Segundo o Anexo IV do Edital nº 03 — TRANSPETRO/PSP/TERRA/NÍVEL MÉDIO — 2026.3, a ênfase Faixa de Dutos cobra 13 itens de conteúdo programático em 40 questões de Conhecimentos Específicos, sob o título de técnicas e práticas construtivas. Esta aula percorre os 13 em cinco blocos, com 50 questões autorais comentadas.
Como usar esta aula
Leia a abertura do bloco, responda às dez questões e só depois abra as resoluções. Errar antes de ler a resolução é o que faz a resolução funcionar — quem abre o gabarito primeiro registra reconhecimento, não aprendizado.
As questões são autorais e seguem o formato do edital: cinco alternativas e uma única resposta correta. Este material é gratuito e não tem venda embutida.
Bloco 1 — Topografia, desenho técnico e materiais de construção
Os itens 1, 2 e 11 do Anexo IV cobrem locação e levantamento topográfico, materiais de construção e desenho técnico, inclusive em ambiente de desenho assistido por computador. É o vocabulário básico de quem lê projeto e leva o traçado ao campo.
Bloco 1 — Topografia, desenho técnico e materiais de construção
- 1TopografiaConhecimentos EspecíficosEm levantamento topográfico, o instrumento que mede simultaneamente ângulos horizontais, verticais e distâncias é a:A estação total reúne teodolito eletrônico e distanciômetro, registrando ângulos e distâncias e calculando coordenadas em campo. Trena, mira, baliza e régua são acessórios ou instrumentos simples, que medem apenas distância ou auxiliam a visada.
- 2TopografiaConhecimentos EspecíficosO nivelamento geométrico tem por finalidade determinar:O nivelamento geométrico usa nível e mira para obter diferenças de nível entre pontos, e é a base do perfil longitudinal de uma faixa de dutos. Azimute é obtido por medida angular, e área, por cálculo a partir das coordenadas da poligonal.
- 3LocaçãoConhecimentos EspecíficosA locação de uma obra linear, como uma faixa de dutos, consiste em:Locar é levar o que está no papel para o campo, materializando eixos, estacas e cotas com precisão controlada. Erro de locação se propaga por toda a obra e costuma ser caro de corrigir, o que faz da conferência independente uma prática obrigatória.
- 4Desenho técnicoConhecimentos EspecíficosEm um desenho na escala 1:100, um segmento medindo 3 cm no papel corresponde, no terreno, a:Na escala 1:100, cada centímetro do desenho representa 100 centímetros reais, ou seja, 1 metro. Três centímetros correspondem, portanto, a 3 metros. Escalas maiores, como 1:50, mostram mais detalhe; menores, como 1:1000, abrangem mais área.
- 5Desenho técnicoConhecimentos EspecíficosEm desenho técnico, a linha tracejada é usada para representar:A linha tracejada indica arestas invisíveis naquela vista. O contorno visível é traçado com linha contínua larga, o eixo com traço e ponto, e as linhas de cota com linha contínua estreita. A padronização permite ler o desenho sem legenda.
- 6Materiais de construçãoConhecimentos EspecíficosO agregado miúdo empregado em concreto convencional é, tipicamente, a:Agregado miúdo é o que passa na peneira de 4,75 milímetros, e a areia é o exemplo típico. Brita é agregado graúdo. A distinção importa porque o proporcionamento entre miúdo e graúdo determina a trabalhabilidade e o consumo de cimento da mistura.
- 7Materiais de construçãoConhecimentos EspecíficosO aço CA-50, usado em estruturas de concreto armado, tem essa designação porque:A sigla CA indica concreto armado e o número indica a resistência característica de escoamento em quilograma-força por milímetro quadrado, equivalente a 500 megapascais no CA-50. O CA-60 é trefilado, de maior resistência e normalmente de menor diâmetro.
- 8CimentoConhecimentos EspecíficosO aumento do fator água-cimento em um concreto, mantidos os demais fatores, provoca:A água excedente à necessária para a hidratação evapora e deixa poros, o que reduz a resistência e aumenta a permeabilidade. É a lei de Abrams, e explica por que trabalhabilidade se busca com aditivo e granulometria, e não com adição de água na obra.
- 9MateriaisConhecimentos EspecíficosA principal função da armadura de aço no concreto armado é:O concreto resiste bem à compressão e mal à tração, na ordem de um décimo da resistência à compressão. O aço assume os esforços de tração, e a aderência entre os dois materiais, somada a coeficientes de dilatação próximos, é o que torna o conjunto viável.
- 10Desenho assistidoConhecimentos EspecíficosEm software de desenho assistido por computador, o uso de camadas, ou layers, permite:Camadas separam elementos por natureza — eixos, cotas, textos, instalações — e permitem exibir, ocultar, bloquear e plotar cada grupo de forma independente. É a base da organização de um arquivo que será lido e alterado por várias pessoas.
Bloco 2 — Resistência dos materiais e tecnologia do concreto
Os itens 3 e 4 tratam de tensões normais e de cisalhamento, solicitações axiais, flexão e torção, além de ensaios em concreto e estruturas de concreto armado. É a parte mais calculista do programa e a que mais assusta quem vem só da prática.
Bloco 2 — Resistência dos materiais e tecnologia do concreto
- 1Tensão normalConhecimentos EspecíficosUma barra de aço de seção circular cheia, com diâmetro de 20 mm, é submetida a um esforço axial de tração de 40 kN, uniformemente distribuído na seção transversal. Qual é a tensão normal atuante na barra?A tensão normal média é dada pela razão entre a força axial e a área da seção: a área do círculo cheio vale A = pi x d²/4 = pi x (20 mm)²/4 = 314,2 mm². Logo, 40.000 N divididos por 314,2 mm² resultam em 127,3 N/mm², ou seja, 127,3 MPa. Os 32 MPa decorrem de usar A = pi x d², esquecendo o divisor 4; os 100 MPa, de tratar a seção como quadrada de 20 mm de lado (400 mm²); os 255 MPa, de dividir a área por 2; e os 637 MPa, de dividir a força pelo perímetro da seção em vez da área.
