Os setores que mais contratam em 2026 no Brasil são serviços, construção e indústria, nessa ordem. No acumulado de janeiro a abril, o Novo Caged registrou saldo de 451.996 vagas formais em serviços, 143.547 na construção e 124.085 na indústria. O comércio foi o único dos quatro grandes setores no negativo, com saldo de −26.614. No total, o país gerou 699.762 vagas formais no quadrimestre.

Quais setores mais contrataram em 2026

O Novo Caged é o registro administrativo de admissões e desligamentos com carteira assinada, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Diferente de pesquisa de intenção de contratação, ele mostra o que já aconteceu.

SetorSaldo de vagas (jan–abr/2026)Situação
Serviços+451.996Lidera com folga
Construção+143.547Segundo maior saldo
Indústria+124.085Crescimento consistente
Comércio−26.614Único no negativo
Fonte: Novo Caged / Ministério do Trabalho e Emprego, acumulado de janeiro a abril de 2026.

Dentro de serviços, o próprio Ministério destaca três frentes puxando o resultado: educação, saúde e administração. Em abril, o setor sozinho gerou 69.601 vagas. Até maio, o acumulado do país chegou a 767 mil vagas formais.

Por que a construção civil aparece em segundo lugar

Esse é o dado que mais surpreende quem acompanha o mercado de longe. A construção gerou mais vagas formais em quatro meses do que a indústria inteira — 143.547 contra 124.085.

Para quem está escolhendo formação, isso tem efeito prático direto. Canteiro de obras em operação demanda técnico em edificações, técnico em segurança do trabalho e eletrotécnico. Não por acaso, o técnico em segurança do trabalho é hoje a ocupação técnica de nível médio mais bem paga entre as analisadas: média de R$ 3.929,49 e teto de R$ 6.342,17, segundo os microdados do Novo Caged de julho de 2025 a junho de 2026.

Por que o comércio está no negativo

O comércio fechou o quadrimestre com 26.614 vagas a menos do que abriu. É o único dos quatro grandes setores nessa situação, e vale ler o número com cuidado antes de concluir.

Saldo negativo no início do ano tem componente sazonal conhecido: o varejo contrata temporários para o fim de ano e desliga entre janeiro e março. Ainda assim, o contraste com serviços e construção no mesmo período é grande demais para ser só calendário. Para quem trabalha no varejo hoje, o recado prático é que a recolocação dentro do próprio setor está mais disputada do que em serviços ou construção.

Onde estão as vagas no mapa do Brasil

EstadoSaldo de empregos formais em 2026
São Paulo+202.374
Minas Gerais+78.640
Santa Catarina+63.006
Fonte: Novo Caged, 2026. Os piores desempenhos ficaram com Roraima, Rio Grande do Norte e Alagoas.

Santa Catarina em terceiro, com população muito menor que a de outros estados, é o dado mais interessante da lista. Concentração industrial e de serviços em cidades médias produz um mercado aquecido que não aparece nas manchetes nacionais.

O paradoxo: desemprego recorde baixo e falta recorde de qualificação

Duas informações aparentemente contraditórias convivem no mercado brasileiro de 2026.

De um lado, a PNAD Contínua do IBGE apurou desemprego de 5,4% em junho de 2026, o menor patamar já registrado para o mês, com 103,1 milhões de pessoas ocupadas.

De outro, a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria, divulgada em fevereiro de 2026, mostra que 23% das empresas apontam oferta insuficiente de profissionais capacitados — o maior índice desde o início da série, em 2015. Em 2020 esse número era de 5%. Entre pequenas empresas, chega a 28,4%.

Não é contradição, é descompasso. Existe vaga aberta e existe gente procurando emprego, mas a qualificação exigida e a disponível não se encontram. Os setores que mais contratam são justamente os que mais dependem de formação técnica específica.

O que os setores em alta exigem de formação

SetorFormações mais demandadasNível
Serviços — saúdeTécnico de enfermagem, radiologiaMédio/Técnico
Serviços — educação e administraçãoAdministração, secretariado, gestãoMédio a superior
ConstruçãoEdificações, segurança do trabalho, eletrotécnicaMédio/Técnico
IndústriaAutomação industrial, eletroeletrônica, mecânicaMédio/Técnico

O padrão salta aos olhos: os setores que mais contratam demandam predominantemente formação de nível técnico, não graduação. O catálogo de cursos do IBETP permite filtrar por área e por nível para cruzar com essa lista.

O que fazer agora

  1. Cruze setor com ocupação. O mesmo cargo tem futuros diferentes em setores diferentes. Auxiliar administrativo em serviços de saúde e no varejo estão em trajetórias opostas hoje.
  2. Olhe o saldo, não o estoque. Setor grande não é o mesmo que setor contratando. Comércio emprega muita gente e está devolvendo vagas.
  3. Considere a geografia. Se você tem mobilidade, São Paulo, Minas e Santa Catarina concentram o saldo positivo.
  4. Escolha a formação pelo gargalo. Onde 23% das empresas não acham profissional, quem tem o certificado certo negocia melhor.
  5. Confirme a regularidade do curso no SISTEC antes de pagar qualquer coisa.

Para aprofundar o cruzamento entre setor, ocupação e salário, vale ler o levantamento das 25 profissões em alta em 2026 no Brasil, que traz o ranking do LinkedIn ao lado dos dados de remuneração por CBO.

Perguntas frequentes

Qual setor mais contrata no Brasil em 2026?

Serviços, com folga. O setor gerou 451.996 vagas formais entre janeiro e abril de 2026, segundo o Novo Caged — mais que construção e indústria somadas. Educação, saúde e administração puxam o resultado.

Quantas vagas formais o Brasil gerou em 2026?

O saldo foi de 699.762 vagas formais no acumulado de janeiro a abril de 2026, chegando a 767 mil até maio, segundo o Novo Caged do Ministério do Trabalho e Emprego.

Por que o comércio está demitindo?

O comércio fechou o quadrimestre com saldo de −26.614 vagas. Parte é sazonal, pelo desligamento de temporários contratados no fim do ano anterior, mas o contraste com os demais setores no mesmo período vai além do calendário.

Qual estado mais gera emprego no Brasil?

São Paulo lidera com saldo de 202.374 vagas formais em 2026, seguido por Minas Gerais com 78.640 e Santa Catarina com 63.006. Roraima, Rio Grande do Norte e Alagoas registraram os piores desempenhos.

Se o desemprego está baixo, por que é difícil conseguir emprego?

Porque a vaga aberta e a qualificação disponível não coincidem. Com desemprego em 5,4%, 23% das indústrias declaram não encontrar profissional capacitado — o maior índice da série histórica da CNI, iniciada em 2015.

Fontes consultadas

  • Novo Caged — Ministério do Trabalho e Emprego: saldo por setor e por estado, acumulado de janeiro a abril de 2026, e microdados por CBO de julho de 2025 a junho de 2026
  • PNAD Contínua — IBGE, junho de 2026: taxa de desemprego e população ocupada
  • Sondagem Industrial — Confederação Nacional da Indústria, fevereiro de 2026: falta de mão de obra qualificada

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