Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Química do Petróleo cobra 16 itens de conteúdo programático em 40 questões de Conhecimentos Específicos. Esta aula percorre os 16 em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Este material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Estrutura da matéria, ligações e funções inorgânicas
Conforme os itens 3, 4 e 5 do Anexo IV, o programa começa pela classificação periódica dos elementos, pelas ligações químicas e pelas funções e reações inorgânicas. É a base sobre a qual todo o resto se apoia: sem periodicidade e sem número de oxidação, não há como sustentar eletroquímica nem análise.
Na prática, guarde duas tendências que resolvem boa parte das questões: o raio atômico cresce para baixo no grupo e para a esquerda no período, e a eletronegatividade faz exatamente o contrário. Quase toda comparação entre elementos sai dessas duas linhas.
Bloco 1 — Estrutura da matéria, ligações e funções inorgânicas
- 1Tabela periódicaConhecimentos EspecíficosAo descer em um mesmo grupo da tabela periódica, o raio atômico dos elementos tende a:Descendo no grupo, entra uma camada eletrônica nova a cada período, e a distância do elétron mais externo ao núcleo cresce. A carga nuclear também aumenta, mas o efeito de blindagem das camadas internas compensa boa parte dela. Por isso o raio aumenta de cima para baixo. No sentido do período, da esquerda para a direita, ocorre o contrário: mesmo número de camadas e carga nuclear crescente, então o raio diminui.
- 2Tabela periódicaConhecimentos EspecíficosEntre os elementos flúor, cloro, bromo e iodo, o de maior eletronegatividade é:Eletronegatividade é a tendência de atrair o par de elétrons de uma ligação. Ela cresce da esquerda para a direita no período e de baixo para cima no grupo, porque o elétron ligante fica mais próximo do núcleo. O flúor é o elemento mais eletronegativo da tabela. Na escala de Pauling: F 4,0 · Cl 3,0 · Br 2,8 · I 2,5.
- 3Ligações químicasConhecimentos EspecíficosA ligação entre um metal alcalino e um halogênio é classificada como:A diferença de eletronegatividade entre um metal alcalino (baixa) e um halogênio (alta) é grande o bastante para que o elétron seja efetivamente transferido, formando cátion e ânion presos por atração eletrostática. O resultado é um retículo cristalino, com alto ponto de fusão e condução elétrica quando fundido ou em solução aquosa.
- 4Ligações químicasConhecimentos EspecíficosA molécula de água apresenta geometria angular porque o átomo central:Pela teoria da repulsão dos pares eletrônicos da camada de valência, os pares não ligantes ocupam mais espaço que os ligantes. O oxigênio da água tem dois pares ligantes e dois não ligantes; a repulsão desses dois pares livres fecha o ângulo H-O-H para cerca de 104,5°, em vez dos 109,5° do tetraedro regular. Daí a geometria angular e o momento dipolar resultante.
- 5PolaridadeConhecimentos EspecíficosA molécula de dióxido de carbono é apolar, apesar de ter ligações polares, porque:Cada ligação C=O é polar, porque o oxigênio é bem mais eletronegativo que o carbono. Mas a molécula é linear e simétrica: os dois vetores momento dipolar têm mesmo módulo e sentidos opostos, e a soma vetorial dá zero. Por isso o CO2 é apolar. Compare com a água, que é angular e não tem essa anulação.
- 6Funções inorgânicasConhecimentos EspecíficosSegundo a definição de Arrhenius, ácido é toda substância que, em solução aquosa:Arrhenius define ácido pela ionização em água com liberação exclusiva de H+ como cátion, e base pela dissociação com liberação exclusiva de OH- como ânion. As definições de Brønsted-Lowry (doador e receptor de próton) e de Lewis (receptor e doador de par eletrônico) são mais amplas, mas a questão pede explicitamente Arrhenius.
- 7Funções inorgânicasConhecimentos EspecíficosA reação entre hidróxido de sódio e ácido clorídrico produz cloreto de sódio e água. Essa reação é classificada como:Na neutralização, o H+ do ácido e o OH- da base formam água, e os íons remanescentes formam o sal. Não há variação de número de oxidação: o sódio permanece +1 e o cloro, -1. A reação é NaOH + HCl produzindo NaCl + H2O, com proporção de um para um.