Fonte: Notas de Aula de Resistência dos Materiais I — tensão normal média, IFSC/CEFET-SC
- 2Lei de HookeConhecimentos EspecíficosUma barra de aço com 2,0 m de comprimento e área de seção transversal de 500 mm² é tracionada por uma força axial de 50 kN. Adotando módulo de elasticidade de 200 GPa e comportamento elástico linear, qual é o alongamento total da barra?Na fase elástica vale a lei de Hooke, e o alongamento de uma barra tracionada é o produto da força pelo comprimento dividido pelo produto da área pelo módulo de elasticidade. Com 50.000 N, 2.000 mm, 500 mm² e 200.000 N/mm², obtém-se (50.000 x 2.000) / (500 x 200.000) = 1,0 mm. A tensão vale 100 MPa e a deformação 0,0005, coerentes com o resultado. Os valores 0,5 mm e 2,0 mm resultam de trocar área e comprimento no cálculo, e 5,0 mm e 10,0 mm de usar o módulo em GPa sem converter as demais unidades.
Fonte: Notas de Aula de Resistência dos Materiais I — lei de Hooke e alongamento, IFSC/CEFET-SC
- 3Flexão simplesConhecimentos EspecíficosUma viga de seção retangular cheia, com 12 cm de base e 30 cm de altura, está submetida a um momento fletor máximo de 18 kN.m em torno do eixo horizontal que passa pelo centro de gravidade. Qual é a tensão normal máxima de flexão?Na flexão simples, a tensão máxima é o momento fletor dividido pelo módulo de resistência da seção, que para o retângulo vale b x h²/6. Assim, W = 12 x 30²/6 = 1.800 cm³, e 18 kN.m equivalem a 1.800 kN.cm, de modo que a tensão é 1.800/1.800 = 1 kN/cm², isto é, 10 MPa. Os 20 MPa saem de usar o momento de inércia b x h³/12 com distância igual à altura total; os 25 MPa, de trocar base por altura; os 5 MPa, de dobrar o módulo de resistência; e os 100 MPa, de erro na conversão entre kN.m e kN.cm.
Fonte: Notas de Aula de Resistência dos Materiais I — módulo de resistência e flexão, IFSC/CEFET-SC
- 4Torção em eixoConhecimentos EspecíficosUm eixo maciço de seção circular, com 60 mm de diâmetro, transmite um momento de torção de 2,0 kN.m. Considerando material homogêneo e regime elástico, qual é a tensão de cisalhamento máxima, que ocorre na superfície do eixo?Na torção de eixo circular, a tensão de cisalhamento é o produto do momento de torção pelo raio, dividido pelo momento polar de inércia, que para a seção cheia vale pi x d⁴/32. Logo, o momento polar é pi x 60⁴/32 = 1.272.345 mm⁴ e o raio é 30 mm, resultando (2.000.000 N.mm x 30 mm) / 1.272.345 mm⁴ = 47,2 MPa. Os 23,6 MPa resultam de adotar pi x d⁴/16; os 94,3 MPa, de adotar pi x d⁴/64 ou tomar o raio igual ao diâmetro; e 11,8 MPa e 188,5 MPa decorrem de erros de potência no cálculo de d⁴.
Fonte: Notas de Aula de Resistência dos Materiais I — torção e momento polar de inércia, IFSC/CEFET-SC
- 5Moldagem e curaConhecimentos EspecíficosSegundo a ABNT NBR 5738, no adensamento manual de corpos de prova cilíndricos de concreto moldados em molde de 15 cm de diâmetro, o número de camadas e o número de golpes por camada são, respectivamente:A tabela de adensamento manual da norma associa o molde de 15 cm de diâmetro a três camadas com 25 golpes cada, e o molde de 10 cm a duas camadas com 12 golpes cada. Por isso as combinações com duas camadas descrevem o molde menor, e as que trazem quatro camadas ou doze golpes no molde de 15 cm não constam do texto normativo. A mesma norma fixa altura do corpo de prova igual ao dobro do diâmetro, dimensão básica no mínimo três vezes maior que a dimensão máxima do agregado graúdo e cura em solução saturada de hidróxido de cálcio a 23 graus Celsius, com tolerância de 2 graus.
Fonte: ABNT NBR 5738 — Concreto: moldagem e cura de corpos de prova, tabela de adensamento manual
- 6Ensaio de compressãoConhecimentos EspecíficosUm corpo de prova cilíndrico de concreto de 15 cm de diâmetro e 30 cm de altura rompeu, no ensaio de compressão axial, sob carga de 530 kN. Dividindo-se a carga de ruptura pela área da seção transversal, qual é a resistência à compressão obtida?A resistência é a carga de ruptura dividida pela área da seção transversal do corpo de prova. Para diâmetro de 15 cm, essa área vale pi x d²/4 = pi x 225/4 = 176,7 cm². Assim, 530 kN divididos por 176,7 cm² resultam em 3,0 kN/cm², isto é, 30,0 MPa. Os 7,5 MPa vêm de usar pi x d² sem o divisor 4; os 11,8 MPa, de usar a área retangular de 15 cm por 30 cm da face lateral; os 15,0 MPa, de dividir a área por 2; e os 60,0 MPa, de dobrar indevidamente o resultado final.
Fonte: ABNT NBR 5739 — Concreto: ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos
- 7Resistência do cimentoConhecimentos EspecíficosNo ensaio normalizado de determinação da resistência à compressão do cimento Portland, a argamassa normal é preparada com 624 g de cimento e areia normal na proporção 1:3 em massa. Qual é a relação água/cimento e a quantidade de areia previstas nesse ensaio?O ensaio fixa 624 g de cimento, 300 g de água — o que corresponde à relação água/cimento de 0,48 — e 1.872 g de areia normal, divididos em quatro frações iguais de 468 g. A proporção 1:3 confirma a areia, pois 624 multiplicado por 3 resulta em 1.872 g; logo, 1.248 g e 1.560 g corresponderiam a proporções 1:2 e 1:2,5, e 2.496 g a 1:4. As relações água/cimento de 0,40, 0,50 e 0,60 não pertencem ao ensaio normalizado, que emprega corpos de prova de 5 cm de diâmetro por 10 cm de altura, em séries de quatro por idade.
