Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Naval cobra quatro grandes áreas de conteúdo programático em 40 questões de Conhecimentos Específicos: nomenclatura do navio, arquitetura naval, projeto naval e soldagem. Esta aula percorre as quatro em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Este material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Nomenclatura do navio e estrutura do casco
O item 1 do Anexo IV cobra nomenclatura geral, peças principais das estruturas dos navios de aço, conveses, cobertas e plataformas, subdivisões do casco, aberturas e acessórios na carena, no costado, nas bordas e nos conveses. É o vocabulário sem o qual nada mais no programa faz sentido.
Bloco 1 — Nomenclatura do navio e estrutura do casco
- 1NomenclaturaConhecimentos EspecíficosA extremidade dianteira do navio, que corta a água durante a navegação, é denominada:Proa é a extremidade dianteira e popa é a traseira. Olhando da popa para a proa, bombordo fica à esquerda e boreste, também chamado de estibordo, fica à direita. Través é a direção perpendicular ao plano longitudinal do navio.
- 2NomenclaturaConhecimentos EspecíficosOlhando-se da popa para a proa, o bordo situado à direita do observador é o:Boreste, ou estibordo, é o bordo direito quando se olha da popa para a proa; bombordo é o esquerdo. A convenção internacional associa luz verde a boreste e vermelha a bombordo, o que permite identificar o rumo de outra embarcação à noite.
- 3EstruturaConhecimentos EspecíficosA peça estrutural longitudinal que percorre o fundo do navio, da proa à popa, e serve de espinha dorsal do casco é a:A quilha é a peça longitudinal de fundo que serve de referência construtiva e de espinha dorsal do casco. Cavernas são elementos transversais, anteparas são paredes divisórias estanques e escotilhas são aberturas no convés.
- 4EstruturaConhecimentos EspecíficosAs cavernas de um navio de aço são elementos estruturais dispostos:As cavernas são as costelas do navio: dispostas transversalmente e ligadas à quilha, definem a forma do casco e resistem à pressão externa. Longarinas e escoas são os elementos longitudinais que trabalham com elas na estrutura mista.
- 5EstruturaConhecimentos EspecíficosA antepara estanque tem por função principal:As anteparas estanques subdividem o casco de modo que a inundação de um compartimento não se propague, o que sustenta o conceito de estabilidade em avaria. A antepara de colisão, próxima à proa, é a mais crítica desse conjunto.
- 6CascoConhecimentos EspecíficosA parte do casco que fica permanentemente submersa, abaixo da linha d’água, é denominada:Carena, ou obra viva, é a porção submersa do casco; a obra morta é a parte emersa. Borda livre é a distância vertical entre a linha d’água e o convés principal, e superestrutura é a construção acima do convés.
- 7ConvésConhecimentos EspecíficosEm uma embarcação, os pavimentos internos situados abaixo do convés principal são chamados de:Coberta é o pavimento abaixo do convés principal; plataforma é o pavimento parcial. Passadiço é o local de comando da navegação, tijupá é o teto do passadiço e escotilha é uma abertura, não um pavimento.
- 8AberturasConhecimentos EspecíficosA abertura no convés destinada ao acesso a porões e ao embarque de carga é a:A escotilha é a grande abertura de convés, fechada por tampas, usada para acesso e movimentação de carga. A vigia é a janela circular no costado, o portaló é o acesso lateral de pessoas e o escovém é a abertura por onde passa a amarra da âncora.
- 9AcessóriosConhecimentos EspecíficosO cabeço de amarração instalado no convés serve para:Os cabeços, também chamados de cunhos duplos, recebem as voltas dos cabos de amarração. O guincho traciona, a buzina orienta a saída do cabo pelo costado e o defensa protege o casco no contato com o cais.
- 10NomenclaturaConhecimentos EspecíficosO bulbo de proa, presente em muitos navios modernos, tem por finalidade:O bulbo gera um trem de ondas que interfere destrutivamente com o gerado pela proa, reduzindo a resistência de onda e, com ela, a potência exigida em velocidade de projeto. O ganho depende da faixa de calado e de velocidade para a qual foi desenhado.
Bloco 2 — Arquitetura naval: flutuabilidade e hidrostática
O item 2 abre com definições básicas, flutuabilidade e características hidrostáticas. Aqui entram deslocamento, porte bruto, calado, boca, pontal, coeficiente de bloco, marcas de borda livre e as curvas hidrostáticas que orientam o carregamento.