- 8Funções inorgânicasConhecimentos EspecíficosO óxido de cálcio, ao reagir com água, forma hidróxido de cálcio. Trata-se, portanto, de um óxido:Óxidos de metais com baixo número de oxidação, sobretudo alcalinos e alcalinoterrosos, reagem com água formando bases: CaO + H2O produz Ca(OH)2. Óxidos de ametais, como o SO3, reagem com água formando ácidos. Óxidos anfóteros, como o de alumínio e o de zinco, reagem tanto com ácido quanto com base.
- 9Número de oxidaçãoConhecimentos EspecíficosNo íon permanganato, o número de oxidação do manganês é:No íon MnO4-, cada oxigênio tem número de oxidação -2, totalizando -8. A soma dos números de oxidação deve igualar a carga do íon, que é -1. Logo x – 8 = -1, e x = +7. Esse é o estado de oxidação máximo do manganês, o que explica o forte poder oxidante do permanganato em meio ácido.
- 10Número de oxidaçãoConhecimentos EspecíficosEm uma reação de oxirredução, o agente oxidante é a espécie que:O agente oxidante é quem provoca a oxidação do outro e, para isso, recebe elétrons e é reduzido. O agente redutor faz o inverso: cede elétrons e é oxidado. A confusão é frequente porque o nome descreve o efeito sobre o parceiro, não o que acontece com a própria espécie.
Bloco 2 — Estequiometria, gases e soluções
De acordo com os itens 1, 2 e 10 do Anexo IV, entram aqui estequiometria, estudos de gases e soluções. É o bloco de conta, e é onde a banca separa quem decorou fórmula de quem entendeu proporção.
O caminho que resolve quase toda questão de cálculo é o mesmo: escreva a equação balanceada, converta tudo para mol, aplique a proporção dos coeficientes e só então volte para a unidade pedida. Pular a conversão para mol é a origem da maioria dos erros.
Bloco 2 — Estequiometria, gases e soluções
- 1EstequiometriaConhecimentos EspecíficosA massa molar do ácido sulfúrico (H2SO4), considerando H = 1, S = 32 e O = 16, é de:Somando: 2 × 1 (hidrogênio) + 32 (enxofre) + 4 × 16 (oxigênio) = 2 + 32 + 64 = 98 g/mol. O erro mais comum é esquecer que são dois hidrogênios ou contar apenas três oxigênios. O valor 49 corresponde à massa equivalente, usada em normalidade, não à massa molar.
- 2EstequiometriaConhecimentos EspecíficosNa combustão completa do metano, 1 mol de CH4 reage com oxigênio produzindo gás carbônico e água. O número de mols de O2 consumidos é:A equação balanceada é CH4 + 2 O2 produzindo CO2 + 2 H2O. Balanceia-se primeiro o carbono (um de cada lado), depois o hidrogênio (quatro H, logo dois H2O) e por último o oxigênio: são dois no CO2 e dois nas duas águas, total quatro átomos, ou seja, 2 mols de O2.
- 3EstequiometriaConhecimentos EspecíficosO reagente limitante de uma reação química é aquele que:O limitante é o que acaba primeiro segundo a proporção estequiométrica, e é ele que define quanto produto se forma. Estar em maior massa não basta: o que vale é a razão entre mols disponíveis e coeficientes da equação. O outro reagente é chamado de reagente em excesso.
- 4Estudos de gasesConhecimentos EspecíficosSegundo a equação geral dos gases ideais, mantendo a temperatura constante e dobrando a pressão, o volume de uma amostra gasosa:Com temperatura e número de mols constantes, a lei de Boyle diz que o produto pressão vezes volume é constante. Dobrando a pressão, o volume cai à metade. É uma relação inversamente proporcional, e vale como aproximação para gases reais em pressões moderadas e temperaturas afastadas da condensação.
- 5Estudos de gasesConhecimentos EspecíficosNas condições normais de temperatura e pressão, o volume molar de um gás ideal é de aproximadamente:Nas CNTP, definidas a 0 °C e 1 atm, um mol de gás ideal ocupa 22,4 litros. O valor 24,5 L/mol corresponde às condições ambientes de 25 °C e 1 atm, e é fácil trocar um pelo outro. Vem da equação PV = nRT, com R igual a 0,082 atm·L/(mol·K).