- 8Abatimento do troncoConhecimentos EspecíficosNo ensaio de determinação da consistência do concreto pelo abatimento do tronco de cone, o molde normalizado tem base inferior, base superior e altura iguais, respectivamente, a:O molde é um tronco de cone com 200 mm de diâmetro na base inferior, 100 mm na base superior e 300 mm de altura, todos com tolerância de 2 mm, preenchido em três camadas de cerca de um terço da altura, cada uma adensada com 25 golpes da haste de socamento de 16 mm de diâmetro. Inverter as duas bases, alterar a altura para 400 mm, adotar 150 mm ou 250 mm na base inferior ou preencher em duas camadas contraria a norma. O abatimento é a diferença entre a altura do molde e a do concreto desmoldado, expressa em milímetros e arredondada aos 5 mm mais próximos.
Fonte: ABNT NBR NM 67 — Concreto: determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone
- 9Cobrimento nominalConhecimentos EspecíficosEm uma obra de concreto armado classificada na classe de agressividade ambiental II, adotando-se tolerância de execução de 10 mm, os cobrimentos nominais mínimos para lajes e para vigas e pilares são, respectivamente:A tabela de cobrimentos da norma de projeto de estruturas de concreto, construída para tolerância de execução de 10 mm, associa a classe de agressividade ambiental II a 25 mm em lajes e 30 mm em vigas e pilares. Os pares de 35 mm e 40 mm e de 45 mm e 50 mm correspondem às classes III e IV; o par de 20 mm e 25 mm corresponde à classe I; e o par de 30 mm e 35 mm não figura na tabela. O cobrimento é medido da face externa do concreto até a armadura mais próxima, inclusive estribos, e é a principal defesa contra carbonatação e ataque por cloretos.
Fonte: ABNT NBR 6118:2014 — cobrimento nominal e classe de agressividade ambiental
- 10Cisalhamento em pinoConhecimentos EspecíficosUm pino cilíndrico de 25 mm de diâmetro trabalha ao corte simples, transmitindo uma força de 60 kN perpendicular ao seu eixo. Qual é a tensão média de cisalhamento atuante na seção transversal do pino?No corte simples, a tensão média de cisalhamento é a força dividida pela área da seção transversal do pino, que vale pi x d²/4 = pi x 625/4 = 490,9 mm². Assim, 60.000 N divididos por 490,9 mm² resultam em 122,2 MPa. Os 61,1 MPa correspondem ao corte duplo, em que a força se divide por duas seções, situação diferente da descrita; os 30,6 MPa vêm de usar pi x d² como área; os 96,0 MPa, de tratar a seção como quadrada de 25 mm de lado; e os 244,5 MPa, de dividir a área por 2.
Fonte: Notas de Aula de Resistência dos Materiais I — tensão de cisalhamento média, IFSC/CEFET-SC
Bloco 3 — Mecânica dos solos, geologia, estradas e fundações
O item 5 reúne geotecnia, geologia, estradas e fundações. Em uma faixa de dutos, o solo é ao mesmo tempo o suporte e a principal ameaça: entender índices físicos, compactação e resistência ao cisalhamento é o que permite prever problema antes que ele apareça.
Bloco 3 — Mecânica dos solos, geologia, estradas e fundações
- 1Escala granulométricaConhecimentos EspecíficosPela escala granulométrica adotada pela ABNT NBR 6502, que é a referência brasileira para a terminologia de rochas e solos, qual é o intervalo de diâmetros que caracteriza a fração areia média de um solo?A norma fixa a escala em que argila fica abaixo de 0,002 mm; silte, de 0,002 mm a 0,06 mm; areia fina, de 0,06 mm a 0,2 mm; areia média, de 0,2 mm a 0,6 mm; areia grossa, de 0,6 mm a 2,0 mm; pedregulho fino, de 2,0 mm a 6,0 mm; pedregulho médio, de 6,0 mm a 20 mm; e pedregulho grosso, de 20 mm a 60 mm. Por isso o intervalo de 0,002 mm a 0,06 mm é silte, o de 0,06 mm a 0,2 mm é areia fina, o de 0,6 mm a 2,0 mm é areia grossa e o de 2,0 mm a 6,0 mm é pedregulho fino.
Fonte: ABNT NBR 6502 — Rochas e solos: escala granulométrica das frações do solo
- 2Limites de consistênciaConhecimentos EspecíficosUm solo ensaiado em laboratório apresentou limite de liquidez de 52% e limite de plasticidade de 28%. Sobre o índice de plasticidade desse solo e sobre o modo de obtê-lo, é correto afirmar que:O índice de plasticidade é a diferença numérica entre o limite de liquidez e o limite de plasticidade, ou seja, 52% menos 28%, igual a 24%. Ele delimita a faixa de umidade em que o solo permanece no estado plástico, é máximo nas argilas e mínimo nas areias, e é anotado como não plástico quando o solo não apresenta plasticidade. Somar, dividir ou tomar a média dos limites não produz o índice, e igualá-lo ao limite de liquidez ignora a existência do limite de plasticidade. O ensaio de limite de liquidez usa o aparelho de Casagrande e a fração que passa na peneira número 40, de 0,42 mm, tomando-se a umidade correspondente a 25 golpes.
Fonte: DNIT, Manual de Pavimentação (publicação IPR 719) — limites de consistência e plasticidade
- 3Ensaio de compactaçãoConhecimentos EspecíficosNo ensaio normal de Proctor, tal como padronizado para fins rodoviários, a amostra é compactada em molde cilíndrico de aproximadamente 1.000 cm³. As condições de compactação previstas nesse ensaio são:O ensaio normal de Proctor compacta a amostra em três camadas sucessivas, cada uma sob 25 golpes de um soquete de 2,5 kg caindo de 30 cm de altura, com energia específica da ordem de 6 kgf.cm por cm³. A alternativa com cinco camadas, 25 golpes e soquete de 4,5 kg caindo de 45 cm descreve o ensaio modificado, cuja energia é cerca de 25 kgf.cm por cm³. As demais combinações misturam parâmetros dos dois ensaios. Repetindo o procedimento com diferentes umidades, traça-se a curva de compactação, cujo vértice define a umidade ótima e a massa específica aparente seca máxima.
