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Fies 2026: quem pode pedir, como funciona e o que mudou

Enem desde 2010, média 450 e renda de até R$ 4.863 por pessoa: veja quem pode pedir o Fies, como funciona o Fies Social e quando a dívida começa.

Jovem e a mãe conferem documentos de financiamento estudantil na mesa da cozinha
Ilustração editorial para orientar a leitura.

Resposta rápida

Em 2026, pode pedir o Fies quem fez o Enem a partir de 2010 com média mínima de 450 pontos, nota acima de zero na redação e renda familiar de até R$ 4.863 por pessoa. Metade das vagas fica com o Fies Social, que financia até 100% do curso.

Fies 2026: quem pode pedir, como funciona e o que mudou nas regras. A resposta curta está no quadro acima. O resto deste texto explica o que o edital não deixa claro: como fazer a conta da renda, o que acontece com a dívida depois da formatura e por que muita gente leu que a carência do Fies mudou quando ela não mudou.

Atualizado em 6 de novembro de 2026. Regras dos Editais nº 52/2026 e nº 76/2026 do Ministério da Educação, consultados nesta data.

Quem pode pedir o Fies em 2026?

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) paga a mensalidade de cursos de graduação em faculdades privadas que aderiram ao programa. Você devolve o dinheiro depois de formado. Para se inscrever no segundo semestre de 2026, o Edital nº 52/2026 exigiu quatro condições ao mesmo tempo.

  • Ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em qualquer edição a partir de 2010.
  • Ter média igual ou superior a 450 pontos nas cinco provas.
  • Ter tirado nota acima de zero na redação e não ter feito a prova como treineiro.
  • Ter renda bruta familiar mensal de até três salários mínimos por pessoa.

Um detalhe ajuda quem fez o Enem mais de uma vez. O sistema usa a edição em que você teve a maior média, não a mais recente. Quem foi mal em 2025 e bem em 2023 entra com a nota de 2023.

Não há limite de idade. Também não é proibido pedir o financiamento para uma segunda graduação, mas quem já tem diploma fica atrás na fila, como explicamos na seção sobre a seleção.

Como fazer a conta da renda por pessoa

O limite não é o seu salário. É a soma da renda bruta de todos que moram com você, dividida pelo número de pessoas da casa. Com o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, fixado pelo Decreto nº 12.797/2025, o teto ficou em R$ 4.863 por pessoa.

Para não errar a conta, montamos a tabela abaixo. Ela mostra a renda bruta máxima da família inteira para cada tamanho de casa.

Renda bruta familiar máxima para concorrer ao Fies em 2026, por tamanho da família (R$/mês)
Pessoas na casaFies (até 3 salários mínimos por pessoa)Fies Social (até meio salário mínimo por pessoa)
1R$ 4.863,00R$ 810,50
2R$ 9.726,00R$ 1.621,00
3R$ 14.589,00R$ 2.431,50
4R$ 19.452,00R$ 3.242,00
5R$ 24.315,00R$ 4.052,50

Cálculo do IBETP com base no salário mínimo de R$ 1.621 (Decreto nº 12.797/2025) e nos limites dos Editais MEC nº 52/2026 e nº 76/2026. Consulta em 6 de novembro de 2026.

Leitura da tabela: uma família de quatro pessoas com renda bruta de R$ 15 mil por mês está dentro do limite geral. Essa mesma família só entraria no Fies Social com renda de até R$ 3.242.

Gráfico de barras com a renda familiar máxima do Fies e do Fies Social por tamanho da família
Renda bruta familiar máxima para o Fies e o Fies Social em 2026, de 1 a 5 pessoas na casa. Cálculo do IBETP sobre o salário mínimo de R$ 1.621.

Renda bruta é o valor antes dos descontos. Na inscrição, o sistema pede o nome de cada pessoa do grupo familiar, a renda bruta mensal de cada uma e, para quem tem 14 anos ou mais, o CPF e a data de nascimento.

Fies Social: quem entra e quanto financia

O edital reserva 50% das vagas para o Fies Social. Concorre a elas quem tem renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa e está inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

A grande diferença está no valor. No Fies Social, você pode financiar até 100% da mensalidade cobrada pela faculdade, respeitados os valores máximos e mínimos definidos pelo comitê gestor do programa. Na prática, é a única forma de fazer a graduação sem pagar nada durante o curso.

Você não marca uma caixinha dizendo que é do CadÚnico. O sistema identifica sozinho, cruzando seu CPF com a base do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Por isso, o cadastro precisa estar atualizado antes da data de corte de cada edital. Na rodada de vagas remanescentes, o MEC usou as informações do CadÚnico atualizadas até 8 de outubro de 2026.