- 6Estudos de gasesConhecimentos EspecíficosUm gás real se afasta mais do comportamento ideal quando submetido a:O modelo ideal despreza o volume das moléculas e as forças entre elas. Sob alta pressão as moléculas ficam próximas e o volume próprio deixa de ser desprezível; sob baixa temperatura as forças de atração ganham peso frente à energia cinética. As duas condições juntas aproximam o gás da condensação, onde o modelo falha.
- 7SoluçõesConhecimentos EspecíficosPara preparar 500 mL de solução aquosa 0,2 mol/L de hidróxido de sódio (massa molar 40 g/mol), a massa a ser pesada é de:A quantidade de matéria é a concentração vezes o volume em litros: 0,2 × 0,5 = 0,1 mol. A massa é a quantidade de matéria vezes a massa molar: 0,1 × 40 = 4 g. O erro clássico é usar o volume em mililitros e obter um valor mil vezes maior.
- 8SoluçõesConhecimentos EspecíficosAo diluir uma solução com água, mantendo a quantidade de soluto, o que necessariamente ocorre é:Na diluição, acrescenta-se solvente sem alterar a quantidade de soluto. Como a concentração é a razão entre quantidade de matéria e volume, aumentar o volume reduz a concentração. Daí a expressão C1V1 = C2V2, usada no preparo de soluções a partir de soluções estoque.
- 9SoluçõesConhecimentos EspecíficosA titulação de 25 mL de solução de HCl consumiu 20 mL de NaOH 0,1 mol/L. A concentração do ácido é de:A reação é de um para um. A quantidade de matéria de base é 0,1 × 0,020 = 0,002 mol, igual à do ácido no ponto de equivalência. A concentração do ácido é 0,002 dividido por 0,025, o que dá 0,08 mol/L. O erro frequente é dividir pelo volume da base em vez do volume do ácido.
- 10SoluçõesConhecimentos EspecíficosA solubilidade da maioria dos sais em água, com o aumento da temperatura, tende a:Para a maioria dos sais a dissolução absorve calor, e pelo princípio de Le Chatelier o aumento de temperatura desloca o equilíbrio no sentido de dissolver mais. Há exceções importantes, como o sulfato de cério, cuja dissolução é exotérmica e cuja solubilidade cai com o aquecimento. Gases, por sua vez, sempre ficam menos solúveis.
Bloco 3 — Química orgânica: funções, isomeria, reações e polímeros
Segundo os itens 6, 7, 8 e 9 do Anexo IV, o programa cobra identificação e nomenclatura de funções orgânicas, isomeria, reações de adição, eliminação, substituição e oxirredução, além de polímeros. Para uma ênfase ligada ao petróleo, é o coração do conteúdo.
Uma regra que economiza tempo: composto insaturado tende a reagir por adição; composto saturado e aromático, por substituição. E o sufixo entrega a função — ol de álcool, al de aldeído, ona de cetona, oico de ácido, oato de éster.
Bloco 3 — Química orgânica: funções, isomeria, reações e polímeros
- 1Funções orgânicasConhecimentos EspecíficosO composto de fórmula CH3-CH2-OH pertence à função orgânica:A hidroxila ligada a um carbono saturado caracteriza a função álcool. O composto é o etanol. No fenol a hidroxila liga-se diretamente ao anel aromático; no éter o oxigênio fica entre dois carbonos; na cetona há carbonila em carbono secundário; e no ácido carboxílico há o grupo COOH.
- 2NomenclaturaConhecimentos EspecíficosSegundo a nomenclatura oficial, o hidrocarboneto CH3-CH2-CH2-CH3 é denominado:São quatro carbonos em cadeia normal, todos ligados por ligações simples: o prefixo but indica quatro carbonos e o sufixo ano indica hidrocarboneto saturado. O butano tem ainda um isômero de cadeia ramificada, o metilpropano, também chamado de isobutano, com a mesma fórmula molecular C4H10.
