Curação de Feridas em 2026: Mercado, Oportunidades e Formação
- Leonardo Monteiro 6 min de leitura
A curação de feridas tornou-se uma das áreas mais promissoras da enfermagem brasileira em 2026, impulsionada pelo envelhecimento populacional, aumento das doenças crônicas e maior reconhecimento da necessidade de cuidados especializados no tratamento de lesões cutâneas complexas. Segundo estimativas do setor, mais de 5 milhões de brasileiros convivem com feridas complexas que exigem acompanhamento profissional qualificado, criando demanda permanente por técnicos e enfermeiros capacitados nessa área.
Além disso, as mudanças regulatórias recentes ampliaram a autonomia do enfermeiro no cuidado a lesões, consolidando a estomaterapia e o tratamento de feridas como campos de especialização com alta empregabilidade e possibilidade de atuação empreendedora. Profissionais que dominam protocolos atualizados de curação de feridas, avaliação de lesões e prescrição de coberturas especializadas tornaram-se peças-chave tanto em hospitais quanto em atendimentos domiciliares e clínicas especializadas.
O que faz um profissional de curação de feridas
A curação de feridas é uma atividade técnica e clínica que envolve avaliação, limpeza, desbridamento, aplicação de coberturas adequadas, prescrição de terapias adjuvantes e acompanhamento da evolução da cicatrização. No Brasil, essa competência é regulamentada pela Resolução COFEN nº 567/2018 (atualizada pela Resolução COFEN nº 787/2025), que define atribuições específicas de cada categoria profissional.
Conforme estabelecido pela Resolução COFEN nº 567/2018, o enfermeiro é responsável pela avaliação, elaboração de protocolos, seleção e indicação de novas tecnologias em prevenção e tratamento de pessoas com feridas. O técnico de enfermagem, por sua vez, realiza curativos prescritos sob supervisão do enfermeiro, respeitando a complexidade da lesão.
Principais atribuições por categoria profissional
- ✅ Enfermeiro: avaliação clínica da lesão, diagnóstico de enfermagem, prescrição de coberturas e terapias, execução de desbridamento (autolítico, enzimático, mecânico e instrumental), indicação de tecnologias avançadas (terapia por pressão negativa, ozonioterapia), educação em saúde ao paciente e família
- ✅ Técnico de Enfermagem: realização de curativos de feridas em estágio I e II, auxílio ao enfermeiro em feridas estágio III e IV, execução de curativos em estágio III quando delegado pelo enfermeiro (conforme Resolução COFEN 567/2018), registro de evolução, orientação ao paciente sobre cuidados básicos
- ✅ Enfermeiro Estomaterapeuta: atuação especializada em estomias, fístulas, feridas agudas e crônicas, incontinências, prescrição de protocolos complexos, acompanhamento de casos de difícil cicatrização
De acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o Enfermeiro está registrado sob o código CBO 2235-05, enquanto o Técnico em Enfermagem possui o código CBO 3222-05. Ambas as categorias atuam de forma complementar no cuidado ao paciente com feridas, sendo que a complexidade da lesão determina o nível de autonomia e supervisão necessária.
“O enfermeiro é o principal ator no processo de cicatrização de feridas complexas, atuando com autonomia técnica e respaldo legal para indicar tecnologias e conduzir tratamentos de alta complexidade.” — Guia Prático de Feridas Crônicas, COFEN 2025
Mercado de trabalho em 2026 para curação de feridas
O mercado brasileiro de curação de feridas em 2026 apresenta cenário favorável, sustentado por três pilares: envelhecimento da população, aumento da prevalência de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, neoplasias) e expansão do atendimento domiciliar (home care). Segundo o CAGED, o setor de serviços de saúde gerou saldo positivo de 1,27 milhão de empregos formais em 2025, com a área de Enfermagem mantendo crescimento consistente.
Profissionais especializados em tratamento de feridas encontram oportunidades em hospitais públicos e privados, unidades de pronto atendimento, clínicas de feridas, home care, ambulatórios de estomaterapia e como prestadores autônomos. A escassez de enfermeiros com formação específica em estomaterapia gera valorização salarial e abertura de vagas em todas as regiões do país.
Salário por região e especialização
A remuneração de profissionais que atuam com curação de feridas varia conforme região, nível de especialização e modalidade de contratação. Enfermeiros especializados em estomaterapia possuem remuneração superior à média da categoria, refletindo a carência de profissionais qualificados.
| Categoria / Especialização | Salário médio mensal (2025-2026) | Fonte |
|---|---|---|
| Técnico em Enfermagem (geral) | R$ 2.100 a R$ 3.200 | CAGED 2025 / Concursos públicos 2026 |
| Enfermeiro (generalista) | R$ 6.200 a R$ 8.600 | Portal Salário / CAGED 03/2025-02/2026 |
| Enfermeiro Estomaterapeuta | R$ 5.980 a R$ 12.000 | Glassdoor 2025 / Processos seletivos públicos |
| Enfermeiro com pós em Estomaterapia (setor privado) | R$ 4.000 a R$ 8.000 | Estimativas de mercado e especialistas da área |
No funcionalismo público, a diferença é ainda mais expressiva. O concurso CISMETRO-SP, divulgado em 2026, ofereceu remuneração inicial de R$ 5.464,20 para enfermeiros e R$ 3.174,15 para técnicos de enfermagem. Já o concurso COFEN, com edital previsto para 2026, anunciou salários de até R$ 18.950,52 para enfermeiro fiscal.
Regiões com maior demanda
A demanda por profissionais especializados em curação de feridas concentra-se em regiões com maior densidade populacional e infraestrutura de saúde desenvolvida:
- 📈 Sudeste (SP, RJ, MG): maior concentração de hospitais especializados, clínicas de feridas e serviços de home care; São Paulo gerou 311.228 postos formais em 2025 segundo o Novo CAGED
- 📈 Sul (PR, SC, RS): forte presença de redes hospitalares privadas e projetos de atenção domiciliar estruturados
- 📈 Nordeste (BA, PE, CE): expansão de programas de atenção primária e ambulatórios especializados; Bahia criou 94.380 vagas formais em 2025
- 📈 Centro-Oeste (DF, GO, MT): crescimento de clínicas especializadas e concursos públicos na área da saúde




