 20 das 40 questões de Conhecimentos Específicos está eliminado, então um bloco fraco pesa muito mais do que parece.
Depois, feche o ciclo com as duas matérias de Conhecimentos Gerais e com o simulado cronometrado:
- Língua Portuguesa: 50 questões comentadas — segundo o edital, são 10 questões na prova, e zerar essa matéria elimina.
- Matemática: 50 questões resolvidas passo a passo — conforme o mesmo item, também 10 questões, com a mesma regra de eliminação.
- Preparatório completo da ênfase Manutenção — Mecânica — o plano de estudo, as vagas por polo e a ordem recomendada das aulas.
- Edital Transpetro 2026: vagas, requisitos e prazos — a leitura do edital, ênfase por ênfase.
Como apuramos
As 50 questões desta aula são autorais e foram escritas item a item de acordo com o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, que lista 23 tópicos para a ênfase Manutenção — Mecânica. O formato segue o subitem 7.1.1: cinco alternativas e uma única resposta correta. As unidades e grandezas usadas nas resoluções foram conferidas na 9ª edição do SI Brochure do Bureau International des Poids et Mesures. Nenhuma questão foi escrita a partir de resumo de terceiro.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: conforme já observado, a divisão dos 23 itens do Anexo IV em cinco blocos é nossa, feita para organizar o estudo, e não corresponde a nenhuma proporção declarada pela banca; classificações de faixa, como a de teor de carbono dos aços, variam ligeiramente entre autores e normas, e usamos a divisão mais difundida na literatura técnica; e não temos, nem poderíamos ter, acesso ao conteúdo da prova. Este material ensina a matéria exigida — não prevê a questão que vai cair.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável pelo processo seletivo, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- SI Brochure, 9ª edição — Bureau International des Poids et Mesures — definição oficial das unidades do Sistema Internacional.
- Normas Regulamentadoras vigentes — Ministério do Trabalho e Emprego, base do item 19 do programa.
- Catálogo Nacional de Cursos Técnicos — Ministério da Educação, referência da Tabela de Convergência citada no edital.