Se você acha que tem direito e o cadastro está desatualizado, procure o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do seu município antes do próximo edital. Depois da data de corte, não há como corrigir para aquela seleção.

Como funciona a seleção

Tudo acontece no FiesSeleção, dentro do Portal Acesso Único do MEC, com login gov.br. A inscrição é gratuita. Quem cobra para garantir vaga está vendendo algo que não existe.

  1. Inscrição. Você escolhe até três opções de curso, turno, local e faculdade, em ordem de preferência. Dá para mudar as opções até o fim do prazo.
  2. Classificação. O sistema ordena os candidatos pela média do Enem, separando por tipo de vaga, grupo de preferência e modalidade de concorrência.
  3. Pré-seleção. Você é pré-selecionado em uma única opção. Quem não passa na chamada única entra na lista de espera.
  4. Complementação. O pré-selecionado volta ao sistema para completar a inscrição dentro de um prazo curto, de poucos dias.
  5. Contratação. A faculdade valida as informações e o contrato é assinado com o banco, que pode ser de forma digital se a faculdade e o banco aceitarem.

A ordem de prioridade vem da Lei nº 10.260/2001 e foi repetida no edital. Primeiro entram os candidatos sem diploma que nunca usaram o Fies. Depois, os sem diploma que já usaram e quitaram. Só então vêm os que já têm diploma, na mesma lógica.

O grupo de preferência junta cursos da mesma mesorregião, com o mesmo conceito no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e da mesma área. Você só disputa com quem escolheu cursos do mesmo grupo. Por isso, nota de corte de um curso não serve de referência para outro, mesmo na mesma cidade.

Quanto custa e quando você começa a pagar

Para contratos assinados a partir de 2018, a taxa de juros do financiamento é a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com capitalização anual. É o que diz a Resolução nº 4.974/2021 do Conselho Monetário Nacional. Na prática, a dívida é corrigida pela inflação, sem juro real por cima.

O ponto que mais pega gente desprevenida está na Lei nº 10.260/2001, artigo 5º-C. O contrato novo não tem carência: o pagamento começa no mês seguinte ao da conclusão do curso. Quem se forma em dezembro paga a primeira parcela em janeiro.

Durante a graduação, você paga a coparticipação, que é a parte da mensalidade que o financiamento não cobre. Quem conseguiu 100% pelo Fies Social não tem esse valor.

Depois de formado, a parcela segue uma regra própria. Ela é o maior valor entre um pagamento mínimo e um percentual da sua renda bruta mensal. Se você tiver carteira assinada, a cobrança pode ser feita pelo empregador, direto na folha.

Antes de assinar o contrato

  • Confira no e-MEC se o curso e a faculdade estão regulares
  • Peça por escrito o valor da coparticipação semestral
  • Pergunte o reajuste previsto da mensalidade para os próximos semestres
  • Guarde o número do contrato e o nome do banco

Para conferir a situação do curso, use o passo a passo do nosso guia sobre como consultar se um curso é reconhecido pelo MEC. Depois de contratar, o financiamento precisa ser renovado a cada semestre; o aditamento do Fies tem prazo e quem perde pode ficar sem cobertura.

O que mudou em 2026 e o que não mudou

Em julho de 2026, muita gente leu que a carência do financiamento estudantil tinha mudado e que os juros passariam a ser somados à dívida. A notícia se refere a outra coisa.

As Resoluções nº 5.325 e nº 5.328 do Conselho Monetário Nacional tratam das novas linhas de crédito para beneficiários do programa que estão em dia com o pagamento. Essas linhas foram criadas pela Medida Provisória nº 1.373/2026. São empréstimos à parte, não o financiamento da mensalidade.

Para quem pede o financiamento para estudar, as regras do contrato ficaram as mesmas: juros iguais à inflação e pagamento a partir do mês seguinte à formatura. O que mudou de fato para o candidato em 2026 foi o peso da modalidade social, com metade das vagas e financiamento de até 100%.

Para quem já deve, há duas regras diferentes. O Desenrola Fies 2026, da Resolução nº 66/2026, atendia contratos assinados até 2017 e encerrou as adesões em 31 de agosto de 2026, quando a medida provisória que o criou perdeu a validade. Para contratos assinados a partir de 2018 com mais de 90 dias de atraso em 31 de julho de 2025, a Resolução nº 64/2025 permite renegociar no banco até 31 de dezembro de 2026, com parcelamento em até 180 meses e sem juros e multas por atraso.

O calendário de 2026 e o que esperar de 2027

O programa tem duas seleções regulares por ano e, depois de cada uma, uma rodada para as vagas que sobraram. Estes foram os prazos deste ano, tirados dos editais oficiais.