- 3NomenclaturaConhecimentos EspecíficosA presença do sufixo ona no nome de um composto orgânico indica a função:Os sufixos oficiais identificam a função: ol para álcool, al para aldeído, ona para cetona, oico para ácido carboxílico, oato para éster e amina para amina. A propanona, conhecida como acetona, é o exemplo mais comum de cetona e tem a carbonila no carbono central.
- 4IsomeriaConhecimentos EspecíficosButano e metilpropano têm a mesma fórmula molecular e diferem apenas na disposição dos carbonos. São, portanto, isômeros de:A isomeria plana de cadeia ocorre quando compostos de mesma fórmula molecular diferem no tipo de cadeia, normal ou ramificada. Na isomeria de posição muda o lugar de uma insaturação, ramificação ou grupo funcional. Na de função, muda a própria função, como entre álcool e éter.
- 5IsomeriaConhecimentos EspecíficosUm carbono é considerado quiral, dando origem a isomeria óptica, quando está ligado a:O carbono assimétrico ou quiral tem quatro ligantes distintos, e a molécula resultante não é sobreponível à sua imagem especular. Os dois isômeros, chamados enantiômeros, desviam o plano da luz polarizada em sentidos opostos e com o mesmo ângulo, e por isso são opticamente ativos.
- 6Reações orgânicasConhecimentos EspecíficosA reação entre eteno e gás hidrogênio, com catalisador metálico, formando etano, é uma reação de:Em compostos insaturados a reação típica é a adição: a ligação pi se rompe e os dois carbonos recebem novos ligantes. Aqui cada carbono recebe um hidrogênio e o eteno vira etano. Compostos saturados e aromáticos, ao contrário, tendem a reagir por substituição.
- 7Reações orgânicasConhecimentos EspecíficosA reação do benzeno com cloro, na presença de catalisador, produzindo clorobenzeno e cloreto de hidrogênio, é de:O anel aromático é estabilizado por ressonância, e reagir por adição significaria perder essa estabilidade. Por isso o benzeno reage preferencialmente por substituição eletrofílica, trocando um hidrogênio do anel pelo novo grupo e mantendo a aromaticidade.
- 8Reações orgânicasConhecimentos EspecíficosA oxidação branda de um álcool primário produz, em primeiro lugar:Álcool primário oxida a aldeído e, se a oxidação continuar, a ácido carboxílico. Álcool secundário oxida a cetona e para aí, porque não há hidrogênio disponível no carbono da carbonila. Álcool terciário resiste à oxidação branda. Essa sequência é cobrada com frequência.
- 9PolímerosConhecimentos EspecíficosO polietileno é obtido a partir do eteno por meio de uma reação de:Na polimerização por adição, os monômeros insaturados se ligam sucessivamente pela abertura da ligação dupla e nada é eliminado; a fórmula mínima do polímero é a mesma do monômero. Na polimerização por condensação, como no náilon e no poliéster, sai uma molécula pequena, em geral água.
- 10PolímerosConhecimentos EspecíficosUm polímero classificado como termoplástico caracteriza-se por:Termoplásticos têm cadeias lineares ou pouco ramificadas, presas apenas por forças intermoleculares, o que permite fundir e remoldar várias vezes e viabiliza a reciclagem. Termofixos formam ligações covalentes cruzadas na cura e, uma vez moldados, degradam antes de amolecer.
Bloco 4 — Físico-química: termoquímica, cinética, equilíbrio e eletroquímica
Conforme os itens 10, 11, 12 e 13 do Anexo IV, este bloco reúne termoquímica, cinética, equilíbrio químico e eletroquímica, com as propriedades coligativas do item 10. É onde aparecem o princípio de Le Chatelier, o papel do catalisador e a lógica de ânodo e cátodo, que a banca costuma cobrar por inversão de conceito.
Duas frases evitam os erros mais comuns. Catalisador acelera os dois sentidos e não desloca equilíbrio nem muda rendimento. E oxidação é sempre no ânodo, redução sempre no cátodo — o que muda entre pilha e eletrólise é a polaridade, não o lugar da reação.