Bloco 3 — Estabilidade de corpos flutuantes e cálculos
Ainda no item 2, o programa cobra cálculo de áreas e de volumes, cálculos hidrostáticos e estabilidade de corpos flutuantes. Centro de carena, metacentro, altura metacêntrica, superfície livre e estabilidade em avaria são o núcleo deste bloco.
Bloco 4 — Projeto naval e elementos estruturais
O item 3 trata da introdução ao projeto naval, das fases do projeto do casco, da definição e do estudo dos elementos estruturais e do arranjo dos aparelhos de fundeio. É o bloco que conecta a geometria do casco às decisões de engenharia.
Bloco 5 — Soldagem e ensaios em peças soldadas
O item 4 fecha o programa com noções gerais de soldagem, processos aplicados ao aço e ensaios destrutivos e não destrutivos em peças soldadas. Em construção e reparo naval, a solda é onde a qualidade se ganha ou se perde.
O vocabulário que a prova cobra, num lugar só
| Termo | O que é | Não confundir com |
|---|---|---|
| Proa e popa | Extremidades dianteira e traseira | Bombordo e boreste, que são os bordos esquerdo e direito |
| Carena | Parte submersa do casco, a obra viva | Obra morta, a parte emersa |
| Borda livre | Distância da linha d’água ao convés principal | Pontal, medido da quilha ao convés |
| Calado | Profundidade submersa, da linha de base à linha d’água | Boca, que é a largura máxima |
| Deslocamento | Peso do navio, igual ao peso da água deslocada | Porte bruto, que é a capacidade de carga |
| Coeficiente de bloco | Volume deslocado dividido por comprimento, boca e calado | Coeficiente de flutuação, referente ao plano de flutuação |
| Centro de carena | Centroide do volume submerso, onde atua o empuxo | Centro de gravidade, onde atua o peso |
| Altura metacêntrica | Distância entre centro de gravidade e metacentro | Braço de endireitamento, que depende do ângulo |
| Superfície livre | Efeito de líquido solto em tanque, que reduz a estabilidade | Lastro, que pode aumentar ou reduzir a estabilidade |
| Trim | Diferença entre calado de popa e de proa | Banda, que é a inclinação transversal |
| Caverna | Elemento estrutural transversal do casco | Longarina, elemento longitudinal |
| Antepara | Parede divisória, em geral estanque | Convés, que é o pavimento horizontal |
| Escotilha e escovém | Abertura de convés para carga; passagem da amarra | Vigia, a janela circular no costado |
| Hogging e sagging | Alquebramento e contra-alquebramento longitudinais | Torção, esforço distinto do casco |
| SMAW, GTAW e SAW | Eletrodo revestido, TIG e arco submerso | GMAW, que é o MIG/MAG |
Metodologia e limitações desta aula
Analisamos o Anexo IV do edital e apuramos as quatro áreas do programa da ênfase Naval. Agrupamos as quatro em cinco blocos por afinidade de conteúdo, escrevemos as 50 questões e conferimos cada resolução contra a definição corrente na literatura de nomenclatura naval, arquitetura naval e tecnologia da soldagem. Nenhuma questão foi copiada de prova anterior.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: a divisão das quatro áreas em cinco blocos é nossa e não corresponde a proporção declarada pela banca; o edital não indica quantas das 40 questões cabem a cada área; as regras das sociedades classificadoras e as normas técnicas de soldagem são documentos privados e pagos, e por isso tratamos delas pelo conceito; e critérios de estabilidade têm valores definidos por norma que podem ser revisados.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- Diretoria de Portos e Costas — Marinha do Brasil — autoridade marítima brasileira e referência normativa do setor.
- Agência Nacional de Transportes Aquaviários — regulação do transporte aquaviário no país.
- Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012), Inmetro — definições de medição usadas nos ensaios.
O que fazer depois desta aula
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, Conhecimentos Específicos elimina quem fica abaixo de 50% — menos de 20 acertos nas 40 questões. Se você errou muito em um bloco só, a lacuna é de conteúdo e vale voltar a ele antes de seguir. Se os erros ficaram espalhados, o problema costuma ser de atenção sob pressão, e o caminho é o simulado cronometrado.
Vale lembrar que Português e Matemática também eliminam, e que, entre os habilitados, a classificação final é a soma algébrica das duas fases, conforme o subitem 7.1.4.2.2.

