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Carteira assinada em 2026: o que o Caged diz sobre quem está contratando

145.161 vagas líquidas em junho e 942.854 em doze meses. Veja o saldo por setor, por região e o salário médio de admissão — com o que o Caged não mede.

Fila de pessoas vistas de costas e desfocadas em corredor de agência de atendimento
Ilustração editorial para orientar a leitura.

Em junho de 2026 o mercado formal brasileiro abriu 145.161 vagas líquidas — resultado de 2.220.131 admissões contra 2.074.970 desligamentos. Nos doze meses encerrados em junho, o saldo é de 942.854 empregos. O salário médio de admissão no mês foi de R$ 2.404,34.

De onde vêm esses números?

Do Novo Caged, a estatística oficial do Ministério do Trabalho e Emprego construída a partir das declarações que as próprias empresas fazem ao eSocial. Não é pesquisa amostral: é registro administrativo do emprego formal celetista.

Isso define o que ele mede e o que ele não mede. Fica de fora quem trabalha por conta própria, quem é MEI, quem é servidor estatutário e quem está na informalidade. Quando o Caged diz “saldo”, está dizendo admissões menos desligamentos — não vagas anunciadas.

Quais setores puxaram o resultado?

Todos os cinco grandes setores fecharam junho no positivo, o que não é comum:

SetorSaldo em junho/2026
Serviços+74.514
Agropecuária+22.898
Comércio+19.177
Indústria+14.438
Construção+14.136

Serviços responde sozinho por mais da metade do saldo do mês. A Agropecuária aparecer em segundo lugar é um efeito sazonal conhecido do meio do ano, ligado ao calendário de safra — vale ler o número no mês seguinte antes de tratá-lo como tendência.

E por região?

O Sudeste concentrou quase metade do saldo nacional:

RegiãoSaldo em junho/2026
Sudeste+70.383
Nordeste+34.433
Centro-Oeste+19.617
Sul+10.453
Norte+9.633

Um detalhe que a leitura por região esconde: o Sul só ficou positivo por causa do Paraná (+8.483). Santa Catarina somou +808 e o Rio Grande do Sul, +1.162. E duas unidades da federação fecharam o mês no vermelho — Espírito Santo (-2.259) e Tocantins (-135).

Onde estão as maiores diferenças entre estados?

A distância entre o topo e a base é maior do que a média nacional deixa ver. São Paulo sozinho somou +34.981 postos em junho, quase um quarto do saldo do país. Minas Gerais fez +20.805 e o Rio de Janeiro, +16.856.

No outro extremo, sete unidades da federação ficaram abaixo de mil postos no mês: Rio Grande do Norte (+287), Roraima (+203), Rondônia (+108), Sergipe (+599), Santa Catarina (+808), Acre (+980) — e duas fecharam negativas, Espírito Santo (-2.259) e Tocantins (-135).

No Nordeste, a Bahia liderou com +8.985, seguida de Pernambuco (+6.162), Ceará (+5.291), Maranhão (+4.948) e Piauí (+3.023). No Centro-Oeste, Mato Grosso (+8.258) superou o Distrito Federal (+5.504) e Goiás (+3.780) — reflexo do peso da Agropecuária no mês.

Conferimos a aritmética: a soma das UFs de cada região reproduz exatamente o saldo regional publicado, e a soma das cinco regiões fecha nos 145.161 do total nacional. Fazemos essa checagem porque ela é o teste mais simples de que a leitura da tabela está correta.

Quanto se paga na admissão?

O salário médio de admissão em junho de 2026 foi de R$ 2.404,34. Entre os maiores estados, São Paulo admitiu a R$ 2.724,94 em média, o Rio de Janeiro a R$ 2.358,97 e Minas Gerais a R$ 2.269,85.

Atenção ao que esse número é: média de admissão, não salário médio de quem já está empregado. Quem entra costuma entrar abaixo da média do estoque, então o indicador diz mais sobre o piso de entrada do mercado do que sobre remuneração em geral.

Quantas pessoas mudaram de emprego no mês?

Muito mais do que o saldo sugere. Foram 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos em junho. O saldo de 145.161 é a diferença entre os dois — pouco mais de 6% do volume de admissões.

Essa proporção diz algo que a manchete não diz: o mercado formal brasileiro movimenta, todo mês, um contingente que é quinze vezes maior que o crescimento líquido. A maior parte das contratações está repondo quem saiu, não expandindo o quadro.

Para quem procura emprego, a leitura prática é boa: mesmo em mês de saldo modesto, há milhões de admissões acontecendo. Para quem analisa o mercado, é um alerta contra confundir saldo com dinamismo.

O saldo de junho é bom ou ruim?

Depende da referência, e vale dar as duas. No acumulado de doze meses até junho, o país somou 942.854 empregos formais. No primeiro semestre de 2026, foram 921.645 — número que consta da divulgação oficial do Ministério.

Comparar o mês isolado com o acumulado é o que evita erro de leitura. Junho, sozinho, representa cerca de 15% do saldo do semestre. Se a média semestral se mantivesse, junho estaria ligeiramente abaixo dela.

Não fazemos projeção a partir disso, e recomendamos que você também não faça: um único mês não sustenta previsão, e o próprio dado é revisado nas divulgações seguintes.

O que o Caged não responde

Três limites que valem declarar, porque mudam a leitura:

  1. Não mede vagas abertas. Saldo positivo com muita rotatividade é diferente de saldo positivo com pouca — e o Caged registrou mais de 2,2 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos no mesmo mês.
  2. Não cobre informalidade nem MEI. Para isso a referência é a PNAD Contínua do IBGE, com metodologia e periodicidade diferentes.
  3. É revisado. Declarações fora do prazo entram depois, e os números de meses anteriores mudam nas divulgações seguintes.

O que fazer agora

  1. Olhe o setor antes da região. Serviços concentra o saldo em quase todo o país.
  2. Cheque o número da sua UF, não o da região — o Sul de junho mostra por quê.
  3. Compare com o salário médio de admissão do seu estado antes de negociar.
  4. Acompanhe a série, não o mês. Um mês isolado carrega sazonalidade.
  5. Consulte a fonte direto. O sumário executivo é público e sai todo mês.

Como apuramos

Todos os números vieram do sumário executivo do Novo Caged de junho de 2026, publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e do texto de divulgação oficial. Conferimos a consistência interna: a soma dos saldos das unidades da federação bate exatamente com o saldo de cada região, e a soma das regiões bate com o total nacional de 145.161.

Limitações. Não usamos estimativas próprias nem projeções. Onde o documento não traz o dado, dizemos que não traz — é o caso do salário médio por região, que o sumário não abre.

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Fontes

Só documentos oficiais.