Fonte: DNIT, Manual de Pavimentação (publicação IPR 719) — ensaio normal e modificado de Proctor
- 4Massa específica secaConhecimentos EspecíficosUma amostra de solo coletada em campo apresentou massa específica aparente úmida de 1,92 g/cm³ e teor de umidade de 20,0%, determinado por secagem em estufa. Qual é a massa específica aparente seca correspondente?A massa específica aparente seca é obtida descontando a água: divide-se a massa específica aparente úmida por um mais o teor de umidade expresso em fração. Com 1,92 g/cm³ e umidade de 20,0%, o resultado é 1,92 dividido por 1,20, igual a 1,60 g/cm³. O valor de 2,30 g/cm³ vem de multiplicar por 1,20 em vez de dividir; 1,54 g/cm³, de multiplicar por 0,80; 1,72 g/cm³, de subtrair 0,20 do valor úmido; e 2,40 g/cm³, de dividir por 0,80. Observe que a massa específica seca é sempre menor que a úmida, o que já elimina os dois valores superiores a 1,92 g/cm³.
Fonte: DNIT 164/2013-ME — Solos: compactação, cálculo da massa específica aparente seca
- 5Grau de compactaçãoConhecimentos EspecíficosO ensaio de laboratório indicou massa específica aparente seca máxima de 1,750 g/cm³. No controle de uma camada do corpo de um aterro, mediu-se in situ massa específica aparente úmida de 1,932 g/cm³ com umidade de 12,0%. O grau de compactação obtido é de:Primeiro corrige-se a umidade: 1,932 dividido por 1,12 resulta em massa específica aparente seca in situ de 1,725 g/cm³. O grau de compactação é a razão entre essa massa e a máxima de laboratório: 1,725 dividido por 1,750 é igual a 0,986, ou 98,6%. A especificação de aterros exige, para o corpo do aterro, massa específica aparente seca correspondente a 100% da máxima do ensaio de compactação, de modo que a camada deve ser escarificada, homogeneizada, levada à umidade adequada e recompactada. Os 110,4% resultam de esquecer a correção de umidade, e os 97,1% de multiplicar por 0,88 em vez de dividir por 1,12.
Fonte: DNIT 108/2009-ES — Terraplenagem, aterros: grau de compactação exigido, subseção 5.3.5
- 6Tipos de rochasConhecimentos EspecíficosNo levantamento geológico de um trecho de faixa de dutos, foram identificados afloramentos de granito, de arenito e de gnaisse. Quanto à gênese, essas três rochas classificam-se, respectivamente, como:O granito é rocha ígnea plutônica, formada pelo resfriamento e pela solidificação do magma em profundidade, em câmaras magmáticas, ao lado do gabro e do sienito. O arenito é rocha sedimentar, originada do acúmulo e da compactação de camadas de sedimentos, com cimentação natural dos grãos de areia. O gnaisse é rocha metamórfica, resultante da transformação do granito sob altas pressões e temperaturas sustentadas por longos períodos. Para contraste, o basalto é a rocha vulcânica típica, formada quando o magma chega à superfície como lava, e o mármore é o metamórfico derivado do calcário.
- 7Índice de suporte CalifórniaConhecimentos EspecíficosO ensaio de Índice de Suporte Califórnia compara a pressão necessária para produzir determinada penetração do pistão no corpo de prova de solo com a pressão necessária na brita padronizada. Sobre o procedimento desse ensaio, é correto afirmar que:Após a compactação em cinco camadas iguais, os corpos de prova são colocados imersos em água durante quatro dias, e a penetração é feita em prensa a velocidade constante de 0,05 polegada por minuto. O índice adotado é o maior dos valores obtidos nas penetrações de 0,1 e 0,2 polegada. Logo, não se usa a média nem o menor valor, a imersão não é de 24 horas nem de sete dias, e ela não pode ser suprimida, porque simula justamente a condição mais desfavorável de saturação do subleito em serviço, que é o que interessa ao dimensionamento do pavimento.
Fonte: DNIT, Manual de Pavimentação (publicação IPR 719) — ensaio de Índice de Suporte Califórnia
- 8Classificação de pavimentosConhecimentos EspecíficosNa classificação adotada pelo DNIT, os pavimentos rodoviários dividem-se em flexíveis, semirrígidos e rígidos. A distinção entre o pavimento flexível e o pavimento rígido está em que:O manual define como flexível o pavimento em que todas as camadas sofrem deformação elástica significativa sob o carregamento, de modo que a carga se distribui em parcelas aproximadamente equivalentes entre elas, caso típico da base de brita com revestimento asfáltico. Rígido é aquele cujo revestimento tem elevada rigidez em relação às camadas inferiores e, por isso, absorve praticamente todas as tensões, como nas lajes de concreto de cimento Portland. O semirrígido é caracterizado pela base cimentada, por exemplo solo-cimento sob revestimento asfáltico, e não pelo revestimento. O subleito é sempre estudado, qualquer que seja a modalidade.
Fonte: DNIT, Manual de Pavimentação (publicação IPR 719) — modalidades e constituição de pavimentos
- 9Permeabilidade dos solosConhecimentos EspecíficosEm um permeâmetro, uma amostra de solo com área de seção de 0,05 m² e comprimento de 0,30 m é submetida a uma diferença de carga hidráulica de 0,60 m. Sendo o coeficiente de permeabilidade igual a 2,0 x 10 elevado a -4 m/s, qual é a vazão percolada em regime permanente?A lei de Darcy expressa a vazão como o produto do coeficiente de permeabilidade pela área e pelo gradiente hidráulico. O gradiente é a razão entre a diferença de carga e o comprimento percorrido, 0,60 dividido por 0,30, igual a 2,0, adimensional. Logo a vazão é 2,0 x 10 elevado a -4 multiplicado por 0,05 e por 2,0, resultando 2,0 x 10 elevado a -5 m³/s, ou 20 cm³/s. O valor 1,0 x 10 elevado a -5 corresponde a esquecer o gradiente e adotar 1; o valor 5,0 x 10 elevado a -6 vem de inverter o gradiente; e os dois maiores resultam de usar comprimento ou carga como se fossem áreas.
