O salário médio de admissão no Brasil em junho de 2026 foi de R$ 2.404,34. São Paulo admitiu acima da média, a R$ 2.724,94; Rio de Janeiro a R$ 2.358,97 e Minas Gerais a R$ 2.269,85. Antes de usar esses números para negociar, vale entender exatamente o que eles medem — e o que não medem.

O Caged mostra salário por profissão?

O sumário executivo mensal, não. E é importante dizer isso de saída, porque muita matéria apresenta “salário do técnico de segurança segundo o Caged” sem indicar de onde tirou.

O Novo Caged publica o salário médio de admissão no agregado e por unidade da federação. Recorte por ocupação — por código da CBO — não está no sumário: ele exige trabalhar os microdados mensais, que o Ministério publica separadamente. Quem apresenta média salarial por profissão a partir do sumário está usando um dado que não está lá.

Preferimos entregar o que é verificável e dizer onde está o resto, a estimar um número e apresentá-lo como oficial.

Quanto é a média de admissão hoje?

R$ 2.404,34 em junho de 2026, no conjunto do país. Entre os três maiores estados:

Unidade da federaçãoSalário médio de admissão (jun/2026)
São PauloR$ 2.724,94
Rio de JaneiroR$ 2.358,97
Minas GeraisR$ 2.269,85
BrasilR$ 2.404,34

Note que o Rio de Janeiro e Minas Gerais admitem abaixo da média nacional, mesmo sendo o segundo e o terceiro maiores mercados formais. É São Paulo que puxa a média para cima.

Por que “de admissão” muda tudo?

Porque não é o salário de quem já está empregado. O indicador registra o valor com que os contratos novos começam, e quem entra tende a entrar abaixo do salário de quem tem tempo de casa e progressão.

Duas consequências práticas. Primeira: usar a média de admissão como parâmetro de reajuste para quem já está na empresa compara coisas diferentes. Segunda: em períodos de forte contratação de entrada, a média de admissão pode cair sem que ninguém tenha perdido salário — muda a composição de quem está sendo contratado, não a remuneração individual.

Onde estão os empregos que puxam esses salários?

Vale cruzar com o saldo regional do mesmo mês, porque volume e valor não andam juntos:

RegiãoSaldo de empregos (jun/2026)
Sudeste+70.383
Nordeste+34.433
Centro-Oeste+19.617
Sul+10.453
Norte+9.633

O Sudeste lidera nos dois quesitos, mas o Sul mostra o cuidado necessário com médias regionais: o saldo positivo da região veio quase todo do Paraná (+8.483), com Santa Catarina em +808 e Rio Grande do Sul em +1.162.

O que explica a diferença entre os estados?

Composição setorial, principalmente. Um estado cujo saldo do mês veio de Serviços urbanos qualificados admite com média mais alta do que um estado cujo saldo veio de Agropecuária sazonal — sem que isso signifique que um pague melhor pela mesma função.

Junho de 2026 dá um exemplo claro. Mato Grosso teve saldo de +8.258 postos, acima de Goiás (+3.780) e do Distrito Federal (+5.504), num mês em que a Agropecuária somou +22.898 vagas no país. Já São Paulo, com +34.981, tem peso muito maior de Serviços e Indústria.

Por isso a comparação útil não é entre médias estaduais, e sim entre a média do seu estado e a proposta que você recebeu, para a sua ocupação. Média de estado contra média de estado compara mercados com composições diferentes.

E quem quer trabalhar com segurança do trabalho?

Aqui é preciso separar dado de raciocínio. O dado é que Indústria (+14.438) e Construção (+14.136) cresceram em junho, e são setores em que a legislação de SST impõe estruturas próprias — SESMT, CIPA, programas e treinamentos.

O raciocínio é que crescimento nesses setores tende a puxar demanda por profissionais de segurança. Isso é inferência razoável, não medição: o Caged não informa quantas dessas admissões foram de técnicos ou engenheiros de segurança. Estamos rotulando assim de propósito.

Quem precisa do número real deve ir aos microdados do Caged e filtrar pela CBO da ocupação. É trabalhoso, é público e é a única forma honesta de responder.

Como consultar o dado por profissão você mesmo?

O caminho existe e é público. O Ministério do Trabalho e Emprego publica, junto com o sumário executivo, os microdados mensais do Caged — arquivos com um registro por movimentação, contendo a CBO da ocupação, a UF, o município, o setor pela CNAE e o salário.

Com esse arquivo é possível filtrar exatamente a ocupação que interessa e calcular a média de admissão dela, por estado. O que o sumário entrega pronto, o microdado entrega em bruto: é mais trabalho e mais precisão.

Duas cautelas ao fazer isso. A média de uma ocupação com poucas movimentações em uma UF pequena oscila muito de mês para mês — convém somar vários meses. E a CBO agrupa funções com títulos diferentes, então o recorte precisa ser conferido antes de virar manchete.

Média estatística vale mais que piso da categoria?

Não. A média do Caged descreve o que aconteceu; o piso da convenção coletiva determina o que deve acontecer. São naturezas distintas, e na hora de conferir um salário oferecido o piso é a referência que vincula.

A própria CLT reconhece o peso da negociação coletiva. O art. 611-A estabelece que a convenção e o acordo coletivo “têm prevalência sobre a lei” nas matérias que lista, e o inciso IX trata de “remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado, e remuneração por desempenho individual”.

Ou seja: use a média para saber se a proposta está dentro do praticado, e o piso para saber se ela é legal. As duas perguntas são diferentes, e só a segunda tem resposta obrigatória.

O que fazer agora

  1. Use a média do seu estado, não a nacional — a diferença entre SP e a média do país passa de R$ 300.
  2. Não compare com o salário de quem já está na empresa. O indicador é de entrada.
  3. Cheque o piso da categoria na convenção coletiva: ele prevalece sobre qualquer média estatística.
  4. Para dado por profissão, vá aos microdados do Caged e filtre pela CBO.
  5. Releia no mês seguinte. A série é revisada quando entram declarações fora do prazo.

Como apuramos

Os valores vieram do sumário executivo do Novo Caged de junho de 2026 e do texto de divulgação oficial do Ministério do Trabalho e Emprego. Procuramos especificamente por recorte de salário por ocupação e por região no sumário: não consta. O documento traz o agregado nacional e valores por unidade da federação.

Limitações. Não estimamos salário por profissão e não convertemos dado de UF em dado de região. Onde a fonte não abre o número, dissemos que não abre.

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Fontes

Só documentos oficiais.