Calendário do Fies em 2026, por etapa
SeleçãoInscriçãoResultadoEdital
1º semestre3 a 6 de fevereirochamada única em fevereironº 3/2026
2º semestre14 a 17 de julho30 de julhonº 52/2026
2º semestre, lista de esperanão há nova inscriçãode 7 de agosto a 24 de setembronº 52/2026
Vagas remanescentes do 2º semestre26 de outubro a 3 de novembro16 de novembronº 76/2026

Fonte: Editais MEC nº 3/2026, nº 52/2026 e nº 76/2026, na página de legislação do Fies. Consulta em 6 de novembro de 2026.

Até a data desta atualização, o edital do primeiro semestre de 2027 não tinha sido publicado. Em 2026, o edital equivalente saiu em 21 de janeiro e deu só quatro dias de inscrição. Quem quer concorrer em 2027 deve deixar tudo pronto em dezembro: nota do Enem conferida, conta gov.br funcionando e renda da família somada.

Os erros que tiram o candidato do Fies

Mãos usando calculadora sobre contas de casa para somar a renda da família
Some a renda bruta de todos os moradores antes de abrir a inscrição. É nessa conta que mais candidatos erram.
  • Calcular a renda pelo salário líquido. O edital fala em renda bruta. Quem usa o líquido pode se inscrever fora do limite e ser barrado na validação.
  • Esquecer um morador da casa. Omitir um membro da família muda a renda por pessoa e pode anular a contratação.
  • Perder a complementação. O prazo depois do resultado é de poucos dias. No segundo semestre de 2026, foram cinco: de 31 de julho a 4 de agosto.
  • Contar com carência. O contrato atual não tem. Quem se forma sem emprego já começa a pagar no mês seguinte.
  • Deixar o CadÚnico para depois. Sem cadastro atualizado na data de corte, quem teria direito à vaga social concorre só às vagas gerais.

Se a sua nota ou a sua renda não fecham com o programa, há dois caminhos que valem a conta. O primeiro é o Prouni, que dá bolsa em vez de empréstimo; veja o que fazer se você não passou na lista de espera do Prouni.

O segundo é escolher um curso que caiba na renda sem financiamento. Uma graduação tecnológica a distância, como o Tecnólogo em Processos Gerenciais ou o Tecnólogo em Logística, costuma ter mensalidade menor e dura menos que um bacharelado. O diploma tem o mesmo valor legal, como explicamos em diploma EAD tem o mesmo valor do presencial?

Perguntas frequentes

Quem nunca fez o Enem pode pedir o Fies?

Não. O programa exige participação no Enem a partir da edição de 2010, com média de pelo menos 450 pontos nas cinco provas e redação acima de zero. Quem fez a prova só como treineiro também fica de fora. A saída é fazer o próximo Enem e se inscrever na seleção seguinte.

Qual é a renda máxima para o Fies em 2026?

A renda bruta da família, dividida pelo número de pessoas da casa, pode chegar a R$ 4.863 por pessoa, que são três salários mínimos de 2026. Para o Fies Social, o limite é de R$ 810,50 por pessoa, com inscrição no CadÚnico.

O Fies tem carência depois da formatura?

Nos contratos assinados a partir de 2018, não. A Lei nº 10.260/2001 manda o pagamento começar no mês seguinte ao da conclusão do curso. As notícias de julho de 2026 sobre carência tratavam de linhas de crédito para quem já é beneficiário e está em dia.

O Fies cobra juros?

Cobra a correção pela inflação. Para contratos a partir de 2018, a Resolução nº 4.974/2021 do Conselho Monetário Nacional fixa a taxa como a variação do IPCA, com capitalização anual. Não há juro real acima da inflação.

Posso usar o Fies em uma segunda graduação?

Pode se inscrever, mas a lei coloca quem já tem diploma no fim da fila. Os candidatos sem curso superior concluído são classificados primeiro. Na prática, a chance de vaga para segunda graduação depende de sobrar vaga no grupo de preferência escolhido.

Quantos cursos posso escolher na inscrição do Fies?

Até três opções de curso, turno, local e faculdade, em ordem de prioridade. Você pode alterar as escolhas enquanto a inscrição estiver aberta. No resultado, a pré-seleção acontece em apenas uma dessas opções.

Fontes e método

Como apuramos: as condições de inscrição, o Fies Social, a classificação e os prazos vêm do texto integral dos editais do MEC, não de resumos. A tabela de renda máxima foi calculada pelo IBETP multiplicando o limite por pessoa (três salários mínimos ou meio salário mínimo) pelo número de moradores. As regras de pagamento valem para contratos assinados a partir de 2018. Leia também a nossa política editorial.