Fonte: Lei de Darcy e percolação em meios porosos — capítulo de dissertação, PUC-Rio
- 10Fundações profundasConhecimentos EspecíficosNa classificação das fundações segundo a ABNT NBR 6122, a diferença essencial entre fundação superficial e fundação profunda está no mecanismo de transmissão da carga ao terreno. Nas fundações profundas, a carga é transmitida:A norma caracteriza a fundação profunda como o elemento que transmite a carga ao terreno pela base, denominada resistência de ponta, pela superfície lateral, denominada resistência de fuste, ou pela combinação das duas, como ocorre em estacas e tubulões. A fundação superficial, ao contrário, apoia-se nas camadas mais próximas da superfície e transmite a carga essencialmente pela base, como em blocos, sapatas e radiers. Por isso, restringir a transmissão apenas à ponta ou apenas ao fuste, condicioná-la ao método de escavação ou amarrá-la a um limite de três metros descreve incorretamente o conceito.
Fonte: ABNT NBR 6122:2019 — resistência de ponta e de fuste nas fundações profundas
Bloco 4 — Contenção, sondagens, ensaios e instrumentação
Os itens 6 a 10 cobrem contenção de encostas, drenagem, sondagens geotécnicas, ensaios de campo e de laboratório e instrumentação de solos e de estruturas de concreto e metálicas. É o bloco mais específico da ênfase e o mais distante do currículo comum.
Bloco 4 — Contenção, sondagens, ensaios e instrumentação
- 1Sondagem SPTConhecimentos EspecíficosNa sondagem de simples reconhecimento com medida do índice de resistência à penetração, normalizada pela ABNT NBR 6484, a cravação do amostrador é feita por golpes de um martelo em queda livre. A massa desse martelo e a altura de queda são, respectivamente:O ensaio emprega martelo de 65 kg erguido 75 cm acima do topo da cabeça de bater, em queda livre, e amostrador padrão com 34,9 mm de diâmetro interno e 50,8 mm de diâmetro externo. Trocar a massa para 45, 60 ou 75 kg, ou a altura para 50, 65 ou 100 cm, altera a energia de cravação e torna os resultados incomparáveis entre furos e entre obras, já que o índice de resistência depende diretamente da energia aplicada. Essa é a razão pela qual a norma padroniza rigidamente esses dois valores e o próprio amostrador.
- 2Índice de penetraçãoConhecimentos EspecíficosDurante um ensaio SPT, a cravação de 45 cm do amostrador em um metro de sondagem consumiu 4 golpes nos primeiros 15 cm, 7 golpes nos 15 cm seguintes e 9 golpes nos últimos 15 cm. O índice de resistência à penetração registrado nesse metro é de:O índice de resistência à penetração é o somatório do número de golpes correspondente aos últimos 30 cm de cravação do amostrador, isto é, aos dois últimos segmentos de 15 cm: 7 mais 9, igual a 16 golpes. Os primeiros 15 cm são descartados porque o solo do fundo do furo foi perturbado pela perfuração e pela limpeza, o que falsearia a medida. Por isso somar os três segmentos, usar apenas o último, usar apenas o intermediário ou somar os dois primeiros não corresponde à definição normalizada do índice.
- 3Estabilidade de encostasConhecimentos EspecíficosNa análise de estabilidade de um talude situado junto a uma ocupação habitada, adotou-se nível de segurança alto contra a perda de vidas humanas e nível médio contra danos materiais e ambientais. Pela ABNT NBR 11682, o fator de segurança mínimo exigido é:A norma cruza dois níveis de segurança desejados, um contra a perda de vidas humanas e outro contra danos materiais e ambientais, em uma tabela de fatores de segurança mínimos. Quando o nível contra a perda de vidas humanas é alto, o fator mínimo é 1,5 nas combinações com nível alto e médio de danos materiais, caindo para 1,4 apenas quando esse segundo nível é baixo. O valor 1,2 aplica-se quando ambos os níveis são baixos, e 1,3 em combinações de níveis baixo e médio. Não há previsão de 1,1 na tabela, e a norma admite acréscimo de 10% quando há grande variabilidade nos ensaios.
Fonte: ABNT NBR 11682:2009 — Estabilidade de encostas: tabela de fatores de segurança mínimos
- 4Obras de contençãoConhecimentos EspecíficosNa escolha entre uma cortina atirantada e uma solução em solo grampeado para estabilizar um corte ao longo de uma faixa de dutos, a diferença conceitual entre o tirante e o grampo está em que:O tirante é elemento ativo: recebe protensão por macaco hidráulico no momento da instalação e passa a aplicar força contra o maciço antes de qualquer deslocamento apreciável. O grampo é passivo: não é protendido e só desenvolve resistência quando o solo se deforma e o mobiliza. Daí decorre que a cortina atirantada limita deslocamentos desde o início, enquanto o solo grampeado admite pequenas deformações para entrar em carga. Dizer que ambos são ativos ou ambos passivos, inverter os papéis ou atribuir a um deles resistência exclusiva ao cisalhamento desfigura o funcionamento das duas soluções. O projeto e a execução de tirantes seguem a ABNT NBR 5629.
- 5Drenos sub-horizontaisConhecimentos EspecíficosOs drenos sub-horizontais profundos são instalados em perfurações executadas na parede do talude, com inclinação próxima à horizontal. Conforme o Manual de Drenagem de Rodovias do DNIT, a sua função principal é:O manual indica os drenos sub-horizontais para prevenção e correção de escorregamentos cuja causa determinante é a elevação do lençol freático ou do nível piezométrico de lençóis confinados. São tubos ranhurados introduzidos em perfurações quase horizontais no talude; drenam a água e aliviam a pressão nos poros, e o próprio manual considera ainda mais importante que esse alívio a mudança da direção do fluxo, orientando a percolação para um sentido que contribui para o aumento da estabilidade. Eles não captam águas superficiais da plataforma, não injetam cimento, não trabalham à tração e nada têm a ver com esgoto sanitário.