Bloco 4 — Físico-química: termoquímica, cinética, equilíbrio e eletroquímica
- 1TermoquímicaConhecimentos EspecíficosUma reação com variação de entalpia negativa é classificada como:A variação de entalpia é a entalpia dos produtos menos a dos reagentes. Quando é negativa, os produtos têm menos energia e a diferença saiu na forma de calor: a reação é exotérmica e o meio esquenta. Combustões e neutralizações são exemplos típicos.
- 2TermoquímicaConhecimentos EspecíficosSegundo a lei de Hess, a variação de entalpia de uma reação depende:A entalpia é função de estado, então sua variação não depende do caminho. Isso permite somar equações termoquímicas intermediárias, invertendo-as (com troca de sinal) e multiplicando-as (com multiplicação do valor), para obter o calor de uma reação difícil de medir diretamente.
- 3CinéticaConhecimentos EspecíficosO papel de um catalisador em uma reação química é:O catalisador oferece um caminho alternativo de menor energia de ativação, o que acelera a reação nos dois sentidos igualmente. Ele não altera a variação de entalpia, não desloca o equilíbrio nem muda o rendimento: apenas faz o sistema chegar mais rápido ao mesmo ponto final.
- 4CinéticaConhecimentos EspecíficosO aumento da temperatura acelera a maioria das reações químicas principalmente porque:A temperatura desloca a distribuição de energias moleculares, e a fração de colisões com energia igual ou superior à de ativação cresce rapidamente. A energia de ativação em si não muda com a temperatura: quem muda é a proporção de moléculas capazes de vencê-la.
- 5EquilíbrioConhecimentos EspecíficosEm um sistema em equilíbrio, o aumento da pressão desloca a reação no sentido:O princípio de Le Chatelier diz que o sistema reage no sentido de atenuar a perturbação. Comprimindo, o equilíbrio anda para o lado com menor número de mols de gás, o que reduz o volume ocupado. Se os dois lados tiverem o mesmo número de mols gasosos, a pressão não desloca nada.
- 6EquilíbrioConhecimentos EspecíficosUma solução aquosa com pH igual a 3, a 25 °C, é classificada como:O pH é o cologaritmo da concentração de H+; pH 3 corresponde a 10⁻³ mol/L de H+. Como a 25 °C o produto iônico da água vale 10⁻¹⁴, o pOH é 11 e a concentração de OH- é 10⁻¹¹ mol/L. Abaixo de 7 a solução é ácida; acima, básica.
- 7EletroquímicaConhecimentos EspecíficosEm uma pilha eletroquímica, o eletrodo em que ocorre a oxidação é denominado:Oxidação ocorre sempre no ânodo, e redução no cátodo. Numa pilha, o ânodo é o polo negativo porque é de lá que os elétrons saem para o circuito externo. Numa eletrólise a polaridade se inverte, porque a fonte externa impõe o sentido: o ânodo passa a ser o polo positivo.
- 8EletroquímicaConhecimentos EspecíficosNa proteção catódica de um duto de aço por anodo de sacrifício, utiliza-se um metal:O anodo de sacrifício deve ter maior tendência à oxidação que a estrutura protegida, para se corroer no lugar dela. Zinco, magnésio e alumínio são os usuais para proteger aço. O metal se consome com o tempo e precisa ser substituído em intervalos previstos no plano de manutenção.
- 9Propriedades coligativasConhecimentos EspecíficosA adição de um soluto não volátil à água provoca, na solução resultante:As propriedades coligativas dependem do número de partículas dissolvidas, não da natureza delas. O soluto abaixa a pressão de vapor, o que eleva a temperatura de ebulição (ebulioscopia) e reduz a de congelamento (crioscopia). É por isso que sal na estrada derrete o gelo.
- 10Propriedades coligativasConhecimentos EspecíficosA osmose caracteriza-se pela passagem espontânea de solvente através de membrana semipermeável, no sentido:O solvente migra para o lado de maior concentração de soluto, diluindo-o, até que a pressão osmótica equilibre o fluxo. Aplicar pressão acima da osmótica inverte o processo: é a osmose reversa, usada em dessalinização e em tratamento de água para caldeiras.