Fonte: DNIT, Manual de Drenagem de Rodovias (IPR 724), item 5.4 — drenos sub-horizontais
- 6Drenos profundosConhecimentos EspecíficosNa drenagem subterrânea de rodovias, os drenos profundos são instalados preferencialmente em profundidades da ordem de 1,50 m a 2,00 m, em trechos de corte e junto ao pé dos taludes. O objetivo principal desse dispositivo é:O manual é expresso ao afirmar que os drenos profundos têm por objetivo principal interceptar o fluxo da água subterrânea por meio do rebaixamento do lençol freático, impedindo-o de atingir o subleito; são indicados em trechos de corte, em terrenos planos com lençol próximo do subleito e em áreas saturadas junto ao pé dos taludes. Nos cortes, recomenda-se instalá-los a no mínimo 1,50 m do pé do talude, para não criar instabilidade. Eles não são reservatórios de água, não ancoram o pavimento e não substituem a valeta de proteção de corte, que é dispositivo de drenagem superficial.
Fonte: DNIT, Manual de Drenagem de Rodovias (IPR 724), item 5.1 — drenos profundos
- 7Ensaio de palhetaConhecimentos EspecíficosO ensaio de palheta in situ é empregado na investigação de depósitos de argila mole, situação frequente em travessias de baixada ao longo de faixas de dutos. Esse ensaio fornece diretamente:No ensaio de palheta, uma palheta cruciforme é cravada no solo e girada a velocidade padronizada de 6 graus por minuto; do torque de ruptura obtém-se a resistência ao cisalhamento não drenada da argila, além de estimativas de sensibilidade e de razão de pré-adensamento. A palheta normalizada para argilas moles tem 65 mm de largura por 130 mm de altura. A permeabilidade vem de ensaios de carga constante ou variável, a umidade ótima vem do ensaio de compactação, o índice de penetração vem do SPT e o ângulo de atrito efetivo exige ensaio drenado, de modo que nenhum desses parâmetros é resultado direto da palheta.
Fonte: ABNT NBR 10905 — Solo: ensaio de palheta in situ, dissertação da Unipampa
- 8Ensaio de coneConhecimentos EspecíficosNo ensaio de penetração estática de cone, a ponta cônica padronizada tem ângulo de ápice e área de base definidos, e a cravação é feita a velocidade constante. Esses parâmetros são, respectivamente:A ponta padronizada do ensaio de cone tem 60 graus de ângulo de ápice e 10 cm² de área de base, admitindo-se também 15 cm², e é cravada a velocidade de 20 mm/s, com tolerância de 5 mm/s, registrando-se leituras a cada 2 cm. Os parâmetros medidos são a resistência de ponta, o atrito lateral e, na versão com piezocone, a poropressão. Ângulos de 30, 45 ou 90 graus, área de 20 cm² e velocidades de 10, 50 ou 60 mm/s não correspondem à padronização, e espaçamentos de leitura de 10 a 50 cm desperdiçariam a principal vantagem do ensaio, que é o perfil praticamente contínuo.
Fonte: Ensaio de cone CPT e CPTu: geometria e velocidade de cravação, dissertação da Unipampa
- 9Instrumentação geotécnicaConhecimentos EspecíficosNo monitoramento de um talude instrumentado ao longo de uma faixa de dutos, foram instalados piezômetros, indicadores de nível d’água, inclinômetros e marcos superficiais. A grandeza medida especificamente pelo inclinômetro é:O inclinômetro mede deslocamentos horizontais: uma sonda percorre um tubo-guia instalado no maciço e registra, em intervalos ao longo da profundidade, a inclinação do tubo, de onde se calcula o perfil de deslocamento e se identifica a profundidade da superfície de ruptura. A pressão neutra nos poros é medida pelo piezômetro; a posição do lençol freático, pelo indicador de nível d’água; a vazão, pelos medidores de vazão; e a tensão total exercida sobre o concreto, pelas células de pressão total. Os marcos superficiais, por sua vez, fornecem deslocamentos verticais e horizontais da superfície, por levantamento topográfico periódico.
Fonte: Instrumentação geotécnica: piezômetro, indicador de nível, inclinômetro e marco superficial, UFU
- 10Ensaios não destrutivosConhecimentos EspecíficosPara avaliar in loco uma estrutura de concreto existente na faixa de dutos, foram cogitados o ensaio esclerométrico e o ensaio de velocidade de propagação de onda ultrassônica. Sobre esses dois ensaios, é correto afirmar que:O ensaio esclerométrico mede a dureza superficial do concreto pelo ressalto do êmbolo, permitindo inferir a qualidade apenas de forma superficial, e a norma não admite mais de um impacto sobre o mesmo ponto. O ensaio de velocidade de propagação de onda ultrassônica atravessa a massa do concreto e é sensível a vazios e fissuras internas. Ambos são ensaios não destrutivos e de caráter indicativo: a resistência à compressão do concreto da estrutura é determinada por ensaio em testemunhos extraídos, cuja esbeltez deve ficar entre 1 e 2. Nenhum dos dois mede cobrimento, posição de armadura, umidade ou carbonatação.
Fonte: ABNT NBR 7584 (esclerometria) e NBR 8802 (ultrassom): ensaios não destrutivos em concreto
Bloco 5 — Segurança, meio ambiente, orçamento e custos
Os itens 12 e 13 fecham o programa com segurança do trabalho e meio ambiente e noções de orçamento e custos. Como a finalidade da ênfase inclui fiscalizar contratos, medição, composição de custo e BDI deixam de ser assunto de escritório e viram rotina de campo.
Bloco 5 — Segurança, meio ambiente, orçamento e custos
- 1Trabalho em alturaConhecimentos EspecíficosA Norma Regulamentadora nº 35 estabelece requisitos e medidas de prevenção para o trabalho em altura. Conforme o seu campo de aplicação, considera-se trabalho em altura toda atividade realizada com diferença de nível:O campo de aplicação da norma abrange toda atividade com diferença de nível acima de 2,0 m do nível inferior onde haja risco de queda. Os dois elementos são cumulativos: a altura e a existência de risco de queda. Por isso as alturas de 1,0 m, 1,8 m, 2,5 m e 3,0 m estão fora do texto normativo, e também é incorreto restringir a norma a canteiros da construção civil ou ao emprego de andaimes suspensos, pois ela alcança qualquer atividade, em qualquer setor econômico, que preencha essas duas condições simultaneamente.