Bloco 5 — Química analítica, metrologia e tratamento de dados
Segundo os itens 14, 15 e 16 do Anexo IV, o programa fecha com análise gravimétrica, titulação volumétrica, métodos eletroquímicos, espectroscopia no ultravioleta e visível, absorção atômica, infravermelho e cromatografia, além de controle metrológico, tratamento de erro e curvas de calibração.
Aqui vale saber para que serve cada técnica antes de saber como ela funciona: infravermelho identifica grupo funcional, absorção atômica quantifica metal, cromatografia separa mistura, gravimetria pesa precipitado e volumetria mede volume de titulante. A banca cobra essa correspondência direta.
Bloco 5 — Química analítica, metrologia e tratamento de dados
- 1Análise gravimétricaConhecimentos EspecíficosNa análise gravimétrica, a quantificação do analito é feita a partir da medida de:A gravimetria isola o analito como um precipitado de estequiometria conhecida, que é filtrado, lavado, seco ou calcinado e pesado. A partir da massa e do fator gravimétrico chega-se ao teor. É um método clássico, exato, porém demorado, hoje reservado a determinações de referência.
- 2Titulação volumétricaConhecimentos EspecíficosEm uma titulação ácido-base, o ponto de equivalência corresponde ao momento em que:O ponto de equivalência é teórico e ocorre quando as quantidades reagem em proporção estequiométrica. O ponto final é o que se observa, pela viragem do indicador, e idealmente coincide com ele. O pH no equivalente só é 7 em titulação de ácido forte com base forte; nos demais casos o sal hidrolisa e o pH é maior ou menor.
- 3Titulação volumétricaConhecimentos EspecíficosA escolha do indicador em uma titulação deve considerar principalmente:O indicador precisa virar dentro do salto de pH da titulação, e o mais perto possível do ponto de equivalência, para que o erro de titulação seja pequeno. Fenolftaleína vira entre 8,2 e 10 e serve a ácido forte com base forte ou ácido fraco com base forte; alaranjado de metila vira entre 3,1 e 4,4.
- 4Métodos eletroquímicosConhecimentos EspecíficosA potenciometria com eletrodo de vidro é o método de referência para determinar:O eletrodo de vidro gera um potencial proporcional ao logaritmo da atividade de íons hidrogênio, medido contra um eletrodo de referência. A leitura exige calibração prévia com pelo menos duas soluções tampão que cerquem a faixa de trabalho, e correção de temperatura.
- 5EspectroscopiaConhecimentos EspecíficosA lei de Lambert-Beer estabelece que a absorbância de uma solução é proporcional:A absorbância é o produto da absortividade molar pelo caminho óptico e pela concentração. A relação é linear em faixas restritas: em concentrações altas há desvios por interação entre espécies e por limitações do instrumento, e por isso a curva de calibração deve cobrir a faixa de trabalho real.
- 6EspectroscopiaConhecimentos EspecíficosA espectroscopia no infravermelho é especialmente útil em análise orgânica porque permite:Cada ligação vibra em frequências características, e as bandas resultantes funcionam como assinatura dos grupos funcionais: carbonila, hidroxila, amina e assim por diante. O infravermelho identifica o que existe na molécula, mas não separa misturas nem fornece massa molar.
- 7EspectroscopiaConhecimentos EspecíficosA espectrometria de absorção atômica é aplicada principalmente à determinação de:A amostra é atomizada em chama ou forno de grafite, e os átomos livres absorvem radiação no comprimento de onda característico do elemento. É o método clássico para metais em nível de partes por milhão, muito usado em análise de água, efluentes e derivados de petróleo.
- 8CromatografiaConhecimentos EspecíficosEm cromatografia, a separação dos componentes de uma mistura resulta:Cada componente se distribui de modo próprio entre a fase estacionária e a fase móvel; quem tem mais afinidade pela estacionária caminha mais devagar e sai depois. O tempo de retenção identifica a substância em condições fixas, e a área do pico é usada para quantificar.
- 9Tratamento de dadosConhecimentos EspecíficosEm um conjunto de medições, o desvio padrão amostral expressa:O desvio padrão mede o quanto os resultados se espalham em torno da média, e está ligado à precisão. A proximidade do valor verdadeiro é a exatidão, avaliada por erro ou por tendência. Um método pode ser preciso e inexato, se os valores forem concordantes entre si mas deslocados.