Fonte: NR-35 — Trabalho em Altura, item 35.2.1, Ministério do Trabalho e Emprego
- 2Capacitação em alturaConhecimentos EspecíficosSobre a capacitação do trabalhador para o trabalho em altura, a NR-35 fixa carga horária mínima e periodicidade para os treinamentos inicial e periódico. Esses parâmetros são, respectivamente, treinamento:A norma exige treinamento inicial com carga horária mínima de 8 horas, realizado antes de o trabalhador iniciar a atividade, e treinamento periódico a cada dois anos, igualmente com carga horária mínima de 8 horas, conforme conteúdo programático definido pelo empregador. Os treinamentos devem ser ministrados na modalidade presencial, por instrutores com comprovada proficiência, sob a responsabilidade de profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança do trabalho. Cargas de 4, 16 ou 40 horas e periodicidades anual, trienal ou de cinco anos não constam do texto.
Fonte: NR-35 — Trabalho em Altura, itens 35.4.2.1, 35.4.2.2 e 35.4.5, Ministério do Trabalho e Emprego
- 3Escavações em obraConhecimentos EspecíficosNa execução de escavações em canteiro de obras, a NR-18 impõe medidas que variam em função da profundidade. Para escavações com profundidade superior a 1,25 m, a norma exige:A norma determina que as escavações com profundidade superior a 1,25 m sejam protegidas com taludes ou escoramentos definidos em projeto elaborado por profissional legalmente habilitado e disponham de escadas ou rampas colocadas próximas aos postos de trabalho, para permitir saída rápida em caso de emergência. Exige também liberação e autorização do profissional habilitado para iniciar a escavação, faixa de proteção de no mínimo 1 m livre de cargas nas bordas e inspeção diária dos escoramentos, e não quinzenal. A sinalização é obrigatória, mas não substitui a contenção, e o talude é alternativa legítima ao escoramento quando previsto em projeto.
Fonte: NR-18 — Indústria da Construção, itens 18.7.2.3 a 18.7.2.11, Ministério do Trabalho e Emprego
- 4Proteção de periferiaConhecimentos EspecíficosQuando a proteção contra queda na periferia da edificação é feita com anteparos rígidos em sistema de guarda-corpo e rodapé, a NR-18 fixa alturas mínimas para o travessão superior, o travessão intermediário e o rodapé. Esses valores são:A norma estabelece travessão superior a 1,2 m de altura, com resistência à carga horizontal de 90 kgf/m, travessão intermediário a 0,7 m, com 66 kgf/m, e rodapé com altura mínima de 0,15 m rente à superfície, com 22 kgf/m, devendo os vãos entre travessas ser preenchidos com tela ou dispositivo equivalente. Quando o anteparo rígido faz o fechamento total do vão, a altura mínima também é de 1,2 m. Os conjuntos que trazem 1,0 m, 0,9 m ou 1,5 m no travessão superior, ou rodapé de 0,10 m ou 0,20 m, não correspondem ao texto da norma.
Fonte: NR-18 — Indústria da Construção, item 18.9.4.2, Ministério do Trabalho e Emprego
- 5Tubulão escavado manualmenteConhecimentos EspecíficosA NR-18 impõe limites específicos ao emprego de tubulão escavado manualmente, atividade que combina riscos de espaço confinado e de trabalho em altura. Entre esses limites normativos estão:A norma proíbe o tubulão escavado manualmente com profundidade superior a 15 m e exige que ele seja encamisado em toda a sua extensão, com diâmetro mínimo de 0,9 m, além de execução após sondagem ou estudo geotécnico local quando a profundidade for superior a 3 m. A atividade deve ser precedida de plano de resgate e remoção, e os trabalhadores precisam de capacitação específica articulada com a NR-33, de espaços confinados, e com a NR-35, de trabalho em altura. Por isso não há profundidade livre, o diâmetro mínimo não é 0,6 m nem 0,8 m, e o encamisamento não é parcial nem facultativo.
Fonte: NR-18 — Indústria da Construção, itens 18.7.2.16 a 18.7.2.19, Ministério do Trabalho e Emprego
- 6Resíduos sólidosConhecimentos EspecíficosA Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece, na gestão e no gerenciamento de resíduos sólidos, uma ordem de prioridade que deve ser observada pelos geradores. Essa ordem é:A lei fixa a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. A sequência é lógica e descendente: primeiro evitar que o resíduo exista, depois diminuí-lo, depois recolocá-lo em uso, depois transformá-lo em matéria-prima, depois tratá-lo e, somente no fim, dispor o que restou. As demais alternativas invertem etapas, colocando reciclagem ou tratamento à frente da não geração, ou a disposição final antes do tratamento. Rejeito, para a lei, é o resíduo que já esgotou todas as possibilidades de tratamento e recuperação economicamente viáveis.
Fonte: Lei nº 12.305/2010, art. 9º — ordem de prioridade na gestão de resíduos sólidos, Planalto
- 7Resíduos da construçãoConhecimentos EspecíficosA Resolução CONAMA nº 307/2002, com as alterações posteriores, classifica os resíduos da construção civil em quatro classes, com destinações distintas. Sobre essa classificação, é correto afirmar que:A resolução define a classe A como a dos resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, nela incluídos os solos provenientes de terraplanagem, os componentes cerâmicos como tijolos, blocos e telhas e as peças pré-moldadas de concreto geradas no canteiro. A classe B é a dos recicláveis para outras destinações, isto é, plásticos, papel e papelão, metais, vidros, madeiras e, após a Resolução CONAMA nº 431/2011, também o gesso. A classe C reúne os resíduos para os quais não há tecnologia ou aplicação economicamente viável de reciclagem, e a classe D é a dos perigosos, como tintas, solventes e óleos.
Fonte: Resolução CONAMA nº 307/2002, art. 3º, com a alteração da Resolução CONAMA nº 431/2011
- 8Orçamento de obrasConhecimentos EspecíficosNo planejamento da contratação de obras e serviços de engenharia pela Administração Pública, a Lei nº 14.133/2021 define como o valor previamente estimado deve ser composto. Segundo essa lei, esse valor deve ser obtido a partir de:A lei determina que o valor previamente estimado da contratação seja compatível com os valores praticados pelo mercado e, no caso de obras e serviços de engenharia, obtido mediante composição de custos unitários menores ou iguais à mediana do item correspondente do Sistema de Custos Referenciais de Obras, o Sicro, ou do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, o Sinapi, acrescido do percentual de Benefícios e Despesas Indiretas. A mesma lei admite que o orçamento estimado tenha caráter sigiloso quando justificado, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos quantitativos.
Fonte: Lei nº 14.133/2021, art. 23, § 2º — Sinapi, Sicro e BDI no orçamento de obras, Planalto
- 9Composição do BDIConhecimentos EspecíficosEm planilhas orçamentárias de obras públicas, o Tribunal de Contas da União determina que certos custos não sejam embutidos na taxa de BDI, devendo aparecer discriminados entre os custos diretos. Entre esses custos estão:O acórdão determina que a administração local, o canteiro de obras e a mobilização e desmobilização sejam discriminados na planilha orçamentária de custos diretos, e não diluídos na taxa de BDI, porque variam com o prazo e o porte de cada obra. O BDI, por sua vez, é composto de administração central, seguro e garantia, risco, despesas financeiras, lucro e tributos, combinados pela expressão em que o produto de um mais a soma de administração central, seguro, garantia e risco, por um mais a despesa financeira e por um mais o lucro, é dividido por um menos os tributos. Logo, administração central, lucro, despesas financeiras, seguros, riscos e tributos são itens próprios do BDI.
Fonte: Acórdão TCU nº 2.622/2013-Plenário, subitem 9.3.2.1 — administração local fora do BDI
- 10Cálculo do BDIConhecimentos EspecíficosO custo direto total de um serviço de recomposição de faixa de dutos foi orçado em R$ 850.000,00. Aplicando-se uma taxa de BDI de 24,00% sobre esse custo direto, qual é o preço de venda a ser lançado na planilha orçamentária?O BDI é uma taxa aplicada sobre o custo direto para obter o preço de venda, de modo que o preço é o custo direto multiplicado por um mais o BDI. Assim, 850.000,00 multiplicados por 1,24 resultam em R$ 1.054.000,00. O valor de R$ 874.000,00 resulta de somar 24.000 em vez de aplicar 24%; o de R$ 646.000,00, de multiplicar por 0,76; o de R$ 1.024.000,00, de aplicar a taxa apenas sobre parte do custo; e o de R$ 1.118.421,05, de dividir o custo por 0,76, procedimento que corresponderia a um BDI calculado por dentro. Note que a diferença de R$ 204.000,00 é exatamente 24% de R$ 850.000,00.
Fonte: Acórdão TCU nº 2.622/2013-Plenário e planilha de composição de BDI — Polícia Federal
As relações que a prova cobra, num lugar só
| Conceito | Relação ou definição | Onde cai |
|---|---|---|
| Escala de desenho | 1:100 significa 1 cm no papel para 100 cm no terreno | Desenho técnico |
| Tensão normal | Força axial dividida pela área da seção; 1 N/mm² equivale a 1 MPa | Resistência dos materiais |
| Lei de Hooke | Tensão proporcional à deformação, com o módulo de elasticidade como constante | Resistência dos materiais |
| Momento máximo | Viga biapoiada com carga uniforme: carga vezes vão ao quadrado, dividido por oito | Flexão |
| Fator água-cimento | Quanto maior, menor a resistência e maior a porosidade | Tecnologia do concreto |
| Aço CA-50 | Resistência característica de escoamento de 500 MPa | Materiais |
| Índice de vazios | Volume de vazios dividido pelo volume de sólidos | Mecânica dos solos |
| Grau de saturação | Volume de água dividido pelo volume de vazios | Mecânica dos solos |
| Índice de plasticidade | Limite de liquidez menos limite de plasticidade | Limites de Atterberg |
| Proctor | Umidade ótima é a que produz a máxima massa específica aparente seca | Compactação |
| Mohr-Coulomb | Resistência ao cisalhamento é coesão mais atrito, este proporcional à tensão efetiva | Resistência dos solos |
| SPT | Número de golpes para cravar o amostrador nos últimos 30 cm | Sondagem |
| Piezômetro e inclinômetro | O primeiro mede poropressão; o segundo, deslocamento horizontal | Instrumentação |
| Escavação | Acima de 1,25 m exige escoramento ou taludamento das paredes | Segurança do trabalho |
| BDI | Benefícios e despesas indiretas aplicados como percentual sobre o custo direto | Orçamento |
Metodologia e limitações desta aula
Analisamos o Anexo IV do edital e apuramos os 13 itens do programa da ênfase Faixa de Dutos. Agrupamos os 13 em cinco blocos por afinidade de conteúdo, escrevemos as 50 questões e conferimos cada resolução contra a definição corrente na literatura de topografia, resistência dos materiais, tecnologia do concreto, mecânica dos solos e orçamento de obras. Nenhuma questão foi copiada de prova anterior.
Limitações desta apuração, ditas com todas as letras: a divisão dos 13 itens em cinco blocos é nossa e serve para organizar o estudo, não corresponde a proporção declarada pela banca; o edital não indica quantas das 40 questões cabem a cada item; as normas técnicas da ABNT citadas na prática construtiva são privadas e pagas, e por isso tratamos delas pelo conceito; e valores numéricos de norma podem ser revisados — confira sempre a versão vigente.
Se você encontrar erro em qualquer questão ou resolução, escreva para nós. Corrigimos e registramos a correção na própria página.
Fontes
- Fundação Cesgranrio — banca responsável, onde o edital e os gabaritos oficiais são publicados.
- Normas Regulamentadoras vigentes — Ministério do Trabalho e Emprego, referência das exigências de escavação e trabalho em altura.
- Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM 2012), Inmetro — definições de medição usadas nos ensaios.
- Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes — referência pública de terminologia de pavimentos e terraplenagem.
O que fazer depois desta aula
Conforme o subitem 7.1.4.3 do edital, Conhecimentos Específicos elimina quem fica abaixo de 50% — menos de 20 acertos nas 40 questões. Se você errou muito em um bloco só, a lacuna é de conteúdo e vale voltar a ele antes de seguir. Se os erros ficaram espalhados, o problema costuma ser de atenção sob pressão, e o caminho é o simulado cronometrado.
Vale lembrar que Português e Matemática também eliminam, e que, entre os habilitados, a classificação final é a soma algébrica das duas fases, conforme o subitem 7.1.4.2.2.