- 10Curva de calibraçãoConhecimentos EspecíficosUma curva de calibração em análise instrumental é construída a partir de:Mede-se a resposta do instrumento para uma série de padrões de concentração conhecida, e ajusta-se uma reta por regressão. A amostra é então quantificada por interpolação nessa reta, nunca por extrapolação. O coeficiente de determinação indica a qualidade do ajuste, mas não substitui a verificação da faixa linear.
As relações que a prova cobra, num lugar só
Segundo o Anexo IV do edital, são 16 itens de conteúdo programático. Montamos a tabela a partir deles, reunindo o que mais se repete em prova de química e o que mais causa erro por troca de conceito.
| Conceito | Relação de referência | Onde costuma cair |
|---|---|---|
| Raio atômico | cresce de cima para baixo no grupo e da direita para a esquerda no período | Periodicidade |
| Eletronegatividade | cresce da esquerda para a direita e de baixo para cima; o flúor é o maior | Periodicidade |
| Volume molar (CNTP) | 1 mol de gás ideal ocupa 22,4 L a 0 °C e 1 atm; a 25 °C são 24,5 L | Gases |
| Equação dos gases | PV = nRT, com R igual a 0,082 atm·L/(mol·K) | Gases |
| Concentração | C = n ÷ V, com V em litros; na diluição, C1V1 = C2V2 | Soluções |
| pH e pOH | pH é o cologaritmo de [H+]; a 25 °C, pH + pOH = 14 | Equilíbrio |
| Variação de entalpia | negativa é exotérmica (libera calor); positiva é endotérmica | Termoquímica |
| Lei de Hess | a variação de entalpia depende só dos estados inicial e final | Termoquímica |
| Catalisador | reduz a energia de ativação; não desloca equilíbrio nem muda rendimento | Cinética |
| Le Chatelier | o sistema desloca no sentido que atenua a perturbação aplicada | Equilíbrio |
| Ânodo e cátodo | oxidação no ânodo, redução no cátodo, em pilha e em eletrólise | Eletroquímica |
| Lambert-Beer | absorbância = absortividade × caminho óptico × concentração | Espectroscopia |
| Ponto de equivalência | é a proporção estequiométrica; o ponto final é o que se observa | Volumetria |
| Desvio padrão | mede dispersão em torno da média, ou seja, precisão — não exatidão | Tratamento de dados |
| Curva de calibração | padrões conhecidos; quantificar por interpolação, nunca por extrapolação | Calibração |
Metodologia e limitações desta aula
Analisamos o Anexo IV do edital e apuramos os 16 itens do programa de Química do Petróleo. Agrupamos os 16 em cinco blocos por afinidade de conteúdo, escrevemos as 50 questões e conferimos cada resolução contra a definição corrente na literatura de química geral, orgânica e analítica. Nenhuma questão foi copiada de prova anterior, e nenhuma resolução foi montada a partir de resumo de terceiro.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: a divisão dos 16 itens em cinco blocos é nossa e serve para organizar o estudo, não corresponde a proporção declarada pela banca; o edital não indica quantas das 40 questões cabem a cada item; e não temos acesso ao conteúdo da prova. Este material ensina a matéria exigida — não prevê a questão que vai cair.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- SI Brochure, 9ª edição — Bureau International des Poids et Mesures — definição oficial das unidades do Sistema Internacional.
- Inmetro — órgão brasileiro de metrologia, orientações de calibração e rastreabilidade.
- Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012), Inmetro — fonte das definições de exatidão, precisão, calibração e incerteza usadas no bloco 5.
O que fazer depois desta aula
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, Conhecimentos Específicos elimina quem fica abaixo de 50% — menos de 20 acertos nas 40 questões. Se você errou muito em um bloco só, a lacuna é de conteúdo e vale voltar a ele antes de seguir. Se os erros ficaram espalhados, o problema costuma ser de atenção sob pressão, e o caminho é o simulado cronometrado.
Vale lembrar que Português e Matemática também eliminam, e que, entre os habilitados, a classificação final é a soma algébrica das duas fases, conforme o subitem 7.1.4.2.2. Nenhuma das três matérias pode ser abandonada.

